Emergentes podem não salvar multinacionais, diz CEO mundial da Lectra

Daniel Harari duvida da tese de blindagem, mas admite que alguns países sairão da crise antes que outros

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SÃO PAULO – “É verdade que as empresas brasileiras ainda estão investindo mais do que companhias de outros países. Mas o que se observa, em boa parte das nações emergentes, é a queda dos investimentos, em proporções até maiores do que as registradas nos Estados Unidos e na Europa. É o caso da China e da Índia”.

A afirmação do CEO mundial da Lectra, Daniel Harari, foi feita em resposta a um questionamento da redação do Infomoney. Como muitas multinacionais, a Lectra também estaria se ancorando nas operações que mantêm em países emergentes?


Harari, da Lectra: Emergentes reduziram investimentos

A resposta deixou mais do que claro que países emergentes não podem ser a salvação das multinacionais, até porque não estão “descolados” do resto do mundo. Estão, na realidade, presos a uma enorme teia, chamada globalização.

Performance em cada país

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A multinacional francesa Lectra registrou um faturamento global de 198 milhões de euros em 2008, apesar da crise econômica. A empresa está presente em 35 países, entre eles o Brasil, e opera em setores diversos, como moda, indústria automotiva, indústria mobiliária e aeronáutica, comercializando soluções integradas (softwares, equipamentos CAD/CAM e serviços relacionados) para indústrias.

“No primeiro trimestre de 2009, cerca de 30% de nosso faturamento teve como origem contratos recorrentes, sendo, portanto, estável; 20% vieram de itens consumíveis que tiveram queda de 25%, com a menor produção das empresas; e 50% vieram de novas vendas, com queda de 50%, devido à retração dos investimentos. Essa tendência deve se manter por, pelo menos, mais um ou dois trimestres”, explicou o CEO.

Para Harari, não há diferença significativa entre o desempenho dos emergentes e dos países mais desenvolvidos. “Não vemos diferença, exceto no caso do Brasil, onde nossas vendas ficaram estáveis no primeiro trimestre”, sublinhou.

“Para a Lectra, os negócios no Brasil são muito favoráveis, porque as empresas estão tentando se adaptar tecnologicamente. Isso pode ser comprovado pela sofisticação e modernização que os setores de moda e automobilístico têm demonstrado nos últimos três anos”, analisou. Porém, ao ser questionado sobre se as multinacionais que estão nos emergentes poderiam sofrer menos do que as demais, ele respondeu que não tem certeza da influência da presença em nações como Brasil e China.

A atuação em emergentes pode não garantir que empresas globais sofram menos. De qualquer maneira, Harari reconhece que estar presente mundialmente dá certa segurança. “Isso porque alguns países sairão da crise antes de outros”.