Custos barram popularização do mobile banking

Consultor afirma que, via celular, os valores das transações bancárias ficam ainda mais caras, o que impede a adesão dos clientes

•

Publicidade

SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revelou que a maioria dos clientes bancários não tem interesse em usar o mobile banking e que 58% deles citam os custos com os serviços via celular o principal motivo da falta de interesse.

De acordo com o consultor Maurício Ghetler, no Brasil a situação é semelhante. “Os serviços bancários já possuem tarifas bastante altas em alguns casos, e o cliente que utiliza esses serviços via telefone móvel, além de ter os gastos normais como taxa de transferência, extrato ou seja lá qual é a transação, precisa pagar ainda pelo canal de acesso e pelos dados transmitidos. E as operadoras cobram cerca de R$ 6 por megabyte, e quase R$ 1 pelas mensagens SMS”.

Ghetler afirma que esse custo se torna maior ainda quando comparado com os serviços online. “Tudo bem que a banda larga também tem seu custo, mas o cliente paga R$ 50 por mês e pode usar milhares de vezes, para diversas transações, e sai quase de graça. E não podemos esquecer que há sempre a possibilidade de ir a uma agência e não ter que gastar nada a mais do que as tarifas cobradas pelo próprio banco”.

Barreiras

O consultor cita ainda outras barreiras para a popularização do mobile banking. “Os clientes costumam ter muito medo de fraudes ou que os aparelhos com dados bancários sejam roubados. E isso faz com que muitos nem experimentem as facilidades dessa nova ferramenta”.

No entanto, Ghetler afirma que os home bankings são mais perigosos que os mobiles bankings. “Nenhum sistema é 100% seguro, mas os serviços pela internet são bem mais vulneráveis a fraudes que os serviços via telefone, isso não há a menor dúvida”.

Para o consultor, existem ainda outros fatores que impedem a disseminação desse serviço. “Embora o celular seja onipresente, e tudo está se convergindo para ele, ainda há pessoas que não gostam dos teclados pequenos e que não se sentem à vontade fazendo transações bancárias com pessoas em volta, por exemplo, e prefere estar tranquilo na frente de um computador. Além disso, as transações via celular costumam ser rápidas e muitos clientes preferem ter tempo para pensar em suas decisões referentes a dinheiro”.

Continua depois da publicidade

Apesar do panorama desfavorável, Ghetler acredita que o mobile banking deve ganhar cada vez mais adeptos. “Os bancos estão criando iniciativas de sucesso. Estão cada vez mais preocupados em aumentar a segurança, reduzir custos e colocar um número maior de serviços a disposição do cliente via celular. Considerando que hoje em dia, tempo é dinheiro, e muitas vezes você não está na frente de um PC, o celular deve, sim, conquistar, com o passar do tempo, uma parcela significativa de clientes bancários”.

Números

De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) ainda não há um estudo que mensure o mercado de mobile banking no Brasil.

O Banco do Brasil fez um levantamento dos seus clientes. De acordo com a instituição, em 2007 foram realizadas 31 milhões de transações via mobile banking. Em 2008, já foram computadas 6,7 milhões.

Continua depois da publicidade

Dos 25 milhões de clientes que o banco tem, 546,5 mil são cadastrados nessa ferramenta. O banco oferece extrato, saldo, recarga de celular, pagamentos e transferências via celular.

“O BB detém 50% do mercado de mobile banking hoje no Brasil. Para se ter uma idéia do tamanho desse mercado, basta multiplicar os números dele por dois”, finaliza o consultor.