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(Reuters) – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro deve falar em uma audiência em Washington nesta segunda-feira (6), numa tentativa de persuadir o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a adiar uma tarifa comercial de 25% proposta sobre os produtos brasileiros até depois das eleições de outubro, buscando se distanciar das taxações que alguns atribuem ao seu campo político.
Em junho, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais, como desmatamento ilegal e o que chama de práticas desleais em pagamentos eletrônicos, pouco depois de Flávio, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington.
A sequência de eventos levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve concorrer à reeleição, a acusar o senador de ter ajudado a desencadear a medida — acusação que Flávio nega.
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Tarifas dos EUA podem virar oportunidade ou novo desgaste para Flávio, diz analista
Viagem a Washington é vista como tentativa de criar um fato político positivo, mas resultado da audiência pode reacender críticas ao bolsonarismo

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos para audiência sobre tarifas
A audiência foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (United States Trade Representative, o USTR)
‘É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país’, disse o Planalto em nota, após visita de Flávio a Trump.
A iniciativa de Flávio Bolsonaro de tornar as relações EUA-Brasil uma pauta de campanha está amplamente alinhada com o crescente engajamento do presidente Donald Trump com a América Latina, que incluiu a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, após capturá-lo em Caracas, e o apoio a candidatos presidenciais de direita, como o colombiano Abelardo De La Espriella, que obteve uma vitória apertada no mês passado.
Mas novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros ‘dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem arquitetando’, argumentou o senador em documento enviado ao Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
De acordo com uma pesquisa divulgada no mês passado pelo instituto Quaest, no que se refere às tarifas, 47% dos brasileiros concordaram com Lula, que acusou Flávio de pedir aos EUA que impusessem novas tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto 35% concordaram com o senador, que afirmou ter pedido o contrário.
“Eles estão tentando fazer controle de danos,” disse Leonardo Paz, professor de relações internacionais do Ibmec e da Fundação Getúlio Vargas.
Adiamento
Autoridades brasileiras vêm negociando com seus homólogos norte-americanos há meses para tentar evitar novas tarifas.
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Mas Flávio argumentou que o Brasil não fez o suficiente para encontrar um meio termo com os EUA, e propôs uma suspensão de 180 dias antes de qualquer decisão sobre as tarifas.
‘O Brasil realiza eleições gerais em outubro de 2026, e o cenário político que determina a viabilidade de qualquer resolução negociada será redefinido em aproximadamente noventa dias’, escreveu o senador ao USTR.
Os EUA têm até 15 de julho para decidir se impõem as tarifas sob a Seção 301 da legislação comercial dos EUA, que ainda isentariam produtos como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves.
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A mais recente viagem de Flávio a Washington fez parte de um esforço mais amplo de sua família para conquistar o apoio do governo Trump, que incluiu negociações no ano passado para buscar a interferência da Casa Branca no julgamento do pai, referente a sua tentativa de reverter a derrota eleitoral de 2022.
Trump impôs tarifas pesadas aos produtos brasileiros no ano passado em resposta ao que chamou de uma caça às bruxas contra Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado meses depois.
Até agora, porém, os esforços do senador para evitar novas tarifas parecem estar tendo pouco impacto.
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Em resposta a uma carta que Bolsonaro enviou no mês passado pedindo a Washington que não impusesse tarifas adicionais aos produtos brasileiros, o secretário de Estado Marco Rubio escreveu que ‘continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação’, apontando-as como justificativa para as medidas propostas.
(Reportagem de Luciana Magalhães, em São Paulo, e Ricardo Brito, em Brasília)