Dia de extremos: “Kit apagão”, HRT e Usiminas sobem até 20%; PDG e Gol despencam

Entre os destaques estiveram ainda os papéis da Oi, que disparou após aval da CVM, além das blue chips Vale e Petrobras que dispararam 6% nesta segunda

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SÃO PAULO – A segunda-feira (2) foi positiva para a Bolsa, com o Ibovespa fechando com ganhos de 1,55%, a 47.635 pontos. O dia foi das blue chips Petrobras e Vale, que dispararam na sessão entre alta dos preços do petróleo e corte de dividendos da mineradora. Ainda chamaram atenção os papéis da Oi, que fecharam com fortes ganhos após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) dar um aval à companhia de telecomunicações sobre seu acordo com a Portugal Telecom SGPS.

Permaneceu no radar dos investidores também as ações ordinárias da Usiminas, que fecharam com forte valorização em meio à mais um capítulo da briga entre as duas controladoras da siderúrgica – a argentina Ternium e a japonesa Nippon Steel. Ainda entre os destaques estiveram as ações da PDG Realty, que derreteram na sessão desta segunda em meio à apreensão do mercado com o setor de construção civil e do Banrisul (BRSR6, R$ 11,50, -5,76%), que fora do Ibovespa fecharam com fortes quedas, aparentemente sem motivo.

Veja os destaques desta segunda-feira:

Vale (VALE3, R$ 19,74, +6,07%; VALE5, R$ 17,22, +4,05%)
Na contramão do preço do minério de ferro, as ações da Vale dispararam hoje após a mineradora ter anunciado na noite de sexta-feira que cortou pela metade seus dividendos de 2015, frente 2014, passando de US$ 4,2 bilhões para US$ 2 bilhões. Ainda no radar da companhia está também a expectativa do mercado de que o Banco Central chinês anuncie algum estímulo para a economia do gigante asiático, de acordo com Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,97, +3,10%), holding que detém participação na Vale. Segundo o BTG Pactual, a companhia está se movendo na “direção certa” ao fazer essa redução nos proventos. A recomendação do banco para o papel segue neutra, mas o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) caiu de US$ 12 para US$ 10.

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Ainda registrando valorização em meio à expectativa de estímulos vindos da China, os papéis das siderúrgicas também registraram fortes altas nesta segunda, como CSN (CSNA3, R$ 4,36, +4,81%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,44, +3,62%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,25, +4,17%).

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Petrobras (PETR3, R$ 8,57, +6,59%; PETR4, R$ 8,66, +5,87%)
As ações da estatal dispararam nesta sessão, acompanhando a arrancada dos preços do petróleo nos minutos finais do pregão de sexta-feira, de cerca de 8%, no melhor pregão desde 2012. Hoje, os preços da commodity seguiam em alta. Também no radar esteve um relatório semanal da Baker Hughes sobre o número de plataformas e poços em operação nos Estados Unidos. O informe diz que havia 1.223 plataformas de petróleo em operação nesta semana, menor número em 2 anos, com queda de 94, ou 7%, em relação à semana passada. Em comparação com a mesma semana de 2013, a queda no número de plataformas em operação foi de 199. 

Apesar do desempenho da commodity, analistas lembram que a situação da companhia segue se deteriorando, citando ainda receio com uma possível perda do grau de investimento.

“Kit apagão”
As ações do kit apagão fecharam com alta nesta segunda-feira, em meio à notícia de que mesmo com o nível dos reservatórios de Sudeste/Centro Oeste fechando janeiro com queda de 2,6% no volume, desde o dia 30, no entanto, os níveis não registram nenhuma baixa e operam estáveis, lembrando que os reservatórios das duas regiões correspondem a 70% da capacidade de armazenamento de água para geração de energia do País. Entre os destaques do pregão estão as ações do setor de energia Eletropaulo (ELPL4, R$ 8,02, +18,99%), Cemig (CMIG4, R$ 12,48, +4,79%), Copel (CPLE6, R$ 33,00, +5,77%), CPFL Energia (CPFE3, R$ 18,35, +8,97%) e Light (LIGT3, R$ 15,00, +5,93%), além da Braskem (BRKM5, R$ 12,86, +3,29%), grande consumidora de energia.

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HRT (HRTP3, R$ 4,82, +23,59%)
As ações da agora PetroRio, antiga HRT, tiveram sobrevida na sessão desta segunda-feira, fechando com forte alta. Vale mencionar que na sua máxima diária, os papéis chegaram a disparar 24,62%.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,20, -2,23%)
As ações do BB fecharam entre as quedas do Ibovespa nesta segunda-feira, na contramão dos demais bancos que negociam no índice. Segundo o analista Flávio Conde, só teria uma explicação para esse movimento: o Planalto poderia estar estudando usar o banco para “salvar” as empreiteiras, Petrobras e fornecedores envolvidos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. 

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Outros bancos
O Deutsche Bank cortou o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) do setor financeiro, citando potencial de aumento das provisões de perdas com empréstimos na América Latina. O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,32, +1,32%) teve o preço-alvo cortado de US$ 19 para US$ 15; o Bradesco (BBDC4, R$ 34,08, +1,04%), de US$ 17 para US$ 14; e o Santander (SANB11, R$ 12,50, +0,40%), de US$ 6 para US$ 4. O banco reduziu ainda a recomendação do Santander de manutenção para venda, enquanto reiterou “compra” do Itaú e “manutenção” do Bradesco. 

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,47, -9,62%)
As ações da PDG seguiram em queda livre na Bolsa. Essa foi a sétima baixa em oito pregões do papel e no ano eles acumulam desvalorização de 44,05%. O movimento ocorre diante de perspectivas negativas que se concretizaram com os dados operacionais da incorporadora no quarto trimestre, que mostraram fraco desempenho operacional, comentou a Citi Corretora, que reiterou recomendação de venda para as ações. Além disso, pressionam os papéis rumores de que a companhia estaria tendo dificuldades nas negociações com credores em relação às suas dívidas, embora a própria empresa tenha dito que está em negociações avançadas com os credores para equacionamento das “eventuais necessidades de rolagem de dívida a partir de março”.

Usiminas (USIM5, R$ 3,48, +3,88%)
As ações da Usiminas fecharam no positivo em meio à expectativa de entrada de um mediador para fazer a empresa andar enquanto os dois grupos controladores – Ternium e Nippon Steel – brigam na Justiça, disse o analista Flávio Conde. Mas, na verdade, quem puxou os papéis preferenciais da siderúrgica foram as ordinárias (USIM3, R$ 19,67, +15,64%), que dispararam hoje e acumulam no ano valorização de 59,92%. E, por que os ONs ganham mais com essa história? Com uma possível venda de participação, a ação ordinária torna-se mais atrativa pois possui a ferramenta do “tag along”, que visa proteger os minoritários e, por isso, obriga o investidor interessado em comprar as ações do controlador a estender a mesma oferta aos demais acionistas, no caso os detentores dos papéis ordinários.

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Além disto, também impulsionam os papéis ONs um possível fluxo de compra de grandes investidores que procuram participar do conselho da companhia, como explica a Guide Investimentos. De acordo com informações do Exame, o BTG Pactual está comprando USIM 3 e disputando com o investidor Lírio Parisotto a presidência do conselho da siderúrgica. Quem tiver maior participação poderá indicar um novo presidente para ocupar uma cadeira no conselho em assembleia marcada para abril, caso as duas partes do bloco de controle da Usiminas não cheguem a um acordo.

Gol (GOLL4, R$ 11,75, -3,85%) 
As ações da Gol caíram pelo terceiro pregão seguido. Embora a queda do dólar frente ao real contribua para a companhia, que tem seus custos atrelados à moeda, a forte recuperação dos preços do petróleo trazem apreensão lá fora. Na última sexta-feira, a commodity disparou 8% e hoje sobem cerca de 2%.  

Ser Educacional (SEER3, R$ 14,40, +6,67%)
A Ser Educacional informou nesta manhã que concluiu a aquisição de 100% da Universidade Guarulhos. Essa é a primeira alta da ação depois de três quedas seguidas.

Oi (OIBR4, R$ 5,30, +6,21%)
A companhia de telecomunicações viu suas ações dispararem nesta segunda-feira em meio à notícia de que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deu aval à companhia sobre as dispensas regulamentares que pediu para validar seu acordo com a Portugal Telecom SGPS, após a perda de 897 milhões de euros para a portuguesa. As informações são do Valor Econômico.