Decreto de falências em SP aumentou 31,7% em 2002

Número de pedidos de falência cresceu 26% em relação ao ano passado; já as concordatas diferidas na Justiça aumentaram 82,6%

Publicidade

SÃO PAULO – Apesar dos esforços dos consumidores de saírem do vermelho, usando o décimo terceiro para quitar suas dívidas, as empresas não parecem estar tendo o mesmo sucesso. A afirmação pode ser constatada ao se analisar os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que apontam uma queda da inadimplência entre pessoas físicas, juntamente com um aumento das concordatas e falências.

Falências crescem 26% em 2002

Os dados da Associação apontam para um crescimento de 26% no número de pedidos de falências na capital paulista durante este ano, em relação ao ano passado. O aumento é ainda maior no que se refere as falências decretadas, que subiram 31,7%, enquanto as concordatas diferidas na Justiça registraram aumento de 82,6% no mesmo período.

Na opinião da Associação, o forte aumento no número de falências e concordatas reflete a política de juros altos adotada durante este ano, que acabou restringindo o volume de concessões de créditos para as pequenas empresas.

Assim sendo, diante da escassez de recursos as empresas não conseguiram financiar suas atividades, ou quando conseguiram tiveram que arcar com custos elevados, o que acabou inviabilizando sua estrutura financeira.

Inadimplência em queda

Por sua vez, os consumidores estão conseguindo pagar suas dívidas, beneficiados pelo pagamento dos expurgos do FGTS, da restituição do imposto de renda, e mais recentemente do décimo terceiro. Assim sendo, o Serviço Central de Proteção ao Crédito estima que o número de registros recebidos deve aumentar 5,2% em 2002, mas os cancelamentos devem crescer ainda mais, cerca de 21%.

A Associação espera que os registros do SCPC, que indicam os negócios a prazo, devem ficar no mesmo patamar de 2001, com alta de apenas 0,1%, enquanto as compras à vista devem crescer mais, cerca de 5,8%. Ainda assim, para que estas expectativas se concretizem é preciso que as vendas de dezembro sejam boas.