Após paralisação

Em meio à alta da Bolsa, empresas retomam planos de fazer ofertas de ações na B3

Via Varejo e Centauro anunciaram a intenção de captar recursos na Bolsa, enquanto outras companhias voltaram a planejar IPOs

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Foto: reprodução
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SÃO PAULO – Após um período em que as operações de captação ficaram praticamente paralisadas na B3 por conta da forte volatilidade do mercado em meio às incertezas causadas pela pandemia do novo coronavírus, as empresas estão retomando os processos de captação, tanto para fortalecer o caixa ou melhorar o perfil de dívida quanto para fazer aquisições.

O movimento ocorre em um cenário de maior calmaria para o mercado, com o Ibovespa superando a barreira dos 90 mil pontos e voltando aos patamares pré-pandemia (veja mais clicando aqui). Desde a mínima do ano de 23 de março até o fechamento da última quarta-feira (4), o Ibovespa já subiu 46,3%.

A última companhia a anunciar o plano de fazer captação foi a Via Varejo (VVAR3). A dona de Casas Bahia e Ponto Frio pretende fazer uma oferta de ações (follow on) de no mínimo 220 milhões papéis, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CMV) na madrugada desta quinta-feira (4).

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Este valor poderá ser acrescido em mais 35%, o que equivale a cerca de 77 milhões de ações. Com a oferta subsequente de ações (follow-on), a empresa pode captar de R$ 2,96 bilhões até R$ 4 bilhões, levando em conta a cotação de R$ 13,48 das ações de fechamento da última quarta-feira (3).

Segundo a companhia, os recursos serão destinados para investimentos em tecnologia e logística, além da otimização da estrutura de capital, incluindo reforço de capital de giro.

A oferta se dará com esforços restritos, ou seja, limitada a um determinado número de investimentos. A operação é coordenada por Bradesco BBI, BTG Pactual, BB Banco de Investimento, Bank of America Merrill Lynch, Santander Brasil, Safra e XP Investimentos.

Também nesta quinta-feira, será definida a precificação da ação da Centauro (CNTO3) no follow-on, que consiste na distribuição de 25 milhões de ações ordinárias. A varejista fez o anúncio no último dia 26 de maio.

A oferta pode aumentar em até 8,75 milhões de papéis ON, equivalente a 35% do número inicialmente ofertado, a depender da demanda. Assim, ao considerar o valor de fechamento da sessão da última quarta (R$ 32,63), a captação pode render até R$ 1,1 bilhão para a companhia.

O follow-on ocorre pouco mais de um ano após a varejista de roupas esportivas realizar a sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Os novos papéis devem começar a ser negociados em 8 de junho.

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Segundo a Centauro, os recursos serão usados para o financiamento de aquisições de empresas que possam contribuir para a execução de sua estratégia de crescimento e a expansão de seus negócios.

Outras empresas estão de olho nessas operações, caso da IMC (MEAL3), que informou nesta quinta-feira a possibilidade de uma captação de recursos.

“Na nossa visão, o retorno das captações via ofertas subsequentes de ações é um sinal de maior visibilidade por parte das empresas. Desta forma, apesar do momento atual conturbado, entendemos que a volta dos follow-ons, ainda que de forma pontual, é uma notícia positiva não apenas para as empresas, mas para o mercado de capitais brasileiro”, destacou em nota recente a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento.

Já no início do mês passado, a Natura (NTCO3) anunciou que seu conselho de administração aprovou o aumento do capital social entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões.

Os acionistas do grupo de controle da Natura &Co se comprometeram a participar da operação com investimento total mínimo de R$ 508,095 milhões, via subscrição e integralização de ações decorrentes do exercício de parte de seus direitos de subscrição.

Aliado a isso, alguns investidores financeiros assumiram o compromisso firme de subscrição e integralização de ações de R$ 491,904 milhões. O prazo para exercício do direito de preferência para subscrição será entre 13 de maio e 12 de junho (inclusive).

Os recursos obtidos com a operação, segundo a companhia, serão destinados ao fortalecimento da estrutura de capital, melhora de sua posição de caixa, redução da alavancagem financeira consolidada, além de fins corporativos gerais.

Volta dos IPOs?

As companhias também estão voltando a retomar os seus processos de IPO, ainda que de forma pontual.

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A Allpark (ALPK3), dona da rede de estacionamentos Estapar, chamou atenção por fazer a abertura de capital em meio à pandemia do novo coronavírus em meados de maio, com a captação de R$ 313,2 milhões.

As ações estrearam na Bolsa em 15 de maio, a R$ 10,50 – de lá para cá, porém, os papéis caíram 6%.

No final de maio, a Ambipar, empresa de gestão de resíduos e de resposta a emergências, retomou o processo para a sua oferta inicial de ações, aprovado pelo conselho em 17 de fevereiro de 2020, mas que foi interrompido em 9 de abril.

A operação é parte de um plano para reforçar o crescimento via aquisições e ampliar sua atuação internacional, que envolve desde atuação em desastres ambientais até programas de contenção a epidemias.

Já no início de junho, a Aura Minerals, dona de minas de ouro e cobre em países da América Latina, informou ter retomado o processo de IPO no Brasil, interrompido em 24 de março. A companhia já negocia suas ações na Bolsa de Toronto, no Canadá.

Em 2020, cerca de R$ 30 bilhões foram captados na B3 com ofertas de ações e cinco IPOs – Mitre Realty (MTRE3), Locaweb (LWSA3), Moura Dubeux (MDNE3), Priner (PRNR3) e Allpark (ALPK3).

Até fevereiro, a expectativa de analistas era de que o volume neste ano superasse os R$ 200 bilhões (veja mais clicando aqui).

O número projetado no início do ano seria significativamente superior ao de 2019, em que as operações no mercado de capitais somaram cerca de R$ 90,2 bilhões, com 42 transações, sendo 37 emissões de ações e cinco IPOs.

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No Brasil a fila de interessados em abrir capital chegou a contar com cerca de 25 companhias que protocolaram seus registros na CVM, mas a maior parte das ofertas acabou sendo adiada ou cancelada devido à piora nas condições de mercado por conta da pandemia.

“Contudo, à medida em que estão sendo anunciadas as reaberturas das economias e as Bolsas mundiais já precificaram parte relevante do impacto nos resultados das empresas, os preços das ações retornaram a níveis mais racionais e a tendência é que as ofertas voltem a agitar os mercados internacionais e o do Brasil”, ressalta a Levante.

Nos Estados Unidos, vale ressaltar que, na última quarta-feira, a Warner Music realizou na Nasdaq o maior IPO do país em 2020 até o momento ao captar US$ 1,93 bilhão. A ação estreou com alta expressiva, de 20,38%.

Já nesta quinta-feira, estreou na bolsa a ZoomInfo Technologies, que fornece dados sobre as perspectivas de vendas. A companhia vê seus papéis dobrarem de valor na Bolsa, após captar US$ 935 milhões no IPO na Nasdaq com uma precificação da ação em US$ 21, acima do intervalo estimado entre US$ 19 e US$ 20, enquanto a Pliant Therapeutics também viu seus papéis estrearem em forte alta na mesma bolsa.

Nesta semana, ainda estão previstas as estreias de Applied Molecular Transport e da Shift4 Payments, todas da Nasdaq.

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