Dados da Anbid corroboram idéia de migração entre os fundos de investimento

Empiricamente, se constata busca por aplicações mais arrojadas dentro dos próprios fundos, mas saldo total também é ruim

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SÃO PAULO – O vice-presidente da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento),
Marcelo Giufrida, respondeu a manifestações que defendiam uma maior atratividade da poupança frente aos fundos de investimentos afirmando que essa ameaça não o preocupava.

Segundo Giufrida, as duas aplicações não são concorrentes, mas complementares. Ademais, na opinião da Anbid, uma migração em massa de recursos em direção à caderneta de poupança parece pouco provável, sendo mais factível uma realocação de portifólios dentro da própria indústria de fundos, em direção a aplicações mais arrojadas, como os fundos multimercados.

Posturas viesadas e exageros à parte, dados da Anbid disponíveis até o dia 5 de dezembro corroboram a percepção de Giufrida. Ao menos no que diz respeito à busca por aplicações mais arrojadas entre os fundos de investimento.

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Fundos multimercados ganham espaço

Nos trinta dias encerrados em 5 de dezembro, os fundos referenciados DI, diretamente afetados pelos cortes sucessivos na taxa Selic, apuraram uma saída líquida de recursos de R$ 779,9 milhões. Também com perda de recursos, os fundos de renda fixa registraram captação líquida negativa de R$ 3,533 bilhões.

Em contrapartida, evidenciando a busca por investimentos diferenciados, os fundos multimercados anotaram entrada líquida de R$ 2,273 bilhões no mesmo período.

Saldo agregado é ruim

No entanto, considerando este mesmo intervalo de tempo, o saldo total para a indústria de fundos não é positivo. No total doméstico, houve perda de recursos no valor de R$ 128,96 milhões.

De fato, muito tem se comentado a respeito do aumento da atratividade relativa de outros investimentos em detrimento aos fundos DI e de renda fixa, que sofrem com as reduções da taxa Selic.

Enquanto isso, a poupança – cuja rentabilidade não está atrelada ao parâmetro atualizado a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária), mas, sim, à TR (Taxa Referencial) – e os imóveis – apenas para citar dois exemplos – seguem incólumes aos cortes no juro básico da economia brasileira.

Uma ressalva

Há, no entanto, de se fazer uma ponderação. A despeito da perda de recursos dos fundos nos trinta dias em questão, no acumulado do ano, o resultado é bastante favorável, com uma captação líquida total de R$ 70,214 bilhões.