Depois de recordes e de bater os 130 mil pontos, o que esperar para o Ibovespa? Veja as projeções para o final do ano

Estrategistas seguem otimistas com o benchmark da Bolsa, ainda que com "solavancos", em meio ao maior ânimo com economia e ritmo de vacinação

Lara Rizério

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SÃO PAULO – Desde que o Ibovespa ultrapassou a sua máxima histórica atingida em janeiro no dia 28 de maio, o índice registrou uma forte tendência de alta, tendo inclusive fechado acima dos 130 mil pontos nas sessões de sexta-feira (4) e segunda-feira (7). Após um período de oito altas seguidas, o maior desde 2018, o índice fechou em queda na terça-feira (8), a 129.787 pontos, mas ainda acumulando ganhos de 9% em 2021.

Analistas de grandes bancos, casas de análise e corretora têm mantido o otimismo com o índice. Em meio às renovações de máximas, a XP mantém a sua projeção de 145 mil pontos do Ibovespa para o final do ano, ou alta de 11,72% em relação ao fechamento de terça-feira. Os estrategistas Fernando Ferreira e Jennie Li apontam que a bolsa brasileira não está somente barata no absoluto e no relativo, mas ela também está com menor risco.

“As empresas do Ibovespa desalavancaram significativamente ao longo dos anos e, hoje, têm balanços muito mais sólidos do que no passado, além de continuarem a oferecer retornos atrativos”, avaliam.

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Assim, segue com o target para o Ibovespa para o final de 2021, impulsionado pelo forte aumento nas expectativas de lucros das empresas do índice. Além disso, a redução dos riscos fiscais nos últimos dois meses, vacinação contra a Covid-19 em andamento, e dados econômicos melhores do que esperado (com destaque para o PIB do primeiro trimestre) finalmente devem permitir investidores a focar menos nas preocupações macro e mais nos fundamentos, avaliam.

Já a equipe de estratégia do banco Inter tem uma projeção para o índice de 142 mil pontos até o final do ano, ou alta de 9,4% em relação ao fechamento da véspera. Os estrategistas apontam que, ao observarem os lucros estimados para 2021 das ações que compõe o Ibovespa, o múltiplo preço sobre lucro fica em 18,5 vezes, abaixo dos 20 vezes da média histórica.

Ao olhar para a recuperação entre os setores, eles avaliam que a recuperação ocorre de maneira diferente para cada um deles, de maneira que a expectativa de retorno varia de segmento para segmento, de ação para ação. No curto prazo, os estrategistas do banco veem o setor de bancos em momento de reversão de tendência e iniciando recuperação, beneficiado pelo aumento das taxas de juros e reversão da provisão para devedores duvidosos.

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Outro setor em que eles mantêm otimismo é o das empresas de saúde, que devem seguir se beneficiando do cenário mais favorável de exames e volta dos procedimentos eletivos. Em alguns outros segmentos, como o de commodities e utilities, o desempenho dependerá da exposição de cada empresa dentro dos sub-setores, como geradoras e transmissoras.

Cabe ressaltar que, no curto prazo, um fator de atenção é a crise hídrica no Brasil, também levando em conta que a bandeira vermelha nas contas de luz contribui para preços mais altos de energia elétrica e gera mais inflação.

O BB Investimentos, por sua vez, tem a projeção do Ibovespa a 140 mil pontos ao final do ano, alta de cerca de 8%.

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“Não podemos deixar de lado o processo de vacinação em andamento e a reabertura das economias, o que leva o mercado a rever as projeções de lucros das companhias. Temos percebido que as novas ondas de contaminações têm produzido um impacto menor sobre a mobilidade e o crescimento, o que implica em dinâmicas menos desfavoráveis em termos de mercado de trabalho e crédito. Além disso, para junho, mesmo com revisão para baixo do número de vacinas disponíveis, deveremos ver o mês com maior número de doses até o momento, com aproximadamente 44 milhões de doses”, apontam os estrategistas da instituição.

No final de maio e de forma a colocar na conta a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2021, a Ativa Corretora elevou a sua projeção para o Ibovespa ao final de 2021 de 128 mil para 138 mil pontos. Os analistas mantêm a projeção no momento, que representa mais um avanço de 6,33%.

“Para as empresas domésticas, especialmente as que foram afetadas pela pandemia e as medidas de isolamento social, após a piora com a segunda onda do Covid-19 no País, temos a expectativa de que a melhora de resultados esperado pelo mercado e por nós deverá ser confirmada à medida que a vacinação avance no País”, destacam os analistas da Ativa.

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Já com relação ao risco de inflação nas principais praças globais, os estrategistas apontam que é reflexo à recuperação econômica dos Estados Unidos – o que, para a Bolsa, não deixa de ser positivo, avaliam.

Cabe ressaltar que, na última semana, os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, com a criação de criam 559 mil empregos em maio, abaixo dos 650 mil esperados pelos economistas, acabaram gerando alívio para o mercado em meio à avaliação de que os dados, apesar de mostrarem recuperação da economia americana, ainda não são suficientes para levar a um aperto monetário pelo Federal Reserve, o que poderia levar a sua saída de capital dos mercados emergentes.

Mas já há quem faça projeções não só para 2021, como também para 2022. Em meados de maio, a equipe de estratégia do Bradesco BBI revisou o seu preço-alvo do Ibovespa para 135 mil pontos no final desde ano (uma alta relativamente modesta, de mais 4%) e para 150 mil pontos ao final de 2022, avanço de 15,6% frente os patamares atuais, também enxergando compressão gradual do prêmio de risco e recuperação significativa dos lucros das empresas.

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No mesmo período, o Morgan Stanley também destacou estar otimista com as ações brasileiras, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) dentro da América Latina. Os estrategistas, contudo, fizeram as suas projeções para o meio do próximo ano. No cenário base, o Ibovespa iria a 137 mil pontos ao final de junho de 2022 (alta de 5,56%), a 112 mil pontos no cenário pessimista (queda de 13,7%) e a 147 mil no cenário mais otimista (avanço de mais 13%).

Instituição Projeção até o final do ano
XP 145 mil pontos
Banco Inter 142 mil pontos
Ativa 138 mil pontos
Bradesco BBI 135 mil pontos
BB Investimentos 140 mil pontos
Morgan Stanley* 137 mil pontos (projeção para o meio de 2022)*

Mais otimismo, mas pode haver solavancos

A Levante Ideias de Investimentos aponta que, com a alta do mercado, principalmente por conta das mudanças de expectativas e maior otimismo com a economia, algumas ponderações devem ser feitas sobre se a alta do Ibovespa é sustentável. Para os analistas da casa de research, o avanço do índice não deve ser “sossegado e sem solavancos”.  Porém, a avaliação é de que há fôlego para que a alta continue.

Os analistas da Levante apontam que a valorização até maio foi concentrada basicamente nas ações de commodities minerais, como a Vale (VALE3). Agora, setores mais vinculados ao mercado interno, como varejo físico, construção civil e bancos estão conseguindo ter um desempenho mais positivo.

“Isso vem provocando um remanejamento nas carteiras, e é provável que entre mais dinheiro no pregão em busca dessas ações”, destacam. Porém, eles reforçam que os preços das commodities continuam em alta, como pode ser demonstrado pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) de maio, divulgado pela Fundação Getulio Vargas na última terça. O índice acelerou a alta a 3,40% em maio, depois de subir 2,22% em abril, acumulando avanço de 36,53% em doze meses. Atenção para os movimentos de minério de ferro (de 4,63% para 17,03%), cana-de-açúcar (de 2,75% para 19,30%) e café (de 1,23% para 10,65%).

O varejo também está mostrando um bom desempenho, segundo mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas do comércio varejista subiram 1,8% em abril de 2021 ante março, na série com ajuste sazonal, na maior alta para o mês desde 2000 e depois da queda de 1,1% em março. Na comparação com abril do ano passado, o volume de vendas no varejo cresceu 23,8%. A projeção, de acordo com consenso Refinitiv, era de alta de 0,1% na comparação com março e de alta de 19,8% na comparação com abril de 2020.

Cabe destacar que, Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt, analistas da XP, avaliam que, após um dado de abril já dando sinais de retomada, maio deve ser ainda melhor frente à aceleração da vacinação e retomada econômica. Neste sentido, os analistas reforçam a visão construtiva com a categoria de vestuário e calçados. “Na nossa opinião, a categoria deverá ser uma das principais beneficiárias do movimento de reabertura e retomada da economia”, apontam. Veja mais clicando aqui. 

O Morgan Stanley aponta que gosta tanto de commodities quanto de ações cíclicas domésticas seletivas para obter exposição ao comércio global em curso e à potencial recuperação econômica local no segundo semestre de 2021. No nível setorial, no portfolio para o Brasil, a preferência é por mineração, aço e papel e celulose entre commodities, e shoppings, construtoras e varejistas entre os cíclicos domésticos.

Assim, além da exposição ao cenário externo com commodities, as empresas que se beneficiam do mercado doméstico mais benigno estão ganhando espaço nas carteiras, também levando a projeções mais positivas para o índice.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.