Destaques da Bolsa

CSN dispara 21%, Vale salta 10% e Petrobras sobe 9%; “só” 7 ações fecham em queda

Confira os principais destaques da Bovespa na sessão desta quarta-feira (12)

SÃO PAULO – A sessão desta terça-feira (12) foi marcada por forte alta do Ibovespa, entre possibilidade de desembarque do PP do governo, com reunião marcada para às 17h (horário de Brasília), suspensão da nomeação do ministro da Justiça, Eugênio Aragão, e vitória do impeachment na Câmara ontem. Diante da fragilidade do governo, o índice superava a região dos 52.000 pontos. 

O dólar, por sua vez, subiu 0,006%, a R$ 3,4948 na venda, apesar dos 5 leilões de swap reverso anunciados hoje pelo Banco Central. O dólar só não foi abaixo hoje por conta da atuação do BC, avaliou Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos. “O PP já tinha mostrado que iria contra o impeachment, agora parece estar reavaliando cenário. Com isso e as contagens do placar, impeachment fica praticamente definido”, disse o gestor à Bloomberg. Para o sócio e diretor da Jive Asset, Leonardo Monoli, “o price action do câmbio indica claramente o desmonte de posições compradas e de hedges no dólar”. 

Em meio à euforia do mercado, somente 7 ações caíram nesta sessão, com a Oi liderando as perdas após pedido do Ministério Público Federal para estender proibição de venda casada da operadora para contratos em vigor. Do outro lado, CSN disparou 21%, seguida por outras 4 ações que subiram mais de 10%. São elas: Usiminas, Bradespar – holding que detém participação na Vale – e os papéis ONs e PNs da Vale. A Petrobras também apareceu na ponta positiva do índice, com alta de quase 9%. 

Veja os destaques da Bovespa nesta terça-feira (12):

Petrobras (PETR3, R$ 11,36, +9,02%;PETR4, R$ 9,03, +7,63%)
As ações da Petrobras dispararam com mercado de olho no noticiário político, com a votação do impeachment se aproximando, e também na cotação do petróleo, com o brent em alta de 3,76%, a US$ 44,44 o barril, em meio às notícias de que a Arábia Saudita e a Rússia concordaram em congelar a produção, independentemente do Irã participar do plano para resolver o excesso de oferta. 

O noticiário da estatal também seguiu movimentado: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo administrativo para analisar o uso da contabilidade de hedge pela Petrobras, conforme informa o jornal O Estado de S. Paulo. A investigação foi iniciada a pedido do ex-conselheiro da estatal, Mauro Rodrigues da Cunha. Ele pede que o órgão regulador do mercado de capitais determine à companhia que refaça as demonstrações financeiras de 2013 a 2015, por considerar a adoção da política contábil equivocada e capaz de induzir o investidor a erro ao interpretar a realidade econômica da estatal.

Sem o hedge contábil a última linha do balanço da estatal nos últimos anos seria possivelmente pior, o que deve ocorrer caso a CVM determine o recálculo das demonstrações.

Destaque ainda para a notícia da Folha de S. Paulo de que o TST (Tribunal Superior do Trabalho) analisa esqueleto trabalhista da Petrobras, referente ao pagamento de adicional de periculosidade e de insalubridade para empregados que trabalham em áreas de risco. A derrota pode custar à estatal R$ 11,5 bilhões, segundo projeção feita em seu balanço mais atual, do quarto trimestre de 2015. As estimativas internas falam, contudo, em perdas de até R$ 20 bilhões. 

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Além disso, a companhia exportou em março uma carga de 50 milhões de litros de diesel para a Argentina, a primeira grande exportação do combustível neste ano, uma forma de a empresa lidar com a fraqueza do mercado interno, afirmou fonte da empresa à Reuters. Apenas essa carga exportada representaria o maior volume mensal de diesel vendido pelo país ao mercado externo desde março de 2014, quando o Brasil exportou 59,9 milhões de litros, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Vale e siderúrgicas
Em destaque de alta nesta sessão, estão as ações da Vale (VALE3, R$ 18,74, +10,43%; VALE5, R$ 14,20, +10,94%) e de siderúrgicas como a CSN (CSNA3, R$ 10,82, +20,62%), Gerdau (GGBR4, R$ 7,70, +7,39%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,99, +11,17%). Com a arrancada, as ações da CSN renovaram máxima de agosto de 2014. A Bradespar (BRAP4, R$ 7,68, +11,30%), holding que detém participação na Vale, também acompanhou o movimento positivo. Hoje o dia foi novamente de alta para o minério de ferro, com o preço da commodity em Qingdao subindo 4,36%, a US$ 59,22 a tonelada métrica.  

Sobre a CSN, vale destacar a notícia da Bloomberg sobre a siderúrgica sobre o curioso caso da ação, que já sobe 140% em 2016.

“Muitos dos motivos pelos quais os analistas estão tão pessimistas em relação à ação são os mesmos que levaram a gestora de ativos Octante a mergulhar de cabeça na CSN, disse Laszlo Lueska, sócio da empresa com sede em São Paulo que foi a maior compradora de ações da siderúrgica no primeiro trimestre. Um fundo da Octante ganhou R$ 18,5 milhões (US$ 5 milhões) com a CSN no período apostando que a renegociação de empréstimos bancários, no fim do ano passado, será suficiente para ajudar a empresa a evitar uma reestruturação de dívida mais ampla”, destaca a agência.

Sobre a Vale, destaque para a notícia da Reuters de que a mineradora está preparando em conjunto com a empresa de private equity Apollo uma oferta pelos negócios em nióbio e fosfatos da Anglo American no Brasil. A mineradora listada em Londres disse que quer levantar até 4 bilhões de dólares com desinvestimentos para reduzir suas dívidas para menos de 10 bilhões de dólares ao final do ano, em um momento em que a companhia sofre com a queda dos preços das commodities.

Bancos
As ações de bancos registraram ganhos nesta data, também de olho no cenário político nacional. Os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,10, +2,60%) tiveram alta mais amena, quando comparado com os bancos privados Bradesco (BBDC4, R$ 29,14, +4,11%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,30, +4,52%), que subiram mais de 4%. 

Cielo (CIEL3, R$ 31,66, +2,13%)
As ações da Cielo ganharam força após o presidente da companhia, Rômulo Dias, anunciar, em evento realizado em São Paulo nesta manhã, a criação da Cielo LIO, uma “plataforma transformacional”. O lançamento foi considerado por ele a “refundação” da empresa.

Veja mais: Cielo anuncia a criação da plataforma transformacional Cielo LIO

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De acordo com a Cielo, a Cielo LIO conta com novas funções que vão dar agilidade e facilitar o dia a dia dos lojistas. “Repensamos a experiência do lojista. A ferramenta é simples e fácil de operar. Uma mudança na forma de comprar. Não é uma máquina, mas uma plataforma que representa o futuro da indústria”, afirmou a companhia.

O valor do projeto ainda não foi divulgado, “mas optamos por fazer esse negócio dentro de casa do início ao fim”, destacou o presidente da empresa. “O custo para o lojista será determinado por ele, de acordo com o serviço que escolher; esperamos fidelização maior de clientes e aumento de receitas. A expectativa é que atinja 50 mil unidades em todo Brasil até o fim do ano e um milhão nos próximos cinco anos”.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 47,64, +0,51%) e Via Varejo (VVAR11, R$ 5,56, +0,54%)
As ações do Pão de Açúcar e Via Varejo voltaram para o positivo nesta sessão, após queda mais cedo em dia de divulgação da prévia operacional do primeiro trimestre, que mostrou um cenário bastante desafiador para as companhias do setor de varejo. 

A receita líquida do Grupo Pão de Açúcar avançou 3 por cento, a 17,8 bilhões de reais, no primeiro trimestre sobre um ano antes, informou a varejista nesta terça-feira. A receita líquida consolidada na categoria mesmas lojas teve avanço de 0,8 por cento, com queda de 11,8 por cento na rede de lojas de eletrodomésticos e móveis Via Varejo.

Oi (OIBR4, R$ 0,93, -6,06%)
As ações da Oi afundaram em dia de otimismo na Bolsa. Nesta tarde, o Ministério Público Federal pedir, em recurso ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que a empresa Telemar Norte Leste S/A revise todos os contratos firmados em Volta Redonda, nos últimos 5 anos, por meio da chamada venda casada, relacionados ao “Oi Velox”, convocando os consumidores da região, por meio de chamamento público em meios de comunicação de grande alcance, esclarecendo a não obrigatoriedade de aquisição ou manutenção de telefone fixo ou outro produto em poder do consumidor, se ele assim não o desejar.

Direcional (DIRR3, R$ 6,04, +2,55%)
A Direcional Engenharia virou para alta após cair 1,7% mais cedo. A companhia informou que fez lançamentos no valor de R$ 101 milhões no primeiro trimestre de 2016, com um total de 488 unidades. No período, as vendas líquidas totalizaram Valor de Geral de Vendas de R$ 118 milhões, representando aumento de 226% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Como consequência, a velocidade de vendas, medida pelo indicador VSO (Vendas sobre Oferta), atingiu índice de 10,9%.

 Nos primeiros três meses do ano, as vendas brutas atingiram R$ 207 milhões, crescimento de 112% quando comparado com mesmo período de 2015. Por outro lado, os distratos ficaram em R$ 89 milhões.

O BTG Pactual destacou em relatório que os dados vieram em linha com o esperado, destacando que os cancelamentos continuam sendo um destaque negativo, atingindo R$ 89 milhões. O banco reitera compra para as ações da companhia por conta do valuation atrativo e da baixa alavancagem. 

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Qualicorp (QUAL3, R$ 15,58, -4,0%)
A Qualicorp registrou uma das maiores quedas do Ibovespa nesta data. Vale destacar o relatório do Itaú BBA rebaixando a recomendação para as ações da companhia para market perform (desempenho em linha com a média do mercado) e um novo preço-alvo de R$ 17,60 por ação. De acordo com os analistas do Itaú BBA, agora há menos espaço para que a companhia encare o cenário macroeconômico desafiador. 

Sabesp (SBSP3, R$ 25,00, +4,17%)
As ações da Sabesp registraram forte alta nesta terça-feira, indo para máxima de janeiro de 2014. A empresa anunciou nesta segunda-feira que irá reajustar em 8,4478% as tarifas a partir do dia 12 de maio. O reajuste foi aprovado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose tiveram alta nesta terça-feira, apesar do dia de forte oscilação do dólar, que praticamente zerou os ganhos nos minutos finais de pregão. Os papéis da Suzano (SUZB5, R$ 11,37, +3,93%) e Fibria (FIBR3, R$ 28,75, +2,50%) repercutiram ainda hoje dados do setor. 

Saíram nesta manhã os dados do FOEX com os preços que podem mexer com o setor de papel e celulose, que trouxeram preço de hardwood na China flat enquanto na Europa caiu mais US$9-10 a tonelada. A RISI (consultoria do setor) soltou ontem o relatório mensal comentando que os preços já estão bem próximos de um piso na China e que deve começar a incentivar aumento de importação e substituição de fibra. O BTG destaca que os preços na Europa tem sido mais resilientes do que os da China.

Embraer (EMBR3, R$ 21,08, +0,09%)
A Embraer registrou leve alta hoje após a companhia assinar pedido firme com a Horizon Air para 30 jatos E175 que voarão pela Alaska Airlines, com opções de compra para outras 33 aeronaves do mesmo modelo, informaram as empresas nesta terça-feira.

Se todas as opções forem exercidas, o valor do contrato é de 2,8 bilhões de dólares com base em preços de lista dos aviões. A quantia será incluída na carteira de pedidos do segundo trimestre deste ano, disse a Embraer. As ações da fabricante brasileira subiam 2 por cento, em linha com o comportamento do Ibovespa.

O início das entregas está programado para o segundo trimestre de 2017. De acordo com a Horizon Air, subsidiária do Alaska Air Group, a encomenda será entregue ao longo de três anos.

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