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SÃO PAULO – Conforme projetado, 2010 foi um ano marcado pela expansão das operações de crédito no Brasil, em linha com o avanço econômico e queda da inadimplência. E para 2011? Quais são as perspectivas macroeconômicas que permeiam o setor bancário? O que esperar de blue chips como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11)?
Cenário macro
Depois de um ano de forte expansão, o PIB (Produto Interno Bruto), que deve fechar 2010 na faixa de 7,5% na comparação anual, segundo projeção do Barclays, deverá sofrer um processo de desaceleração em 2011. Além da base de comparação fraca, tendo em vista os reflexos da crise econômica mundial em 2009, o ano que vem, na visão do Bank of America Merrill Lynch, será marcado pelo ajuste do PIB.
Aliado à “normalização” das contas nacionais, a equipe do BofA, como a do Barclays, prevê o aumento da inflação, e, consequente à política monetária calcada no plano de metas de inflação, o aumento da taxa de juro já nos primeiros meses de mandato de Dilma Rouseff.
Em paralelo, o setor financeiro manterá seu ritmo de crescimento em 2011, afirma o JP Morgan, que vê uma “dinâmica favorável para o crédito” no Brasil, mesmo em meio a rumores de que novas medidas governamentais para frear a rápida expansão do crédito vista este ano sejam adotadas, em linha com as mudanças regulatórias adotadas pelo Banco Central em 3 de dezembro. Sobre o assunto, a Fitch Ratings classificou como positiva para a dinâmica macroeconômica do País, destacando o compromisso da autoridade monetária em frear este excesso de liquidez.
A contrapartida deste cenário positivo é o aumento do nível de inadimplência das famílias, uma vez que a demanda doméstica e a Formação Bruta de Capital Fixo, foram, e mais uma vez serão, os propulsores da economia brasileira, segundo o Barclays. Na visão da Ativa Corretora, o forte crescimento das concessões de crédito vem ofuscando o real percentual de inadimplência doméstico, razão que deve ser acompanhada de perto em 2011.
Contudo, as projeções da Ativa apontam para manutenção do comprometimento da renda com o crédito na faixa de 24% em 2011, em compasso com o crescimento da massa salarial e expansão do mercado de trabalho. “Não acreditamos que teremos já em 2011 um problema de superendividamento das famílias (…) entretanto, a manutenção do atual ritmo de crescimento é insustentável no longo prazo”, finaliza a corretora.
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É em meio a este cenário de crescimento moderado do PIB, expectativa de aumento da taxa de juro e atenção à evolução da inadimplência que grandes e pequenos bancos se encaixam em 2011.
Blue chips
Com relação às blue chips do setor bancário, o Citigroup “continua vendo um significativo upside para os quatro grandes bancos brasileiros (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil) nos próximos 12 meses”, com base no cenário macroeconômico favorável, sólido crescimento do lucro e bons resultados no próximo ano. “Os grandes bancos brasileiros estão significativamente descontados”, ressalta a equipe do Citigroup.
Banco do Brasil
Agregando os bons números do terceiro trimestre e as expectativas da diretoria para o próximo ano, o Citigroup elevou em 4% sua projeção de lucro por ação do Banco do Brasil em 2011, para R$ 4,08, número que já engloba a oferta de ações realizada em meados deste ano, que captou R$ 9,8 bilhões.
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O banco norte-americano prevê mais um ano de crescimento do volume de empréstimos no mercado brasileiro, “algo em torno de 20%”, acredita a equipe, fato que ajudará compensar o “apertado” spread bancário e alavancar as receitas, que devem crescer entre 15% e 17% em 2011.
Com relação aos projetos do ano que vem, o Barclays chama atenção para a expansão bem sucedida dos empréstimos automotivos, que devem trazer mais surpresas positivas em 2011, como a inserção da ELO no mercado brasileiro de cartões.
Outra iniciativa do banco, mas ainda vista com certo receio pelo Barclays, é a inserção da marca nos Estados Unidos. Em encontro com executivos do banco, a equipe questionou a política adotada pelo BB, pergunta rebatida com argumentos “fundamentados”, segundo o Barclays.
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A diretoria não pretende comprometer mais de US$ 100 milhões em aquisições neste projeto e focará sua atuação em países onde o fluxo financeiro com o Brasil é crescente e há forte presença de brasileiros. Por isso os Estados Unidos. Países nos quais as companhias domésticas estão expandindo suas atividade comerciais também são potenciais alvos.
| Casa de Análise | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Upside (%)* |
| Citigroup | Compra | 45,00 | 44,04 |
| Barclays | Overweigth | 42,00 | 34,44 |
*Baseado no fechamento de 13 de dezembro
Bradesco
Alinhando suas projeções para 2011, a equipe do Citigroup elevou em 5% sua perspectiva de lucro por ação do Bradesco para o ano que vem, saltando para R$ 3,01, amparada no crescimento do volume de empréstimos, queda do percentual (cerca de 10%) de inadimplência composto na carteira de crédito, aumento de 12% nas receitas provenientes das taxas bancárias e aumento de 13% dos gastos operacionais.
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Com relação aos negócios do Bradesco, o Barclays acredita na manutenção do crescimento da concessão de crédito ao varejo, como no sucesso do setor de seguros. O banco cessou os financiamentos para carros usados antigos, por elevar sua margem de risco, e pretende levar seus serviços de seguros às indústrias, “onde a inserção dos produtos de seguros é limitada”, destaca o Barclays. Além disso, a parceria com a Cielo deverá turbinar as receitas com cartões em 2011.
| Corretora | Recomendação | Preço-alvo (R$)* | Upside (%)* |
| Citigroup | Compra | 47,75 | 45,58 |
| Barclays | Equalweigth | 38,00 | 15,85 |
*Baseado no fechamento de 13 de dezembro
Itaú Unibanco
Na esteira dos pares domésticos, o Itaú Unibanco ainda deve colher os frutos da operação com o Unibanco, via expansão da base de clientes e ganhos de margem operacional, como com os gastos da migração.
Entre prós e contras, o Citigroup prevê uma redução no ritmo de crescimento do lucro do banco em 2011, em vista ao aumento dos custos. Contudo, o Itaú Unibanco também será favorecido pelo aumento do volume de empréstimos no próximo ano, a ser um pouco mais comedido frente 2010, segundo análise da Standard & Poor´s.
Do lado dos negócios, a expansão da base de clientes, principalmente no Nordeste, onde o banco pretende elevar sua presença em 40%, segundo conversas entre o Barclays e a diretoria do Itaú, deve ser acompanhada de perto em 2011, assim como a maior penetração dos empréstimos para pequenas e médias empresas.
| Corretora | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Upside (%)* |
| Citigroup | Compra (Top pick) | 62,25 | 61,68 |
| Barclays | Overweigth | 49,00 | 27,27 |
*Baseado no fechamento de 13 de dezembro
Santander Brasil
Também passando pelo processo final de integração da marca ABN/Real, o Santander Brasil deve ter seu lucro afetado pelo aumento das despesas operacionais, prevê o Citigroup. Do outro lado, os ganhos com as taxas bancárias cobradas, queda do percentual inadimplente da carteira de crédito e o crescimento do volume de empréstimos no mercado brasileiro contrabalançarão os números, afirma o banco norte-americano.
Com relação aos múltiplos, o JP Morgan destaca o potencial de valorização dos papéis do banco baseado no ROE (Retorno sobre o Capital). Segundo a equipe, as units negociam com múltiplo de 11% – 12%, enquanto as projeções para 2012 apontam para 16,4%.
Para o Barclays, os empréstimos para pequenas e médias empresas e ao varejo deverão ganhar progressiva importância no resultado da instituição, mesmo em meio a um ambiente extremamente competitivo. Outro ponto a ser acompanhando no próximo ano é a evolução da estrutura do setor de cartões, área qual o banco pode realizar novas aquisições.
| Corretora | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Upside (%)* |
| Citigroup | Compra | 31,50 | 39,62 |
| Barclays | Equalweigth | 27,00 | 19,68 |
| JP Morgan | Overweight | 33,00 | 46,27 |
*Baseado no fechamento de 13 de dezembro