Por que BBA não está otimista com Taesa e prefere Alupar, apesar dos dividendos altos

Forte valorização da Taesa comprimiu o valuation e tornou o retorno estimado menos atrativo em comparação com Alupar

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Torres de transmissão de energia elétrica no Pará
30/03/2010
REUTERS/Paulo Santos
Torres de transmissão de energia elétrica no Pará 30/03/2010 REUTERS/Paulo Santos

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O Itaú BBA mantém a recomendação market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) para Taesa (TAEE11), mas elevou o preço-alvo de R$ 37,50 para R$ 44,90 para o fim de 2026, o que representa um potencial de alta limitado de 6,9% frente a cotação de fechamento da véspera de R$ 41,99.

Apesar do preço-alvo mais alto, a forte valorização das ações companhia elétrica, com retorno total de aproximadamente 39% no acumulado do ano, comprimiu o valuation e agora o retorno real implícito estimado é de cerca de 8,2%. Isso é menos atrativo em comparação com Alupar (ALUP11), com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), mas ao mesmo tempo oferecendo yields (rendimentos) mais altos que Isa Energia (ISAE4).

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Dividendos continuam sendo um dos pilares da tese

O Itaú BBA segue enxergando uma perspectiva superior de dividendos no curto e médio prazo, especialmente a partir de 2026. O banco observa ainda que os investidores pessoa física continuam sendo uma parcela relevante do free float da Taesa, respondendo por aproximadamente 55%, ante cerca de 65% no fim de 2024.

Para 2025, o payout (dividendo como proporção do lucro) mínimo será de 90% e a companhia tem mantido efetivamente um pagamento de 100% nos últimos três trimestres. Os dividendos declarados em 2025 já superam R$ 800 milhões, com yield de 6,4% considerando os dados até nove meses de 2025.

No cenário-base, o Itaú BBA projeta payout de 100%, o que resultaria em yields de cerca de 8% em 2026, aproximadamente 9% em 2027 e níveis de dois dígitos a partir de 2028.

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A suposição de indenização ao término da concessão ganha relevância porque aproximadamente 40% da RAP (Receita Anual Permitida) expira até 2032, o que mantém a renovação das concessões como um tema central. Contudo, precedentes regulatórios e jurídicos sustentam a indenização do saldo de ativos não depreciados em cenários de relicitação.

Com base nessas decisões, o Itaú BBA passou a incluir a indenização de valor residual em seu modelo de avaliação, oferecendo um piso mais claro de valuation mesmo se as renovações não se concretizarem.

Participação seletiva em leilões e disciplina de capital

Desde a última atualização, o BBA lembra que a Taesa venceu o Lote 3 do leilão 2/2024, um projeto relativamente pequeno, com RAP máxima de R$ 38 milhões e investimentos estimados em R$ 244 milhões, arrematado com deságio de 53,5% sobre a receita máxima e taxa interna de retorno (TIR) estimada em 7,3% no cenário-base.

A administração avalia potenciais sinergias com ativos adjacentes e economia de custos próxima de 25% graças ao capex já contratado e protegido. No leilão 4/2025, a companhia adotou postura mais cautelosa, com ofertas com deságios geralmente abaixo de 40% e sem vitórias, movimento considerado positivo pelo Itaú BBA diante do ambiente altamente competitivo.