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O dólar chega à Super Quarta em uma região decisiva frente ao real. Nesta quarta-feira (17), por volta das 11h30, a moeda norte-americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,06. Enquanto isso, o dólar futuro (WDON26), com vencimento em julho, cedia 0,58%, aos 5.077 pontos (cada 1.000 pontos equivalem a R$ 1,00), acumulando desvalorização próxima de 8%.
O movimento ocorre em meio à expectativa pelas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom), em um dia que pode redefinir apostas para juros, fluxo estrangeiro e câmbio nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham os desdobramentos do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. A cerimônia oficial de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. A perspectiva de normalização no fornecimento de petróleo reduz parte do prêmio de risco da commodity e pode aliviar pressões inflacionárias globais.
A dúvida, agora, é se esse conjunto de fatores será suficiente para manter a tendência de queda do dólar no ano — e abrir espaço para a moeda voltar a operar abaixo de R$ 5.

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Análise técnica: dólar futuro se aproxima de suporte decisivo

Do ponto de vista técnico, o dólar futuro está perto de uma região importante de definição.
No gráfico diário, o contrato segue acima da linha de tendência de baixa rompida nas últimas semanas, o que ainda mantém aberta a possibilidade de continuidade da recuperação recente. No entanto, a força compradora perdeu intensidade nos últimos pregões, e o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos, em 52,22 pontos, permanece em região neutra.
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Em um movimento de baixa da moeda americana frente ao real, os suportes mais relevantes estão em 4.992 pontos e, principalmente, em 4.910 pontos. A perda dessas regiões enfraqueceria a tentativa de recuperação e poderia recolocar a tendência de baixa no radar.
Abaixo de 4.910 pontos, os próximos alvos técnicos aparecem em 4.842 pontos, 4.798,5 pontos, 4.752,5 pontos e 4.697 pontos. Esse último patamar merece atenção especial por coincidir com o fundo registrado em 2023.
Na prática, a perda da região de 4.992 pontos já reforçaria a possibilidade de o mercado voltar a trabalhar com dólar abaixo de R$ 5, especialmente se o movimento vier acompanhado de melhora do fluxo externo e manutenção do diferencial de juros brasileiro.
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Por outro lado, caso a Super Quarta traga uma valorização do dólar, esse movimento ganharia tração com a moeda superando a resistência dos 5.124 pontos. Acima desse nível, o próximo obstáculo aparece em 5.225,5 pontos, região de maior oferta, antes da média móvel de 200 períodos, hoje em 5.277 pontos.
Se conseguir romper essa média, o dólar futuro pode abrir espaço para buscar 5.383,5 pontos, 5.446 pontos e, em um cenário de retomada mais forte, 5.614 pontos.
No médio prazo, tendência ainda é de baixa

No gráfico semanal, a leitura segue predominantemente negativa para o dólar futuro. O contrato acumula queda no ano e continua dentro da tendência de baixa iniciada no fim de 2024.
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Embora tenha conseguido romper o canal de baixa que vinha guiando os preços nos últimos meses, o movimento ainda não foi acompanhado por entrada consistente de fluxo comprador. Atualmente, o contrato negocia entre as médias móveis de 9 e 21 períodos, enquanto o IFR de 14 períodos, em 45,13 pontos, também permanece em região neutra.
Para melhorar sua estrutura gráfica no médio prazo, o dólar precisaria superar a resistência em 5.232,5 pontos, seguida da média móvel de 200 períodos, em 5.315 pontos, e da faixa de 5.383,5 pontos.
Acima desses níveis, o contrato poderia ampliar a recuperação em direção a 5.614 pontos, 5.777,5 pontos e 5.929 pontos.
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Por outro lado, o ponto técnico mais importante segue em 4.910 pontos. A perda desse suporte poderia confirmar a retomada da tendência de baixa e abrir espaço para uma queda em direção a 4.798,5 pontos e 4.697 pontos, fundo de 2023.
Se esse suporte histórico também for rompido, o mercado passaria a mirar a região de 4.613 pontos, mínima de 2022. Em um cenário mais amplo de fortalecimento do real, o contrato ainda poderia buscar 4.278 pontos, nível que não é testado há vários anos.
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Fed, Copom e diferencial de juros entram no radar
O comportamento do dólar após a Super Quarta dependerá, em grande medida, do tom adotado por Fed e Copom.
No exterior, a expectativa predominante é de manutenção dos juros pelo Fed. Ainda assim, o comunicado, as projeções econômicas e a entrevista coletiva serão acompanhados de perto, especialmente em busca de sinais sobre inflação e próximos passos da política monetária americana.
No Brasil, o mercado avalia se o Copom fará novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, ou se optará por uma pausa diante da piora recente das expectativas de inflação, da volatilidade externa e dos efeitos do petróleo.
Para o câmbio, o ponto central está no diferencial de juros. O Brasil ainda oferece um dos maiores retornos reais entre os emergentes, o que favorece operações de carry trade — estratégia em que investidores tomam recursos em moedas de juros baixos para aplicar em países com remuneração mais elevada.
Esse diferencial ajudou a sustentar o real nos últimos meses. Mas, se o Brasil acelerar o ciclo de queda da Selic enquanto o Fed mantiver uma comunicação mais dura, parte desse atrativo pode diminuir.
Petróleo pode aliviar inflação, mas tira força das commodities
A queda do petróleo tem efeito ambíguo para o real.
Pelo lado positivo, preços menores da commodity aliviam a pressão inflacionária global. Isso pode reduzir a necessidade de juros elevados por mais tempo, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, especialmente se o acordo entre EUA e Irã for confirmado e diminuir o risco de choques de oferta no Oriente Médio.
Mas há também um efeito negativo para a moeda brasileira. O Brasil é uma economia fortemente ligada a commodities, e o petróleo tem peso relevante nesse canal. Quando o Brent perde força, diminui o suporte que os termos de troca costumam dar ao real.
Relatório da Wagner Investimentos, assinado por José Faria Júnior, resume esse ponto ao destacar que “o forte rally das commodities foi bom para o real e para a bolsa”, mas que “a recente perda da sua força prejudica ambos os ativos”.
Segundo o relatório, “uma perna do kit quebrou e a mais importante”. A leitura é que o dólar vive um momento de maior atenção: segue em alta no médio prazo, mas ainda em baixa no longo prazo.
Fluxo estrangeiro e risco doméstico seguem no radar
Além de juros e petróleo, o fluxo estrangeiro voltou a ganhar peso na formação do câmbio.
Depois de um início de ano forte, com entrada de quase R$ 54 bilhões na B3, a Bolsa brasileira perdeu parte desse capital em maio. A reversão do fluxo reduziu o suporte para o real e aumentou a procura por proteção cambial.
Gestoras consultadas pela XP também apontam mudança relevante no posicionamento de multimercados. As posições compradas em real, que chegaram a 91%, recuaram para 31%, enquanto as posições vendidas saltaram de 9% para 69%. Para a casa, esse movimento sugere menos um teste de convicção e mais o reconhecimento de uma possível mudança de regime de fluxo.
O cenário doméstico também adiciona pressão. Pesquisas eleitorais e dúvidas sobre a condução fiscal em 2026 já vêm aumentando a demanda por proteção cambial entre investidores.
Assim, apesar da queda acumulada do dólar no ano, a leitura ainda exige cautela. O gráfico mostra que a moeda está perto de suportes decisivos, mas o fundamento indica que a continuidade da baixa dependerá da combinação entre Fed, Copom, petróleo, fluxo externo e percepção de risco doméstico.
Em outras palavras, a Super Quarta pode não apenas mexer com o dólar no curto prazo, mas definir se a queda acumulada em 2026 ganha uma nova perna — ou se a moeda encontra espaço para uma recuperação mais consistente frente ao real.
(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)
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