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SÃO PAULO – A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) não foi suficiente para barrar aumento de preços de veículos e materiais de construção no mês de junho.
No caso dos automóveis, mesmo com a redução do tributo para os mais populares, o segmento acusou a segunda alta consecutiva de preços em junho, de 0,24%, depois do aumento de 0,29% em maio, segundo dados do IPV (Índice de Preços no Varejo), da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
De acordo com a economista da Federação, Júlia Ximenes, parte das lojas não tem conseguido atender à demanda aquecida e há fila de espera para alguns modelos de veículos. “O benefício do referido imposto para veículos e eletrodomésticos já não surte efeito, em virtude da demanda aquecida, que reduziu de maneira significativa o estoque destes bens”, disse.
Materiais de construção
A redução da IPI para materiais de construção, por sua vez, reflete no aumento de preços dos setores complementares, como Móveis e Decoração. No mês de junho, o segmento acusou a mesma alta apontada em maio, de 1,04%, sendo que, no semestre, a elevação de preços é de 3,20%.
“Com a retomada no ritmo de crescimento da demanda pela redução do IPI, é natural que os preços sejam levemente pressionados”, disse Júlia.
Os preços de materiais de construção cresceram 0,45% em junho, aumento menor do que o identificado em maio, de 0,83%. No ano, o grupo acumula alta de 2,26%. “A expectativa é de que os segmentos de materiais de construção continuem em desaceleração, graças à prorrogação da redução do IPI”.
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Consequências
Os dados da Fecomercio ainda apontam que, por conta da migração do consumo dos brasileiros para produtos com incentivo do IPI (eletrodomésticos, materiais de construção, veículos), outros setores estão promovendo liquidações para chamar a atenção do cliente.
O setor de Vestuário e Tecidos, por exemplo, teve aumento de preços de 0,13% em junho, ante os 0,32% em maio, devido ao aumento da procura pela coleção outono-inverno, que costuma ter maior valor agregado, pressionando os preços. Neste caso, a economista da Fecomercio acredita que os preços tendem a cair no próximo mês, por conta das liquidações de inverno antecipadas.