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SÃO PAULO – De 2003 a 2008, o valor da locação mais que dobrou na cidade de São Paulo. Segundo artigo publicado pelo presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto, se naquele ano o aluguel representava 0,5% do preço do imóvel, hoje vale, no mínimo, 1%, chegando, em alguns casos, a atingir 1,5%.
“Isso transformou o setor em um dos mais cobiçados para os investidores”, afirmou. “Recentes divulgações apontam uma migração da população para a periferia da cidade de São Paulo, uns por necessidade de economia, outros por busca de maior tranqüilidade e qualidade de vida para si e sua família”, continuou.
Plano Real
Segundo Viana, após a implantação do Plano Real, em 1994, como os aluguéis com preços muito acima da realidade se mantiveram altos por cerca de seis anos, muitas famílias foram forçadas a migrar para a periferia.
Ocorre que os imóveis nas regiões centrais dos principais bairros permaneceram desocupados por anos. Dessa forma, no momento do vencimento do contrato, muitos locatários conseguiram suas renovações, por mais de uma vez, sem nenhum tipo de reajuste no valor do aluguel.
“Os locadores começaram a acreditar que o tempo das vacas gordas não voltaria e os aluguéis começaram a se aproximar da realidade do País, no momento em que coincide com o aumento no poder de compra da população e com a retomada do crescimento”, continuou.
Portanto, a população fez movimento contrário, abandonando a periferia e retornando para as regiões centrais dos principais bairro.
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Situação parecida
Atualmente, para Viana, a especulação abusiva no preço dos terrenos vai fazer com que a situação se repita, só que em relação à venda de imóveis, e não à locação.
“É preciso estar atento. Uma cidade que provoca o inchaço nas suas regiões já equipadas com a infra-estrutura adequada proporciona uma periferia desumana e excludente, sem mencionar a conseqüente favelização, acompanhada do aumento odioso da violência urbana, das quais qualquer cidadão atual é testemunha”, disse.
“Poluição, trânsito, violência e excessiva valorização imobiliária fazem com que a periferia e as cidades, mesmo as que estão fora da região metropolitana da Capital, sejam mais cobiçadas pelos que têm condições de compra”, finalizou.
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Números
Segundo pesquisa mais recente do Creci-SP, em fevereiro, o número de imóveis alugados na cidade de São Paulo aumentou em 9,54% sobre janeiro. As casas e apartamentos preferidos foram aqueles com mensalidade de até R$ 600, representando 59,4% dos contratos.
No período, foi verificado maior número de baixas (26 ocorrências) do que de altas (17 ocorrências) nos valores médios dos aluguéis. O aluguel que mais subiu foi o de apartamentos de um quarto situado em bairros da Zona D – o aluguel médio passou de R$ 325 para R$ 345 no período, uma alta de 6,15%.
A maior queda ficou com a Zona A, com as casas de quatro dormitórios. Elas eram alugadas em média por R$ 2.280 em janeiro, valor que caiu para R$ 2.166,67 em fevereiro, mostrando redução de 4,97%.
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No que diz respeito à venda de imóveis usados, a procura aumentou 3,26% no segundo mês do ano, em fevereiro, na comparação com janeiro. As comercializações à vista representaram 60,43% do total de negócios fechados, enquanto as vendas com financiamento de bancos somaram 32,35%.
O restante ficou por conta de vendas feitas com pagamento parcelado pelos próprios donos dos imóveis (6,38%) e pelos consórcios imobiliários (0,85%). Os apartamentos tiveram a preferência dos compradores, com 57,02% do total.