After Market

Dois mundos das imobiliárias: MRV e Cyrela divulgam prévias com resultados opostos no 1º tri

Confira as principais notícias corporativas da noite desta segunda-feira (17)

SÃO PAULO – A noite desta segunda-feira (17) teve como destaque no noticiário a divulgação das prévias do primeiro trimestre da MRV e da Cyrela, mostrando dois mundos diferentes para as companhias do mesmo setor, com a primeira apresentado uma melhora considerável em seus números, enquanto a segunda viu seu desempenho piorar sobre o mesmo período do ano passado. Confira estes e outros destaques:

Petrobras (PETR3; PETR4)
A 2ª Vara Federal de Sergipe suspendeu a venda feita pela Petrobras de 66% da participação do bloco BM-S-8, onde está o prospecto de Carcará, na Bacia de Santos, à petroleira norueguesa Statoil, afirmou em nota a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), responsável pela ação. A operação, anunciada em julho, foi concluída em novembro com o pagamento de US$ 1,25 bilhão, correspondente a 50% do valor total da transação.

Estava previsto que o restante do valor para a compra do ativo seria pago por meio de parcelas contingentes relacionadas a eventos subsequentes, como, por exemplo, a celebração de um Acordo de Individualização da Produção (unitização).

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A negociação com a Statoil marcou a venda, pela Petrobras, da primeira grande área do pré-sal incluída no plano de desinvestimentos da estatal, que visa colaborar com o programa de redução de endividamento da companhia.

Para obter a liminar, a FNP entrou com uma ação popular na Justiça Federal de Sergipe após o fechamento do negócio, por discordar da decisão da Petrobras de realizar a venda sem licitação.

“Como empresa mista, ela obrigatoriamente tem que fazer licitação para vender qualquer um de seus ativos. Caso contrário, a ação é caracterizada como ilegal ou até mesmo ato de ‘lesa-pátria’, uma vez que a venda traria prejuízos econômicos e ambientais imensuráveis para o Brasil”, afirmou a FNP na nota.

A federação tem sido responsável por uma série de ações contra o plano de vendas de ativos da Petrobras. Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente ao pedido de comentário. Mas a petroleira brasileira tem informado repetidamente que está tomando as medidas judiciais cabíveis para levar adiante a sua estratégia de venda de ativos.

Já a Statoil afirmou que não foi notificada oficialmente, por isso não comentará o assunto.

MRV Engenharia (MRVE3)
As vendas líquidas da construtora de imóveis econômicos MRV Engenharia entre janeiro e março cresceram 15% sobre igual período um ano antes, conforme os lançamentos atingiram nível recorde para o primeiro trimestre e os distratos recuaram mais de 15%.

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“Esse primeiro trimestre foi de inflexão e esperamos que esse ano seja mais ativo em lançamentos e vendas comparado a 2016”, afirmou à Reuters o co-presidente da empresa, Rafael Menin.

O executivo ainda disse que a MRV não espera recuperação forte da economia em 2017 e, apesar das medidas positivas adotadas pelo governo no âmbito do Minha Casa Minha Vida (MCMV), a MRV será “assertiva” nos lançamentos, concentrando-se em microrregiões subabastecidas.

No primeiro trimestre, as vendas contratadas brutas da MRV somaram R$ 1,3 bilhão, 7,2% mais ante janeiro a março de 2016, conforme prévia operacional divulgada nesta segunda-feira. Já vendas líquidas subiram 15% na mesma comparação, para R$ 1,05 bilhão.

A construtora lançou 7.677 unidades nos três primeiros meses de 2017, o equivalente a um valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,211 bilhão. A cifra é 24,5% maior que a do primeiro trimestre de 2016 e foi 13,1% acima do quarto trimestre.

Ao mesmo tempo, a relação distratos sobre vendas caiu para 20,5%, de 26% entre janeiro e março de 2016, devido à adoção do projeto ‘venda garantida’, por meio do qual a MRV contabiliza o negócios somente após o repasse.

Menin afirmou que o mecanismo posterga o reconhecimento das vendas, mas deve permitir à MRV zerar os distratos dentro de aproximadamente dois anos. “Sem isso, as vendas (brutas do primeiro trimestre) teriam crescido 12%, e não 7%”, comentou, acrescentando que a empresa espera introduzir esse método em todas as regiões até o fim deste ano.

A construtora também pretende gastar entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões a mais com a compra de terrenos em 2017, de acordo com o executivo. “A competição está pequena e queremos montar um land bank gigantesco até esse janela de oportunidade se fechar”, afirmou.

O estoque de terrenos da MRV totalizava R$ 41,4 bilhões ao fim de março, 14,1% maior sobre o mesmo período de 2016. Segundo o co-presidente, os desembolsos com a compra de terrenos e investimentos em infraestrutura tendem a limitar a geração de caixa da empresa no curto prazo.

No primeiro trimestre, a MRV teve geração de caixa recorrente de R$ 75 milhões, 58,3% menos ante igual intervalo do ano passado, afetada ainda pela postura restritiva de um dos bancos parceiros, o que comprometeu as vendas e o repasse das unidades, disse Menin.

“Quando as obras ficam prontas podemos migrar de banco, então esperamos recuperação de caixa no segundo semestre em função dessa migração”, disse o executivo.

Cyrela (CYRE3)
As vendas líquidas da Cyrela Realty tiveram queda de 4,3% no primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 520 milhões, informou a incorporadora nesta segunda-feira.

Os lançamentos ficaram praticamente estáveis no período, a R$ 612 milhões. A participação da empresa nos lançamentos passou de 67% para 88%. A Cyrela informou que lançou nos três primeiros meses do ano três empreendimentos, dos quais dois na cidade de São Paulo e um no Rio de Janeiro.

A companhia informou que das vendas líquidas no trimestre passado, R$ 199 milhões foram de imóveis prontos em estoque ante R$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2016. A participação das vendas de estoque em construção se manteve em R$ 209 milhões e o restante, R$ 112 milhões, correspondeu a lançamentos.

(Com Reuters)