Estatais e imobiliárias sobem forte; Santander dispara 15% e Oi despenca 11%

Gol ignora perda contábil e fica entre os maiores ganhos do dia, enquanto Souza Cruz recua 4% mesmo com resultado "neutro"

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SÃO PAULO – Apesar de uma nova pesquisa eleitoral agitar o mercado nesta terça-feira (29), levando o Ibovespa a fechar em alta, foi o noticiário corporativo que realmente chamou atenção, principalmente com a Oi (OIBR4) e o Santander (SANB11), que ficaram com a maior queda e a maior alta do índice como as únicas ações com variação de mais de 10%. Além delas, as estatais, bancos e imobiliárias também tiveram uma sessão bem agitada.

Com valorização de 15,78%, as units do Santander Brasil (SANB11) fecharam a R$ 14,75, com a notícia divulgada juntamente ao resultado do 1º trimestre do ano de que sua matriz espanhola lançou uma oferta para comprar 25% do restante das units que ainda não possui. A aquisição, que pode chegar a € 4,7 bilhões (US$ 6,51 bilhões), será paga com novas ações do Santander e acionistas existentes receberão um prêmio de 20% sobre o preço de fechamento dos papéis do Santander Brasil.

O banco brasileiro continuará na BM&FBovespa, mas vai migrar do Nível 2 de Governança Corporativa para o segmento tradicional. Além do mais, os resultados operacionais mostraram métricas positivas, com algumas superando as expectativas do mercado, conforme apontam os analistas da XP Investimentos em relatório divulgado aos clientes. Vale destacar também as ações do banco, que apesar de terem pouco volume também tiveram forte oscilação. Os papéis SANB3 fecharam a R$ 0,13, com alta de 18,18%, enquanto os ativos SANB4 avançaram 7,69%, para R$ 0,14.

Oi
Assim como vem acontecendo nos últimos dias, as ações da Oi (OIBR3, R$ 2,24, -11,11%; OIBR4, R$ 2,11, -10,97%) afundaram novamente na Bovespa, repercutindo o resultado da precificação de sua oferta de ações. Segundo informações divulgadas na CVM, a oferta foi precificada em R$ 2,17 por ação ON e R$ 2,00 por ação PN – resultado no piso das estimativas do mercado.

Ao todo, foram vendidas 7,29 bilhões de ações, sendo 2,43 bilhões de ações ordinárias e 4,86 bilhões de ações preferenciais, totalizando um aumento de capital de mais de R$ 14 bilhões. Como as ações da companhia de telecomunicações estão bem acima dos valores ofertados, o que vimos no pregão desta terça-feira foi um ajuste para baixo nas cotações – na véspera, OIBR3 e OIBR4 fecharam valendo R$ 2,52 e R$ 2,37, respectivamente. Importante notar que ambas já caíram mais de 30% em 2014.

Estatais
As ações das estatais parecem engatar um novo rali de alta após mais uma pesquisa eleitoral mostrar não só queda nas intenções de voto da atual presidente Dilma Rousseff, como também um aumento nas intenções para o adversário Aécio Neves, do PSBD. Segundo pesquisa CNT/DNA, as intenções de voto para Dilma caíram de 43,7% para 37,0%, enquanto que o candidato do PSDB subiu de 17% para 21,6% em relação à pesquisa de fevereiro. Com isso, a diferença entre um e outro caiu de 26,7 para 15,4 pontos percentuais.

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Reagiram positivamente à notícia as ações da Petrobras (PETR3, R$ 15,75, +0,64%; PETR4, R$ 16,69, +0,79%), Eletrobras (ELET3, R$ 7,98, +3,64%; ELET6, R$ 12,64, +3,35%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,90, +1,92%). As companhias estatais têm respondido com valorização na Bolsa a cada queda nas pesquisas da atual presidente pelo fato dos investidores estarem descontentes com algumas medidas adotadas pelo governo para determinados setores e empresas brasileiras.

Itaú Unibanco
Em uma sessão volátil, o Itaú Unibanco (ITUB4) fechou com leve alta de 0,05%, a R$ 36,80, após a companhia registrar lucro líquido contábil de R$ 4,419 bilhões no primeiro trimestre de 2014, informou a instituição. Este valor representa uma queda de 4,9% frente o montante de R$ 4,646 bilhões do quarto trimestre de 2013, mas foi 27,3% maior sobre os R$ 3,472 bilhões do primeiro trimestre de 2013.

Já o lucro líquido recorrente foi de R$ 4,529 bilhões no primeiro trimestre de 2014, com alta de 29% frente os primeiros três meses do ano anterior e queda de 3,2% frente o último trimestre do ano passado. Os resultados ficaram em linha com a projeção do BB Investimentos, de lucro de R$ 4,4 bilhões.

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“Essa ligeira redução do resultado no primeiro trimestre de 2014, em relação ao trimestre anterior, deve-se, principalmente, à redução das receitas de recuperação de créditos baixados como prejuízo (que costumam ser sazonalmente menores nesse trimestre) e à redução da margem financeira com o mercado, parcialmente compensados por despesas não decorrentes de juros (3,4% menores no período). Também contribuíram para a redução do resultado, em menor proporção, a queda de 0,8% na margem financeira com clientes e o aumento de 1,4% nas despesas de PDD, parcialmente compensadas pelo crescimento das receitas de serviços”, afirmou o banco.

Imobiliárias
Com três das cinco maiores altas do dia, o setor imobiliário chamou atenção neste pregão. Na ponta positiva ficaram as ações da PDG Realty (PDGR3, R$ 1,36, +3,82%), Gafisa (GFSA3, R$ 3,73, +5,07%), Cyrela (CYRE3, R$ 13,29, +3,21%), MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,19, +3,60%) e Rossi (RSID3, R$ 1,57, +2,61%), todas com ganhos de mais de 2%.

Segundo o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, o setor de construção é conhecido por acompanhar os movimentos mais fortes da Bolsa, ou seja, esses papéis possuem um beta alto. Com isso, em um dia positivo como o de hoje, as ações do setor acabam registrando ganhos mais altos.

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Porém, existe um segundo fator que pode estar trazendo ânimo para os investidores em relação ao setor imobiliário. Com os resultados dos bancos até o momento (Itaú, Bradesco e Santander) o que tem sido visto é uma melhora na oferta de crédito e uma redução na inadimplência. Diante disso, as vendas das construtoras podem ser impactadas positivamente com uma melhor oferta de crédito para o consumidor. Segundo Brugger, o balanço do Itaú mostrou números bastante positivos em relação ao crédito.

Gol
A ação da Gol (GOLL4, R$ 13,90, +3,73%) ignorou a perda financeira de R$ 75,9 milhões por conta dos problemas enfrentados na Venezuela e seguem em trajetória de forte alta, acumulando neste mês ganhos de quase 28%.

Segundo fato relevante divulgado na noite anterior, a companhia aérea reconhecerá em seus resultados do primeiro trimestre uma despesa financeira R$ 75,9 milhões, devido a mudanças do câmbio na Venezuela. O caixa da companhia aérea mantido naquele país totalizava R$ 350,3 milhões ao final de março, disse a Gol em comunicado, acrescentando que planeja repatriar o saldo remanescente de caixa. O governo venezuelano anunciou novas taxas de câmbio aplicáveis a certas indústrias, inclusive a aérea, neste ano.

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No entanto, os papéis da companhia seguem em alta por conta das boas notícias referentes à demanda de voos domésticos no Brasil, que impulsionaram os resultados operacionais da Gol no 1º trimestre.

Souza Cruz
A fabricante de cigarros Souza Cruz (CRUZ3) teve lucro líquido praticamente estável no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, com preços mais elevados compensando a queda das vendas, informou a empresa nesta segunda-feira. O lucro líquido foi de R$ 455,3 milhões no primeiro trimestre, avanço de 0,2% em relação ao período de janeiro a março de 2013. Mesmo com um resultado “neutro”, as ações da companhia tiveram perdas de 3,97%, a R$ 21,02.

A receita líquida foi de R$ 1,43 bilhão, alta de 0,9% na comparação anual. A receita com venda de cigarros subiu 3,2%, para 1,15 bilhão de reais, enquanto a receita com exportação de tabaco caiu 7,7%, para R$ 223,2 milhões. “A redução do volume (de venda de cigarros) foi integralmente compensada com maiores preços líquidos, principalmente em função do aumento de preços para repassar o aumento de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em janeiro de 2014”, disse a empresa em comunicado.

O volume de vendas de cigarros foi de 13,8 bilhões de unidades no primeiro trimestre, 2,3%  menor que no mesmo período de 2013. De acordo com a companhia, a queda da receita líquida com exportação ocorreu devido ao menor volume de vendas para a britânica British American Tobacco (BAT), controladora da companhia.

Guararapes
Ainda refletindo a temporada de resultados, fora do Ibovespa, a Guararapes (GUAR3), controladora da Riachuelo, viu suas ações subirem 3,09%, para R$ 103,50. A companhia teve lucro líquido de R$ 71,4 milhões no primeiro trimestre, 137% maior frente o mesmo período de 2013, Enquanto isso, a receita líquida da companhia no período teve alta de 19,7%, para R$ 891,4 milhões. Por outro lado, a companhia ressaltou esperar uma desaceleração em relação aos primeiros três meses do ano devido aos prováveis feriados durante a Copa do Mundo.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.