Empresários da construção mais confiantes

O resultado representa uma indiscutível melhora da confiança da construção, principalmente porque o aumento se mostrou disseminado entre os três grandes segmentos setoriais – Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados

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Em maio o Índice de Confiança das Empresas da Construção (ICST) apurado na Sondagem realizada pela FGV registrou um crescimento de 2,1 pontos na comparação com abril, já considerando o ajuste sazonal.

Esta foi a terceira alta consecutiva e segunda maior da série, contribuindo para que o indicador de confiança retornasse ao patamar do final de 2015. Ou seja, foi revertida a queda dos primeiros meses do ano.

O resultado representa uma indiscutível melhora da confiança da construção, principalmente porque o aumento se mostrou disseminado entre os três grandes segmentos setoriais – Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados.

A questão inevitável que surge do resultado é se ele pode ser interpretado como um sinal de reversão da forte crise que atinge o setor.

Infelizmente ainda não. A melhora da confiança observada nos últimos meses tem sido impulsionada pelo Indicador de Expectativas (IE), que em maio superou o indicador do ano passado. Por sua vez, a principal contribuição para este resultado veio do aumento significativo nas assinalações de que a demanda por produtos da construção vai crescer nos próximos três meses.

Assim, a questão é qual o fundamento desta percepção de melhora da demanda nos próximos três meses.

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A melhoria da confiança vem atingindo diversas atividades e até os consumidores. E se famílias e empresas acreditam que os próximos meses serão melhores estarão mais propensos a investir, a adquirir um imóvel, por exemplo.

No entanto, é pouco provável que isso ocorra já nos próximos meses, considerando que a atividade econômica continua se deteriorando. Não há sinais de alteração na trajetória de contração do mercado de trabalho e da renda das famílias. O crédito para financiamento habitacional, além de mais caro, tornou-se mais restrito: nos três primeiros meses do ano, o volume de concessões de crédito habitacional com recursos da poupança registrou queda de 55% na comparação com o mesmo período de 2015. Pesquisa da Abrainc-Fipe referente a 19 empresas com atuação em todo o país mostrou que o percentual de distrato em relação às vendas efetuadas alcançou cerca de 40% nos dois primeiros meses do ano. O Governo recém anunciou a suspensão das contratações da fase3 do Programa Minha Casa Minha Vida.

Há finalmente, as obras de infraestrutura que deverão ser impulsionadas por meio de concessões e PPPs, conforme anunciou o governo, mas que levará algum tempo ainda para que se materialize em uma demanda.

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A percepção em relação à situação corrente dos negócios no setor continuou piorando. O Índice de Situação Atual, que a cada mês atinge novo piso histórico, em maio ficou 7,2 pontos abaixo do patamar de dezembro.

De todo modo, a sondagem mostra que os empresários estão reportando uma mudança no ambiente de negócios e estão menos pessimistas do que estavam em janeiro.

Por hora, com a evolução em direções opostas dos dois componentes do indicador de confiança, tem se ampliado a distância entre eles, que alcançou o maior patamar desde que a pesquisa é realizada.

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Mas se, de fato, o investimento em infraestrutura e no mercado habitacional voltar a se expandir nos próximos meses, o indicador que reflete a situação dos negócios também irá reverter a tendência de queda, consolidando a melhora da confiança. Mas ainda assim, considerando os longos ciclos de produção, a repercussão na atividade – emprego e PIB – ainda iria demorar.