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Os riscos trazidos pelas eleições no Brasil parecem ter deixado de representar uma ameaça a investidores que atuam com fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) e mercado de dívidas (DCM), segundo levantamento da Seneca Evercore. Especializada nessas áreas, a empresa viu as transações encolherem sensivelmente no período de 12 meses antes das eleições, em pleitos anteriores. Este ano, o cenário não se repetiu.
“Nas eleições de 2014, 2018 e 2022, o mercado aguardou o resultado para voltar a transacionar”, diz Daniel Wainstein, co-CEO da Seneca. “Em 2026, o mercado precificou e seguiu operando.”

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Nas eleições de 2018, por exemplo, os valores movimentados em operações de M&A caíram 1,8% nos 12 meses anteriores à escolha. Em 2022, com a perspectiva de retorno de Lula, a queda foi ainda maior, de 32,7%. Em 2026, aconteceu o movimento inverso, com alta de 6,4%.
“O cenário eleitoral ficou muito claro e agora o Flávio Bolsonaro dispara como grande favorito”, diz Wainstein.
De outubro do ano passado a setembro, o volume de M&As e mercado de capitais atingiu a marca de R$ 1 trilhão, com crescimento de 20% sobre o mesmo período que antecedeu a eleição de 2022. É o maior volume já registrado em um período pré-eleitoral e num ambiente de juros ainda muito elevados. “Não se trata de um mercado que esteja evitando a eleição, mas sim de um mercado que está transacionando apesar dela”, diz Wainstein.
Segundo Wainstein, o investidor já viveu algumas vezes a alternância de poder e a manutenção do mandatário e descobriu que não há grandes impactos que ameacem seus negócios. “Existia um medo grande em relação à alternância de poder, e o brasileiro já viu que o mundo não acaba caso qualquer um dos lados seja eleito”, diz ele. “Já tivemos governos à esquerda e à direita, nunca é o que todos queriam, mas o mercado continuou existindo.”
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O crescimento das transações também indica dois movimentos: o mercado também está maior e há a perspectiva de ganho no pós-eleição. Segundo ele, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito, há a percepção de que poderá ser feito um ajuste fiscal de maneira mais enfática, o que conduziria a uma taxa de juros menor e ao crescimento da economia.
Caso o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seja reeleito, as expectativas não são ruins. “O Lula é conhecido: pior não vai ficar, mas há a percepção de que as empresas e as pessoas não conseguem mais aguentar taxa de juros deste tamanho”, afirma. “Com as empresas quebrando e um possível desemprego, será necessário apertar o cinto e corrigir as contas públicas.”
Outro aspecto que demonstra que o mercado está menos temeroso do que em outras eleições é o risco Brasil. O CDS (“Credit Default Swap”) de cinco anos, que mede o custo de proteção contra a dívida soberana, manteve-se em torno de 130 pontos-base nos 12 meses anteriores a esta eleição, contra 238 no ciclo de 2022 e 195 no de 2018.
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É o menor nível pré-eleitoral desde 2010 e bem abaixo do que se viu nas três eleições anteriores. Nas últimas semanas, o CDS chegou a 111 pontos, o menor patamar do atual mandato presidencial, o que também evidencia um mercado menos preocupado com a eleição do que em outros anos.