Custo de vida para baixa renda sobe 2,20% no trimestre, acima da média

Segundo a FGV, motivo é alta dos alimentos, que possuem maior peso no orçamento de quem ganha até 2,5 mínimos

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SÃO PAUO – O custo de vida para os brasileiros com renda mensal de até 2,5 salários mínimos aumentou mais do que para a população em geral no primeiro trimestre. Conforme divulgou nesta terça-feira (15) a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor Classe 1) ficou em 2,20%, contra média de 1,43% do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal).

“A inflação não é a mesma para todas as famílias. As de menor renda dedicam parcelas maiores de seus gastos à alimentação, enquanto as que se situam nos estratos superiores despendem frações elevadas de seus orçamentos em educação, saúde e lazer”, justificaram os economistas no documento de divulgação do estudo.

Grupos

O grupo Alimentação foi, portanto, o principal responsável pelo comportamento. Segundo a FGV, no primeiro trimestre deste ano as famílias de baixa renda viram os preços aumentarem, em média, 4,25%. A segunda maior alta ficou com Educação, Leitura e Recreação, com 2,86%.

Na tabela abaixo, é possível ver as variações completas do primeiro trimestre de 2008 e ano mesmo período de 2007.

IPC-C1
Grupo Primeiro trimestre 2007 Primeiro trimestre 2008
Alimentação 4,70% 4,25%
Habitação 0,29% 0,75%
Vestuário -4,34% -1,37%
Saúde e Cuidados Pessoais 0,77% 0,96%
Educação Leitura e Recreação 1,58% 2,86%
Transportes 3,08% 1,63%
Despesas Diversas 0,32% 1,50%
Média 2,09% 2,20%

Fonte: IPC-C1/FGV

Em um ano

Nos 12 meses encerrados em março último, o IPC-C1 registrou variação de 5,99%. A maior
pressão de alta sobre o índice foi exercida – novamente – pela comida, cujos preços avançaram 10,83%. Com a valorização, o grupo respondeu por 69% da formação da taxa geral.

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Em ordem decrescente de influência sobre o resultado final, aparecem os grupos: Habitação (2,30%), Transportes (2,54%), Vestuário (4,55%), Despesas Diversas (7,22%), Saúde e Cuidados Pessoais (2,66%) e Educação, Leitura e Recreação (4,88%).

Os destaques por classe de despesa foram os itens: feijão carioquinha (159,83%), taxa de água e
esgoto (7,30%), tarifa de ônibus urbano (2,58%), roupas (3,31%), cigarros (10,39%), artigos de
higiene e cuidados pessoais (3,38%) e material escolar (exclusive livros) (8,40%).

Novo estudo

A publicação do IPC-C1 foi iniciada nesta terça-feira. O índice é calculado desde 2004 – portanto, já possui uma considerável série histórica para comparação.

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Entre as pesquisas feitas pela entidade, está o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), que mede a inflação das famílias com renda entre um e 33 salários mínimos de seis capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre e Brasília.