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SÃO PAULO – Em um dia bastante volátil no mercado brasileiro, as ações do setor elétrico figuraram entre os destaques positivos e negativos do Ibovespa. Vale (VALE3; VALE5) e CSN tiveram mais um dia negativo e renovaram suas mínimas do ano, enquanto a Petrobras (PETR3, 0,00%, R$ 12,48; PETR4, +0,77%, R$ 13,11) conseguiu respirar e fechar em alta. Concessionárias de rodovias e bancos privados também fecharam no azul. Foram 11 das 72 ações do índice fechando com alta de mais de 2%, enquanto apenas 5 ativos caíram mais de 2%.
Após oscilar durante a manhã, as ações da Vale se fixaram no campo negativo durante a tarde, dando continuidade à forte desvalorização da véspera, pressionadas por notícias vindas da China. Aliado ao temor com dados da ruins das exportações chinesas na véspera, a maior produtora de aço listada na bolsa da China, a Baoshan Iron & Steel, disse hoje que a queda nos preços do minério de ferro é “inevitável”. Atualmente o preço está acima de US$ 100 por tonelada.
Os papéis ordinários da mineradora recuaram 1,63%, para R$ 29,55, enquanto os preferenciais caíram 1,02%, a R$ 26,10 – renovando sua mínima desde julho. Entre as siderúrgicas, apenas a CSN (CSNA3, -2,26%, R$ 8,65) fechou no negativo, enquanto Usiminas (USIM5, +0,57%, R$ 8,77), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, +0,12%, R$ 16,70) e Gerdau (GGBR4, +1,03%, R$ 13,79) conseguiram fechar em alta.
Petrobras “respira”, mas más notícias continuam
A agência de classificação de risco Fitch disse que a Petrobras precisará de mais do que US$ 12 bilhões captados até o momento neste ano para fazer frente ao seu plano de negócios. Na véspera a Petrobras realizou sua segunda operação no mercado externo no ano, quando captou US$ 8,5 bilhões com a emissão de bônus.
Mas não é só a megacaptação que está no radar, uma vez que o desenrolar sobre as plataformas inacabadas e as acusações de pagamento de propina para a empresa holandesa SBM Offshore chamam atenção. Os diretores do Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) devem ser ouvidos pela Comissão de Meio Ambiente do Senado sobre plataformas da Petrobras que estariam sendo lançadas ao mar mesmo inacabadas, como teria sido o caso da P-62.
Além disso, destaque ainda para a notícia de que o PT (Partido dos Trabalhadores) tentará derrubar a proposta de criação de uma comissão externa temporária para investigar as denúncias envolvendo a Petrobras. Com a informação de que não existem investigações formais sendo conduzidas na Holanda sobre denúncias de que funcionários da Petrobras receberam propina da empresa holandesa SBM Offshore, o PT tentará barrar a comissão.
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Elétricas entre as maiores altas e baixas com ajuda do governo
Do lado positivo, destaque para ações do setor elétrico, com atenção especial para a CPFL Energia (CPFE3), que subiu 3,86%, para R$ 16,40. Ainda entre as altas, a Light (LIGT3, +2,36%, R$ 16,07), Energias do Brasil (ENBR3, +1,46%, R$ 8,36), Eletrobras (ELET3, +1,51%, R$ 4,70; ELET6, +1,40%, R$ 8,70), Copel (CPLE6, +1,98%, R$ 25,24) e Cemig (CMIG4, +1,72%, R$ 13,00), todas com valorização de mais de 1%.
O governo anunciou que irá bancar parte das contas das distribuidoras em janeiro, fato que foi apontado como marginalmente positivo pela equipe de análise da Ativa Corretora. Segundo eles, a medida garante alívio de curto prazo ao capital de giro das distribuidoras, mas apenas parcialmente. As empresas que passarem por reajuste no início deste ano devem sofrer menos, de acordo com a Ativa, como é o caso da CPFL, Copel e Cemig. Por outro lado, companhias que terão reajuste mais pra frente devem ter seu caixa pressionado, como a Light e a Eletropaulo (ELPL4, -2,58%, R$ 7,56). Com isso, eles afirmam que as ações devem permanecer voláteis no médio prazo.
Ainda no noticiário das companhias elétricas, as ações da Equatorial (EQTL3, +3,11%, R$ 18,87) foram destaque de alta nesta sessão depois que o Credit Suisse iniciou cobertura da empresa com recomendação outperform (desempenho acima da média). Segundo o banco, a empresa é bem posicionada diante do risco de racionamento, porque possui grande base de consumidores no segmento residencial, além de ter espaço para ganhos resultantes da recuperação da Celpa, adquirida pela companhia. O banco também cortou a recomendação das ações da Energias do Brasil para neutro, alegando que o upside (potencial de valorização) dos papéis em linha com seus concorrentes não deverá ser suficiente para atrair investidores.
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Light “acende” com dividendos
Enquanto isso, a Light anunciou junto com os resultados de 2013 que distribuirá R$ 1,789 por ação aos seus acionistas em dividendos, quantia que equivale a um “yield” de 11,3% em relação ao último fechamento. Segundo a XP Investimentos, o resultado da Light ficou um pouco aquém do esperado pelo mercado, mas ainda assim tiveram alguns pontos positivos que podem contribuir para o bom desempenho do papel, como evolução importante no controle de perdas.
O anúncio veio logo após a empresa mostrar seu balanço referente ao 4º trimestre de 2013, no qual obteve um lucro de líquido de R$ 129 milhões, resultado um pouco aquém do esperado pelo mercado. No acumulado do ano, o lucro chegou a R$ 587 milhões. Somado os proventos já pagos, ela distribuirá 84,6% do lucro aos acionistas.
Ecorodovias e CCR sobem mais de 2%
Com a maior alta do índice, as ações da Ecorodovias (ECOR3) fecharam o pregão com alta de 4,57%, cotadas a R$ 13,05. O movimento ocorre depois da empresa revelar seus dados operacionais nos dois primeiros meses de 2014. Segundo a companhia, o tráfego consolidado entre janeiro e fevereiro cresceu 11,3% em número de veículos equivalentes pagantes, quando comparado com o mesmo período de 2013. Para veículos comerciais, o crescimento foi de 17,2% e, para veículos de passeio, de 6,7%.
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Seguindo o movimento, os papéis da CCR (CCRO3) tiveram valorização de 2,21%, atingindo os R$ 16,18, um dia antes da companhia apresentar seu balanço de 2013. Vale destacar que as empresas de concessão rodoviárias são vistas como mais defensivas, com uma proteção contra a inflação e um fluxo de caixa mais estável, o que pode favorecer os papéis em um cenário de maior pessimismo.
Bancos privados sobem; BB recua
Os papéis dos bancos conseguiram, em sua maior parte, fechar em alta nesta terça-feira, puxados pela notícia de que as instituições financeiras propuseram acordo sobre julgamento da poupança para evitarem perda histórica. Assim, os bancos não teriam que arcar com despesas de centenas de bilhões de reais, que poderiam comprometer o sistema financeiro, enquanto os poupadores que realmente tiveram perdas na correção seriam compensados.
As ações do Itaú Unibanco (ITUB4, +1,08%, R$ 30,88), preferenciais do Bradesco (BBDC4, +0,48%, R$ 27,11) e Santander (SANB11, +0,35%, R$ 11,56) fecharam em alta, enquanto os papéis ordinários do Bradesco (BBDC3, -0,38%, R$ 28,51) e do Banco do Brasil (BBAS3, -0,86%, R$ 19,53) encerraram o pregão com queda.
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Imobiliárias
Vale destacar também o movimento do setor imobiliário, com as ações se dividindo entre maiores altas e maiores quedas. Enquanto a PDG Realty (PDGR3, -2,08%, R$ 1,41) e a Rossi (RSID3, -1,97%, R$ 1,49) ficaram na ponta negativa, a MRV Engenharia (MRVE3, +2,51%, R$ 8,17) – que divulga seu resultado nesta quarta-feira – e a Brookfield (BISA3, +2,11%, R$ 1,45) conseguiram fechar o dia com alta de mais de 2%.