Cury (CURY3) fará oferta de ações de R$ 600 milhões – para pagar dividendos

O JPMorgan considera este anúncio neutro a ligeiramente negativo devido à diluição de aproximadamente 6%

Lara Rizério

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A Cury (CURY3) anunciou antes do fechamento do mercado uma oferta subsequente primária de aproximadamente 16,2 milhões de ações.

A oferta deverá captar até R$ 600 milhões (considerando R$ 37,10 por ação em 3 de dezembro), com os recursos destinados ao pagamento de dividendos extraordinários de até R$ 573 milhões, sujeitos à aprovação do conselho após a formação do preço de exercício.

As ações serão negociadas ex-dividendos com base na posição da oferta (16 de dezembro), e o pagamento está previsto para o final do ano.

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Essa distribuição representaria um rendimento de dividendos de aproximadamente 5% com base no último preço de fechamento.

O JPMorgan considera este anúncio neutro a ligeiramente negativo devido à diluição de aproximadamente 6%, pois, por um lado, a empresa está reduzindo uma potencial carga tributária sobre dividendos, embora isso crie uma incerteza até a conclusão do negócio e reduza a participação dos acionistas controladores.

Em um dia de forte ânimo para os investidores, as ações CURY3 subiam cerca de 3% nesta quinta-feira (4), por volta das 17h (horário de Brasília).

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A Cury está sendo negociada a 9,6 vezes o preço sobre lucro (P/L) projetado para 2026, contra 6,9 vezes da MRV (MRVE3), 5,5 vezes da Tenda (TEND3) e 9,7 vezes da Direcional (DIRR3).

As 16,2 milhões de ações implicariam uma diluição de aproximadamente 6% para os acionistas. Supondo que os acionistas controladores (família Cury e Cyrela) não participem, o free float deverá aumentar para 52%, contra 50% atualmente. Além disso, a oferta estimada de R$ 600 milhões corresponde a aproximadamente 8 dias do volume de negociação dos últimos 30 dias.

O rendimento de dividendos seria de aproximadamente 5%. A Cury utilizará os recursos para pagar até R$ 573 milhões em dividendos intermediários e provisórios, sujeitos à aprovação do conselho após o bookbuilding e com base nas reservas de lucros e nos resultados não auditados dos 10 meses até outubro de 2025.

Somente os acionistas registrados no fechamento da data de liquidação serão elegíveis, com o pagamento previsto para 31 de dezembro de 2025. Caso o dividendo não seja aprovado ou a oferta exceda R$ 573 milhões, os recursos excedentes serão utilizados para fins corporativos gerais.

A Cury possuía, no 3T25, reservas de lucros de aproximadamente R$ 736 milhões (excluindo reservas legais), o que implica que essa linha após o pagamento de dividendos permanecerá em aproximadamente R$ 163 milhões.

O valor patrimonial deve diminuir para aproximadamente R$ 1,18 bilhão, em comparação com o nível de R$ 1,385 bilhão do 3º trimestre de 2025, considerando o aumento de capital de R$ 600 milhões, os dividendos subsequentes de R$ 573 milhões, os dividendos previamente anunciados de R$ 450 milhões a serem pagos no 4º trimestre e nossa estimativa de lucro líquido para o 4º trimestre de R$ 217 milhões.

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“Isso resultaria em um novo valor patrimonial por ação de R$ 3,83, o que implica uma avaliação da Cury em aproximadamente 9,5 vezes o valor patrimonial por ação, considerando o preço de fechamento de ontem”, aponta.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.