Embraer mostra por que é maior alta do Ibovespa em 2024 e ação salta 9,99% após 2T24

Números foram fortes, com perspectiva positiva e catalisadores positivos, segundo analistas

Lara Rizério

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A Embraer (EMBR3) divulgou, antes da abertura dos mercados, resultados do segundo trimestre de 2024 (2T24) nesta quinta-feira (8), mostrando por que a ação da fabricante de jatos tem a maior alta do Ibovespa no ano e na sessão. Os papéis na sessão pós-balanço saltaram 9,99%, a R$ 41,94.

O Bradesco BBI ressalta que os números foram fortes, com perspectiva positiva e gatilhos. A companhia reportou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado do 2T24 de US$ 190 milhões (aumento anual de 28%), uma forte superação de 24% e 35% versus as estimativas do Bradesco BBI e consenso, respectivamente.

O banco destaca os principais destaques, que foram: 1) margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) ajustada de 12,7%, 1,2 ponto percentual (pp) maior em base anual e 2,7 pp acima do consenso, impulsionada pela melhoria de margem nas áreas executiva, defesa e serviços, bem como créditos fiscais; 2) necessidades de capital de giro aumentaram US$ 246 milhões no trimestre devido à sazonalidade dos negócios; 3) a Embraer espera que a arbitragem com a Boeing termine no 3T24; e 4) no caminho certo para entregar a margem Ebitda final do guidance de 2024.

O Goldman Sachs também aponta os números como fortes, com a receita 4% acima do consenso enquanto o JPMorgan ressalta que, além do Ebitda 35% acima do consenso, a expectativa é que a tendência de avanço das margens permaneça.

A Embraer ainda manteve seu guidance para 2024, que indica 72-80 entregas de aeronaves comerciais (34% entregues no primeiro semestre) e 125-135 entregas de jatos executivos (35% entregues no primeiro semestre), com margem Ebit de 6,5-7,5% (versus 5,2% no primeiro semestre) e geração de fluxo de caixa de US$ 220 milhões. A carteira de pedidos da Embraer terminou o 2T em US$ 21 bilhões (a maior nos últimos 7 anos), refletindo o momento positivo da empresa.

Em relatório, o BTG Pactual apontou que já esperava uma reação positiva do mercado, especialmente dado a recente queda das ações, de 13% nos últimos 5 dias, principalmente devido às notícias mais negativas macroeconômicas dos EUA.

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Em sua maior parte, e apesar da disparada de 85% no acumulado do ano das ações, os analistas do Bradesco BBI, Goldman Sachs, BTG e JPMorgan têm recomendação de compra ou equivalente para os ativos EMBR3 ou ERJ (os ADRs, ou recibo de ações negociadas na Bolsa de Nova York).

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O BBI tem recomendação de compra para a Embraer e preço-alvo de R$ 52,00 para 2024. O BTG Pactual segue comprador em Embraer, “uma empresa que vemos oferecendo uma boa exposição à indústria de aviação, juntamente com opções de valor interessantes (novas campanhas comerciais, arbitragem com a Boeing e o eVTOL)”. O banco também vê a empresa negociando a 7 vezes o valor da firma sobre Ebitda esperado para 2025, o que considera atraente, especialmente com a aceleração da sua campanha comercial.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.