Energia

EDP (ENBR3) pretende ampliar atuação em geração distribuída de pequeno porte; ações sobem

Ações da empresa sobem mais de 3% após balanço; Ebitda superou expectativas, principalmente por alguns itens não-recorrentes e não-caixa

Por  Augusto Diniz

O CEO da EDP (ENBR3), João Marques da Cruz, destacou nesta quinta-feira (17) que a energia solar fotovoltaica é o grande foco da empresa daqui para frente. E, nesse aspecto, ganha relevância tanto a geração centralizada (que são as grandes centrais de produção de energia) como a distribuída (gerada no próprio local de consumo).

“A geração distribuída (GD) significa tanta coisa. Tem pequenos painéis solares nas casas de pessoas de capacidade de 5kw as de 2 MW, 3 MW nas empresas, que parecem usinas remotas. Tudo isso é GD. Nós estamos focando fundamentalmente no GD de pequeno investimento e remoto. Esse é o nosso foco. Estamos acelerando isso”, disse durante teleconferência para comentar os números do quarto trimestre da EDP.

Ano passado, a companhia concluiu a aquisição de duas empresas nesse segmento, sendo 40% de participação na BlueSol Energia, empresa com foco no mercado Solar B2C, e AES Inova, plataforma de investimento em geração distribuída, agregando ao portfólio 26,4 MWp em projetos contratados, em operação e ready to build.

EDP: Geração centralizada (GC) também ganha força no portfólio

Na geração solar, o executivo informou que está interessada em desenvolver mais dois parques de dimensão semelhante à primeira usina centralizada desenvolvida pela empresa, a Monte Verde Solar, no Rio Grande do Norte, em parceria com a EDP Renováveis – o projeto foi anunciado em outubro do no ano passado e tem capacidade instalada de 209 MW.

“Isso vai nos posicionar em 2022 acionistas de três usinas solares com 750 MW (no total)”, afirmou Cruz. As duas outras usinas a serem desenvolvidas, uma estaria em São Paulo e a outra em Minas Gerais. O projeto de Monte Verde já está outorgado, tem garantia de conexão ao sistema de transmissão e a previsão de início de operação é em 2024.

Empresa irá participar do leilão de transmissão no meio do ano

Dois dias atrás, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a minuta do edital do primeiro leilão de transmissão de 2022, agendado para 30 de junho. O leilão terá 13 lotes de empreendimentos em 13 estados.

A EDP já informou que irá participar do leilão. Ano passado, a empresa apresentou, de novo, apetite nos segmento de transmissão: comprou a Celg T por meio de leilão realizado em outubro por R$ 2,1 bilhões. Por outro lado, vendeu três ativos de transmissão: um no Espírito Santo, e outro no Maranhão.

Venda das hidrelétricas da EDP não decolam

A venda de três hidrelétricas da EDP no Brasil, Santo Antônio do Jari, Cachoeira Caldeirão e Mascarenhas, ainda não está fechada. De acordo com João Marques da Cruz, CEO da EDP no Brasil, a venda dos empreendimentos é estratégico para rebalancear o portfólio da empresa de energia.

“Na data de hoje não está vendida. Não encontramos no mercado condições corretas para venda. Queremos vender se as condições do mercado forem certas. Se não for, continuamos a operar os ativos”, disse o executivo.

Na distribuição, EDP diz ter melhora na inadimplência

Com atuação em distribuição por meio da EDP São Paulo e EDP Espírito Santo, a companhia afirma ter tido melhora da inadimplência no mercado em geral, em relação a 2020, devido a leve recuperação da economia, afetando a renda dos consumidores, mesmo com o reajuste tarifário.

Os esforços da EDP também “na negociação de débitos, com condições diferenciadas e ações específicas aos beneficiários da Tarifa Social de Energia Adicionalmente, e a digitalização dos meios de pagamento também contribuíram para a redução da inadimplência”.

Análise do balanço da EDP

Para os analistas do Credit Suisse, os resultados do braço de geração da EDP surpreenderam positivamente. “A companhia apresentou resultados regulatórios melhores do que o esperado, refletindo números da GenCo acima dos estimados, liderados por unidades hidrelétricas”, comentam os analistas da casa.

O banco suíço destacou que as receitas consolidadas aumentaram 7,6% na base anual, chegando a R$ 4,5 bilhões, com, além dos maiores volumes provenientes de hidrelétricas, impulso também dos reajustes tarifários. Os ganhos conseguiram diminuir o aumento de gastos, que subiram por conta da alta do carvão, com destaque para usina termoelétrica de Pecém, no Ceará, e com maiores gastos com novas linhas de transmissão que entraram em operação.

Eles não deixam de mencionar, porém, que os números foram auxiliados por descontos no imposto de renda (R$ 198 milhões), por um resultado não caixa de concessão do seu braço de distribuição (R$ 116 milhões) e pela contabilização da venda de lotes de transmissão (R$ 320 milhões).

O Itaú BBA, por sua vez, afirmou que os números vieram em linha com a projeção ao se considerar apenas os resultados ajustados. “O lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 1,3 bilhão superou bastante a nossa estimativa de R$ 774 milhões, mas principalmente devido a alguns itens não-recorrentes e não-caixa”, comentam.

Segundo o BBA, ao subtrair os efeitos não-recorrentes, o Ebitda da EDP seria de R$ 753 milhões, em linha com a sua projeção.

Na sessão desta quinta-feira (17), por volta das 16h31, após a divulgação do balanço, as ações da companhia operavam com alta de 3,73%, a R$ 21,12.

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