Publicidade
O mercado de day trade brasileiro vive um período de transformação. Avanços tecnológicos, lançamento de novos produtos e a entrada de uma geração mais conectada estão mudando a dinâmica entre investidores, reguladores e operadores.
Para as autoridades, a mensagem é clara: operar exige preparo, estrutura e responsabilidade.
Esse foi o tom da conversa que reuniu, no Arena Trader da Expert XP 2025, André Pássaro, superintendente da CVM; Felipe Paiva, diretor de relacionamento da B3; e Roberto Indech, head de Relações Institucionais da XP Inc.
Viva do lucro de grandes empresas
Profissionalização
Indech colocou em pauta um tema que considera essencial para a evolução do mercado: a profissionalização do trader. Para ele, o day trade precisa ser encarado como uma atividade estruturada, que demanda preparo técnico, disciplina e gestão de risco.
Pássaro, da CVM, reforçou o alerta e mirou na percepção equivocada que ainda seduz muitos iniciantes.
“O que a gente fica receoso é de que as pessoas acreditem que isso é uma coisa muito fácil e que você pode fazer de qualquer maneira que isso sempre dá certo.”
Segundo ele, o caminho para operar com consistência passa por estudo, compreensão das regras, planejamento e contingência.
Paiva, por sua vez, ponderou que o termo “profissional” pode soar pesado, mas o conceito é simples: dominar as regras, usar as ferramentas de gestão de risco e conhecer o próprio perfil.
“Talvez até o termo profissional soe muito forte. Talvez assim, é ter o conhecimento, é saber exatamente quais são as regras desse mercado, entender as ferramentas e gestão de risco.”
Novos produtos e a extensão do pregão
A B3 aposta na diversificação de ativos para ampliar a participação dos traders e reduzir a concentração no índice e no dólar. Paiva destacou que a estratégia inclui lançar contratos que atendam a diferentes perfis, como os futuros de ouro, Ethereum e Solana.
“Não tem como a gente ficar de fora desse mercado (de criptomoedas). Há uma geração que chega já olhando para esses produtos”, afirmou.
Continua depois da publicidade
Entre as novidades, está a ampliação do horário para negociação de futuros de cripto até as 20h. Para Pássaro, a medida é adequada para ativos globais e reduz riscos operacionais.
“Esse é um produto que faz todo sentido você ter, e até nesse aspecto reduz o risco do investidos ‘dormir’ com uma posição sem poder operar” disse, destacando que a prioridade da autarquia é garantir regras claras e uma formação de preço sólida.
RLP e a liquidez no varejo
O RLP (Retail Liquidity Provider) foi outro ponto de destaque. Paiva explicou que o mecanismo aproxima o varejo da lógica dos formadores de mercado institucionais, aumentando a liquidez e melhorando a execução das ordens.
Continua depois da publicidade
“A gente lançou o RLP, um provedor de liquidez para o investidor pessoa física. A liquidez daquele produto aumenta muito. Isso tem um papel fundamental para a estrutura do varejo. Existe, como a gente falou, desinformação. Mas a regra é bem clara, ele (o investidor) entra naquele preço que ele colocou, no preço melhor” ressaltou.
Para Pássaro, o RLP será ainda mais relevante conforme os horários de negociação se estendam.
“Vai ficar mais importante essa questão de prover liquidez, porque exatamente a preocupação é: ‘poxa, se você tiver operando às 10 da noite, vai ter liquidez para a pessoa entrar e sair’”, observou.
Continua depois da publicidade
Entre os desafios de comunicação com o varejo, está a percepção de que corretoras perseguem clientes ou que institucionais operam com vantagem injusta. Pássaro rebateu essas ideias.
“As corretoras têm regras claras. Ela não fica olhando ali o investidor e fala: ‘Ah, eu vou zerar esse cara’. Faltando meia hora para encerrar o pregão, ela começa a zerar todo mundo que não tem condição de dormir com a posição. O importante é o investidor conhecer a regra, saber no mercado que ele tá, que horas ele vai ser zerado.”
Novos dados sobre day trade
Indech fez um apelo para que a CVM atualize o estudo sobre o percentual de pessoas que são vencedores no day trade, que aquele último que saiu a anos atras repercute até hoje.
“Eu queria fazer um pedido que se a CVM pudesse liberar esses números para que seja feito um novo estudo”, pediu.
Continua depois da publicidade
Segundo ele, o perfil dos traders mudou muito e o mercado atual é outro.
Pássaro sinalizou que a autarquia pretende atender à demanda. “A gente pode sim preparar um estudo novo, com a mesma metodologia e a mesma regra”, confirmou.
Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.