CVC desaba 10,78% após balanço do 2T25; analistas divergem sobre leitura dos números

Apesar do avanço nas reservas e margens operacionais, Itaú BBA vê balanço levemente negativo, enquanto Genial Investimentos mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 6

Murilo Melo

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As ações da empresa de turismo CVC tiveram forte reação após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025 (2T25) da companhia. O papel CVCB3 recuou 10,78%, nesta quarta-feira (13), cotado a R$ 2,07. Apesar de números operacionais positivos, análises de bancos apontam que fatores financeiros e tributários pesaram sobre o desempenho da empresa.

O Itaú BBA, em relatório enviado ao mercado, reconhece crescimento operacional, mas considera o balanço “levemente negativo” porque os números financeiros e tributários ficaram abaixo do esperado, com geração de caixa livre fraca e prejuízo líquido maior que o projetado.

A Genial Investimentos olha para os mesmos dados, mas foca no aumento das reservas, melhora de margens e redução da alavancagem, concluindo que o desempenho justifica recomendação de compra e preço-alvo mais alto do que o BBA.

Com o balanço em mãos, o BBA observa que as reservas consumidas cresceram 17,7% na comparação anual, com avanço mais moderado no segmento de vendas diretas ao consumidor (B2C, na sigla em inglês).

A receita líquida subiu 16,3% na mesma base, somando R$ 342 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado (Ebitda ajustado) excluindo efeitos do padrão contábil IFRS 16 atingiu R$ 86 milhões, alta de 13,4% sobre as projeções do banco, com margem de 25,1%.

O resultado operacional, analisa o banco, foi favorecido por ganhos com renegociação de contratos com fornecedores, mas o prejuízo líquido ajustado chegou a R$ 41 milhões, acima da estimativa negativa de R$ 24 milhões, devido ao desempenho financeiro e tributário abaixo do esperado.

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No Brasil, as reservas cresceram 9,9% em relação ao ano anterior, com estabilidade no B2C, influenciada por menor capacidade no segmento de cruzeiros e expectativa de vendas mesmas-lojas (SSS, na sigla em inglês) mais fracas em unidades físicas. A taxa de comissão geral, conhecida como take rate, ficou em 9,7%, avanço de 0,2 ponto percentual na comparação anual.

Já na Argentina, as reservas avançaram 37,3%, mas com take rate de 6,6%, queda de um ponto percentual, resultado de maior peso nas vendas entre empresas (B2B, na sigla em inglês).

O Itaú BBA aponta ainda que a geração de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) foi de R$ 8 milhões, ficando R$ 127 milhões abaixo de sua projeção, devido a piora no capital de giro (WK, na sigla em inglês) no Brasil. A relação dívida líquida mais recebíveis descontados sobre Ebitda ajustado encerrou o trimestre em 3,4 vezes, contra quatro vezes no mesmo período de 2024 (2T24).

A partir desse desenho, o BBA mantém recomendação de desempenho acima da média do mercado (outperform) para o papel, com preço-alvo de R$ 3 para o final deste ano, valor acima do negociado até então nesta sessão.

Já a Genial Investimentos avalia os resultados de forma mais otimista, reiterando recomendação de compra e preço-alvo de R$ 6. A corretora ressalta que as reservas confirmadas atingiram R$ 4,1 bilhões, avanço anual de 15%, enquanto as consumidas somaram R$ 3,83 bilhões.

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A dívida líquida caiu para R$ 399,7 milhões, reduzindo a alavancagem para 0,9 vez sobre o Ebitda dos últimos 12 meses. Quando coloca os números na ponta do lápis, a Genial, assim como o BBA, chega à conclusão de que a operação no Brasil segue firme e a Argentina apresenta expansão no B2B.