Por Dentro dos Resultados

Direcional (DIRR3): Alta da Selic deve empurrar demanda para Casa Verde e Amarela, diz CEO

Ricardo Gontijo participou de live do InfoMoney e falou como a empresa tem tentado driblar o aumento de custos e o que esperar para os lançamentos em 2022

Por  Renan Crema

A Riva, segmento da Direcional Engenharia (DIRR3) voltado a empreendimentos fora do programa “Casa Verde e Amarela” (CVA), do governo federal, foi a responsável por puxar o crescimento da empresa em 2021, com os resultados obtidos no início do ano, quando os juros ainda estavam em patamares mais baixos.

Entretanto, com a escalada da taxa Selic, o Casa Verde e Amarela, que compõe a maior parte do mercado endereçável da companhia, mas teve menor participação nos resultados em 2021, deve ganhar maior representatividade em 2022, segundo o CEO da construtora, Ricardo Gontijo.

“Sem dúvida o segmento fora do CVA acaba tendo um impacto mais relevante do aumento das taxas de juros do que aquele que se enquadra dentro do programa”, disse o executivo em live do InfoMoney.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do quarto trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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No CVA, as taxas cobradas no crédito imobiliário não têm vínculo com a taxa básica de juros, porque o financiamento é com base no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e, portanto, não se altera.

Já no caso dos empreendimentos que não se enquadram nas diretrizes do programa do governo federal, as taxas de crédito imobiliário não são diretamente influenciadas pela Selic, mas, quando ela sobe, existe uma tendência de aumento.

“Comparando 2022 com 2021, é provável que no CVA tenhamos um aumento na representatividade por causa do aumento dos juros. Mas, esse mesmo incremento diminui a renda do nosso cliente. A grande dúvida é o que vai acontecer com a oferta. Eu acredito que possa haver uma redução de oferta numa proporção até maior do que a diminuição no mercado endereçável em função das taxas de juros”, disse o CEO.

No acumulado de 2021, a empresa registrou um aumento de 70% em seu volume de lançamentos na comparação com o ano anterior, chegando a um valor geral de venda (VGV) de pouco mais de R$ 3 bilhões, com lucro líquido ajustado 2,5 vezes superior à receita.

Custos e dividendos

A pressão inflacionária fez os custos da construção dispararem. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) teve alta acumulada de quase 14% em 2021, o que motivou a Direcional a trabalhar na precificação de seus produtos para garantir suas margens, já que o aumento no preço dos insumos acaba refletindo no custo final do empreendimento.

Gontijo disse que a Direcional tentou mitigar esse efeito, mas o preço de construção por metro quadrado subiu. Para ele, o desafio é ganhar produtividade para compensar o aumento do último um ano e meio, quando houve alta de custos mais acentuada.

O contexto macroeconômico pode também interferir sobre a distribuição de dividendos aos acionistas. Segundo o CEO, “não enxergando oportunidades para aplicar recursos sem taxa de retorno que justifique o investimento, devolveremos para o acionista, mas daqui em diante, depende das oportunidades que aparecerem e do cenário macroeconômico do país”.

Gontijo falou ainda sobre a possibilidade de a inadimplência aumentar por conta da alta da inflação e da parceria com a Cyrela, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (MG), além de lançamentos e perspectivas para as eleições neste ano. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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