Fechamento

Dólar tem maior queda desde agosto e Ibovespa sobe no fim em meio a dados dos EUA

Mercado termina em alta com os temores de recessão nos EUA sendo superados pela possibilidade do país cortar juros

Notas de dólar (Crédito: Shutterstock)
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SÃO PAULO – O dólar fechou em sua maior queda desde 4 de agosto nesta quinta-feira (3) em meio a mais dados negativos sobre a economia dos Estados Unidos, o que aumenta a possibilidade de que os juros no país sejam reduzidos e, com isso, os mercados acionários de países emergentes voltem a ser atrativos ao investidor estrangeiro. O Ibovespa subiu durante o leilão de fechamento, após um dia de forte volatilidade.

Hoje, o índice abriu com ganhos, virou para a queda após os dados bastante ruins nos EUA, chegou a perder os 100 mil pontos, mas passou a operar novamente entre leves perdas e ganhos no início da tarde.

No fim, o Ibovespa terminou com alta de 0,48%, a 101.516 pontos, após chegar a uma queda de 1,19%, a 99.826 pontos por volta das 11h, na mínima do dia, e subir 0,52% na máxima. O volume financeiro negociado foi de R$ 15,734 bilhões. Para ver destaques de ações, clique aqui.

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O principal driver da sessão foi o índice de serviços do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) caiu de 56,4 pontos para 52,6 pontos em setembro. A expectativa mediana dos economistas do consenso Bloomberg era de queda bem menor, para 55,3 pontos no mês.

Com isso, o dólar caiu 1,09%, a R$ 4,0887 na compra e a R$ 4,0894 na venda. O contrato futuro com da moeda com vencimento em outubro tem baixa de 1,00%, a R$ 4,096.

A moeda refletiu a perspectiva de uma baixa mais intensa dos juros nos EUA. O movimento foi similar ao de ontem, quando dados mostrando maior probabilidade de recessão nos EUA elevaram a perspectiva de que o Fed atuaria de forma mais incisiva em sua próxima reunião de política monetária.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 perde sete pontos-base a 4,88%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 recua também sete pontos, a 5,98%.

Previdência

Os investidores também seguem de olho no ambiente político no Brasil, que ficou mais conturbado com a derrota do governo no destaque que mudava as regras para o abono salarial. Este movimento evidenciou as consequências da disputa no Congresso entre deputados e senadores a respeito da divisão dos recursos do megaleilão do pré-sal.

Na semana passada, o acordo para garantir que o leilão ocorra em novembro deixou o texto fatiado, de modo que falta definir qual percentual dos R$ 106,5 bilhões será destinado a estados e municípios. A Câmara está do lado dos últimos, enquanto o Senado quer repasses iguais, de 15%, diretamente aos estados.

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À Jovem Pan, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que a votação do segundo turno da reforma da Previdência pode ficar para depois do dia 15 de outubro diante da resistência de diversos senadores a votar a questão antes de ser definida a situação do leilão do pré-sal.

Para evitar novas surpresas, durante a votação do segundo turno da reforma no Senado, o governo mira agora manter a economia de R$ 800,3 bilhões em dez anos, evitando novas reduções. Quando chegou ao Senado, após aprovação da Câmara, a redução dos gastos com a Previdência era de R$ 933 bilhões, mas já havia sido reduzido a R$ 877 bilhões, na etapa anterior ao Plenário, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a intenção do ministro Paulo Guedes é que cada bilhão perdido no Senado seja compensado no “pacto federativo”, que deve reunir medidas para descentralizar recursos em favor de Estados e municípios. Essa indicação, porém, gerou mais animosidade no ambiente já hostil criado com os senadores, que estão insatisfeitos com os rumos da divisão dos recursos do pré-sal.

Já nesta manhã, o senador Chico Rodrigues, vice-líder do governo, apontou que o Senado não deve votar o segundo turno da previdência antes do dia 22 – a expectativa era de a votação acontecesse na primeira quinzena de outubro.

Falas do Fed

As falas de dirigentes do Fed traz Charles Evans (Chicago), Randal Quarles (vice-presidente de supervisão do Conselho de Governadores), Loretta Mester (diretora executiva do Fed de Cleveland), Robert Kaplan (Dallas) e Richard Clarida (vice-presidente), também são acompanhadas de perto pelo mercado.

Evans afirmou nesta quinta-feira que a fraqueza de indicadores de produção manufatureira se deve, em grande parte, a incertezas sobre o cenário comercial.

Segundo Evans, as incertezas comerciais geram cautela e causam redução dos investimentos das empresas – o que, segundo ele, foi um dos motivos que levaram o índice de atividade industrial nos EUA elaborado pelo Instituto para a Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) ao menor nível em mais de dez anos em setembro.

“Há muitas preocupações sobre efeitos de incertezas sobre as cadeias produtivas”, afirmou à Bloomberg News. “Se os agentes precisarem reinvestir, eles têm de saber onde investir”.

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Contudo, Evans ponderou que o ISM é apenas um indicador, e que é necessário aguardar por mais dados. Ele destacou que os gastos dos consumidores têm tido bom desempenho e que o crescimento econômico está em níveis razoáveis.

Noticiário Corporativo

A Vale informou que o lucro antes de impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) este ano deve variar entre US$ 10,8 bilhões e 12,9 bilhões. A empresa atualizou ainda a sua projeção de capex, para um montante total entre US$ 3,6 bilhões e US$ 3,8 bilhões este ano.

Em relação à tragédia de Brumadinho, a Vale estima para este ano gastos entre US$ 900 milhões e US$ 1,15 bilhão; em 2020, de US$ 1,5 bilhão a US$ 2,1 bilhões; em 2021, entre US$ 1 bilhão e 1,5 bilhão; e em 2022, entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões.

A Natura informou que obteve consentimentos dos titulares de notes com vencimento em 2023 e 2043 emitidos pela Avon Products ou suas subsidiárias em relação às cláusulas de mudança de controle que seriam acionadas pela combinação de negócios entre as empresas.

Em estágio final de uma reestruturação de dívida de US$ 19 bilhões, a Oi possui um “leque de opções” para levantar capital enquanto reorganiza seus negócios em um modelo sustentável e não vai decidir entre uma ou outra opção sob pressão, segundo o COO, Rodrigo Abreu, e o CEO, Eurico Teles.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)