Energia: dependendo da região, tarifa é até 58% mais cara

Diferença média é de 50%, quando comparadas regiões mais e menos desenvolvidas; conta é maior para mais pobres, diz UFRJ

Gladys Ferraz Magalhães

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SÃO PAULO – A tarifa de energia elétrica brasileira é caracterizada pela grande diferença de valores entre as diversas regiões brasileiras. No Maranhão, por exemplo, o preço da tarifa residencial cobrado pela concessionária Cemar é de R$ 0,41852 por KWh, o mais elevado do país. Já a CEB-DIS, em Brasília, trabalha com uma tarifa de R$ 0,2431, uma diferença de 58%.

No geral, consumidores das regiões com melhor índice de desenvolvimento gastam com energia elétrica cerca de 50% menos do que os residentes em outras regiões do país. A conclusão é do Gesel/UFRJ (Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Assimetria tarifária

De acordo com o grupo, existe no Brasil o que eles chamam de assimetria tarifária na distribuição, resultante, segundo o economista e pesquisador do Gesel, Joazir Nunes Fonseca, do atual modelo tarifário do setor elétrico.

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“Existe um distanciamento enorme entre os mercados em termos de quanto custa a tarifa residencial. É isso que a gente chama de assimetria tarifária. Eu tenho, por exemplo, tarifas bem em conta no mercado paranaense e em São Paulo e tenho tarifas bastante caras em Rondônia, Acre, Alagoas, Sergipe, Piauí”, disse Fonseca, conforme publicado pela Agência Brasil.

Veja na tabela abaixo algumas tarifas:

Tarifas Residenciais
Concessionária Área de Atuação Tarifa/KWh
Cemar Maranhão R$ 0,41852
Celtins Tocantins R$ 0,41057
Ampla Parte do RJ R$ 0,39886
Energisa MG Parte de MG R$ 0,39565
Energisa PB Paraíba R$ 0,39459
Ceal Alagoas R$ 0,38747
Cepisa Piauí R$ 0,38723
Energisa MG Parte de MG R$ 0,39565
Cosern Rio Grande do Norte R$ 0,2818
Celesc-DIS Parte de SC R$ 0,27836
CPFL-Paulista Parte de SP R$ 0,27640
Eletropaulo Parte de SP R$ 0,26729
AES-Sul Parte do RS R$ 0,26362
Copel – DIS Paraná R$ 0,26067
CEB-DIS Distrito Federal R$ 0,24341

Fonte: Elaborado por GESEL/UFRJ a partir de dados da Aneel

Tarifas

Ainda segundo o economista, o modelo tarifário atual estabelece que cada empresa tenha a sua tarifa em função de seus custos e características, o que acaba por causar a assimetria tarifária.

Uma proposta prevê a criação de contas de compensação, como a CCC (Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis), paga por todas as concessionárias e distribuído para as empresas que têm um gasto maior para a compra de energia, principalmente no sistema que utiliza muita energia com fonte de óleo combustível.

Na opinião do especialista, o ideal seria que todos os consumidores pagassem o mesmo valor, mas ele admite que esta “não é uma equação tão simples”, já que é preciso respeitar os contratos de concessão, que visam garantir o equilíbrio-financeiro das empresas.