"Merge"

Ethereum Classic já disparou 130% com anúncio de atualização do ETH; o que esperar agora segundo analistas?

Ethereum Classic disparou de preço recentemente em meio à expectativa de que possa atrair mineradores do Ethereum

Por  CoinDesk -

Os mineradores de criptoativos têm demonstrado crescente interesse no Ethereum Classic (ETC), dado que a blockchain do Ethereum (ETH) está em processo de atualização, mudando de um sistema de mineração que gasta mais energia, para um que trava criptomoedas em computadores para credenciar validadores – com isso, abandonando os mineradores que ainda se dedicam à tarefa. O processo é conhecido como “Merge” (ou “Fusão”, em português).

O Ethereum Classic é uma ramificação, ou fork, do Ethereum. Ao contrário do que acontecerá em setembro com a versão mais famosa, a a Classic não mudará seu mecanismo de validação, o que a torna potencialmente atrativa para os mineradores – a blockchain manterá a mineração convencional e poderá atrair empresários que investiram pesado em computadores para “produzir” Ethereum.

No entanto, de acordo com analistas da casa de análise Messari, o Ethereum Classic tem pouca viabilidade a longo prazo. Em relatório, o analista sênior Tom Dunleavy escreve que, embora o preço do ETC possa subir nos dias que antecedem a Fusão, é improvável que o token tenha um crescimento sustentado.

Atualmente, a mineração do Ethereum (ETH) representa 97% da receita de mineração com placas de vídeo no planeta e tem uma receita diária de US$ 24 milhões, de acordo com a Messari – a mineração de Bitcoin usa outro tipo de hardware.

Depois da Fusão, os usuários poderão validar transações de ETH por meio do staking (depósito) da criptomoeda, em vez de executar cálculos que consomem muita energia, tornando os equipamentos utilizados para mineração de Ethereum quase obsoletos.

Os mineradores serão forçados a vender seus equipamentos ou a mudarem para a mineração da versão Classic, que atualmente representa 2% da receita de mineração em placas de vídeo no mundo, gerando cerca de US$ 700 mil em faturamento diário, segundo a Messari.

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Essa expressiva lacuna na lucratividade mostra que, mesmo que uma “porção significativa” de mineradores de ETH migre para o ETC, a dificuldade de mineração aumentará drasticamente e deixará muitos mineradores não lucrativos.

A dificuldade de mineração é um ajuste automático executado pelo algoritmo da blockchain para que o tempo de validação dos dados se mantenha equilibrado em meio ao aumento do poder computacional dedicado à tarefa. Se a dificuldade aumenta repentinamente, mineradores com equipamentos mais fracos ficam para trás e não conseguem obter recompensas.

Na semana passada, o token ETC subiu mais de 30% depois que o pool de mineração de Bitcoin (BTC) AntPool investiu US$ 10 milhões para o desenvolvimento e exploração de aplicativos para a Ethereum Classic.

No entanto, os analistas da Messari avaliam que o ETC tem um histórico de picos curtos de preços e que, portanto, seu aumento atual não é representativo do crescimento de longo prazo da rede.

De acordo com a casa de análise, o Ethereum Classic tem menos da metade do número de endereços ativos da rede Cardano (ADA), a quinta maior blockchain por valor de mercado. O nível atual de desenvolvimento na versão Classic é ainda inferior a um décimo do Ethereum e da Cardano, e o ETC não teve uma mudança significativa no volume de transações desde 2018.

“No final das contas, os preços devem ter alguma ligação fundamental com o uso da rede e com a atividade econômica subjacente”, escreveu a Messari. “Infelizmente, para os detentores de ETC, o cenário não é o mesmo em nenhum dos casos.”

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