Destaques da Bolsa

CSN afunda com pedido de suspensão de operação no RJ, Petrobras cai 4% e Marfrig “se salva”

Confira abaixo os principais destaques da Bovespa no pregão desta segunda-feira

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou com forte baixa nesta segunda-feira (29), seguindo em linha com as perdas de Wall Street, pressionado pelo noticiário grego, com a iminência de um default do país. As ações da Petrobras, que chegaram a descolar do movimento e subirem pela manhã, tiveram fortes quedas nesta sessão apesar do plano de negócios bem recebido pelo mercado.

Com o dia pressionado por questões externas, 13 das 66 ações do Ibovespa caíram mais de 3% hoje, sendo 7 com perdas de mais de 4%. Entre as poucas ações que se salvaram, destaque para a Natura (NATU3), única que avançou mais de 1%, fechando com ganhos de 1,04%, a R$ 27,30. Confira abaixo os principais destaques da Bovespa neste pregão:

CSN (CSNA3, R$ 5,32, -4,32%)
Apesar de todo mercado seguir com forte queda nesta sessão, os papéis da CSN afundam pressionados pelo pedido do Ministério Público Federal para a suspensão das operações da companhia em Volta Redonda. O MPF propôs ação civil pública para que seja declarada falta de licença para as atividades realizadas na Usina Presidente Vargas. O motivo é o não cumprimento de ações firmadas entre a empresa e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Durante a tarde, a CSN afirmou estar disposta a conversar com as autoridades.

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“O MPF pede, desde já, a suspensão do funcionamento das unidades Sinterização #2, Sinterização #3 e Sinterização #4 da Usina Presidente Vargas, até que empresa atenda às exigências contidas na Resolução Conama nº 382/2006, ou pelo menos a determinação de redução imediata das emissões de materiais particulados aos níveis contidos na resolução. Ao final, pede a suspensão total das atividades até que venha a atender aos requisitos de uma licença de operação válida”, diz nota da assessoria da Procuradoria da República do estado do Rio de Janeiro.

Segundo o comunicado, a ação pede também que a CSN pague compensação por poluição e por dano moral coletivo causado à população. Além disso, solicita que governo do estado e o Inea não forneçam licenças de operação enquanto a empresa não demonstrar “a adequação de sua indústria aos parâmetros aplicáveis às atividades de siderurgia ali exercidas”.

Petrobras (PETR3, R$ 14,05, -4,10%; PETR4, R$ 12,75, -3,48%)
As ações da Petrobras tiveram pregão volátil hoje. Depois de uma abertura negativa, repercutindo as notícias vindas da Grécia, os papéis logo viraram para alta com a divulgação do plano de negócios da estatal. Porém, durante a tarde, as ações viraram para forte queda em meio a um enfraquecimento generalizado do mercado.

Para Flávio Conde, analista independente que mantém o blog WhatsCall, o plano veio melhor do que o esperado. “O mercado tinha medo de uma redução de apenas 25% e duvido que alguém cravasse os 37%, que praticamente são 40%. O novo plano dá sentido para a alta das ações hoje”, comentou. A estatal reduziu em 37% os investimentos, para US$ 130 bilhões. No plano anterior, de 2014 a 2018, os investimentos previstos eram de US$ 220,6 bilhões. 

Além da redução dos investimentos em si, alguns pontos e premissas que a empresa deixou claro no plano ajudaram a trazer esse sentimento positivo ao mercado, comenta Conde. Entre elas, projeções realistas para os preços do petróleo e câmbio, além de sinalização de um possível reajuste dos preços dos combustíveis no segundo semestre. Às 18h será realizada uma coletiva de imprensa para falar sobre o plano apresentado.

Veja mais em: O mercado “agradece”: os 5 pontos que não podem passar em branco no plano de negócios da Petrobras

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Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,20, -2,14%; VALE5, R$ 16,25, -2,69%), Bradespar (BRAP4, R$ 11,08, -2,81%), holding que detém ações da mineradora, e siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 4,32, -0,69%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 6,66, -0,60%) registraram quedas nesta sessão. Já a Gerdau (GGBR4, R$ 7,75, +0,65%), que iniciou em queda de quase 2%, fechou em alta.

Hoje, os preços do minério de ferro no mercado à vista da China recuaram e os contratos futuros de aço na Bolsa de Xangai atingiram um novo recorde de baixa devido a uma demanda fraca e um excesso de oferta, apesar das medidas do governo para minimizar a desaceleração da economia. 

No radar, o Banco Central chinês reduziu em 25 pontos-base a taxa de juros local (para 4,85% da taxa de empréstimo e 2% da taxa de depósito). Junto com isso, também cortou em 50 pontos-base a taxa de compulsório. Segundo a Elite Corretora, o movimento vai em linha com as últimas medidas chinesas de afrouxamento monetário, mas, ainda assim, as bolsas no país continuam afundando.

Bancos
As ações dos bancos Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,21, -1,27%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,80, -2,86%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,74, -1,63%; BBDC4, R$ 28,45, -2,20%) e Santander (SANB11, R$ 16,58, -2,53%) acompanharam o movimento do mercado e caíram forte hoje em meio à apreensão acerca da Grécia. 

Telecoms
As ações do setor de telecomunicações figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta segunda-feira, com TIM (TIMP3, R$ 10,24, -4,30%), Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 43,04, -3,17%) e Oi (OIBR4, R$ 5,93, -4,82%). Operadores de mercado disseram que não viram nada específico para a queda das ações do setor, devendo o movimento ser em virtude do cenário internacional turbulento que puxa hoje o índice acionário brasileiro para baixo. 

Educacionais
As ações das educacionais voltam a cair hoje após o governo anunciar que pretende oferecer entre 300 mil e 350 mil novas vagas por ano do Fies, programa de financiamento do governo federal para o ensino superior. No ano passado, foram ofertadas 732 mil. No novo desenho, o financiamento estudantil também transferirá para as faculdades privadas uma parcela muito maior da inadimplência do programa, reduzirá o subsídio que vinha sendo dado pelo Tesouro e aumentará os juros para os estudantes, assim como exigirá maior participação nas mensalidades durante o curso. 

Em relatório, o Credit Suisse disse que o novo Fies é ligeiramente negativo para as empresas. Na Bolsa, as ações da Kroton (KROT3, R$ 11,65, -4,19%), Estácio (ESTC3, R$ 17,20, -4,02%), Ser Educacional (SEER3, R$ 13,90, -1,07%) e Anima (ANIM3, R$ 21,00, -2,33%) também tiveram forte desvalorização.

Frigoríficos
A presidente Dilma Rouseff e o presidente dos EUA, Barack Obama, deverão assinar cerca de 15 acordos de cooperação em uma série de áreas, como previdência, meio ambiente, educação e agricultura. Entre eles está um acordo que prevê a exportação de carne bovina in natura brasileira ao mercado norte-americano – no ano passado, esse comércio foi de apenas US$ 95 mil. A expectativa é de que 14 Estados brasileiros obtenham licença para vender aos norte-americanos. Vale só destacar que as vendas de carne in natura para os EUA têm importância comercial limitada, até por conta da “falta de boi” aqui no mercado doméstico, comentou a XP Investimentos. 

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Nesta tarde, foi informado que o Serviço de Inspeção de Sanidade Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) está alterando suas regulamentações para permitir a importação de carne bovina não processada do Brasil e da Argentina sob algumas condições específicas que mitiguem o risco de transmissão de febre aftosa, disse a agência nesta segunda-feira. “Este é o primeiro passo do processo para que estas regiões ganhem acesso ao mercado de carne bovina dos Estados Unidos”, disse o serviço.

O presidente da JBS (JBSS3, R$ 15,93, -1,06%), Wesley Batista, comentou neste domingo que a liberação do mercado americano deve ter impacto “espetacular” e será um “marco histórico” para a pecuária brasileira. Na Bolsa, ações da Marfrig (MRFG3, R$ 5,64, +0,71%) e Minerva (BEEF3, R$ 11,30, -1,57%) também são impactadas pela notícia. Um relatório do BTG Pactual deste mês apontava a Marfrig como a principal beneficiada pela liberação do mercado americano.

Totvs (TOTS3, R$ 39,90, -2,63%)
As ações da Totvs caíram após a empresa ter sido rebaixada pelo Bradesco BBI para market perform (desempenho em linha com a média).  

IMC Holdings (MEAL3, R$ 9,50, +4,40%)
A IMC Holdings subiu ao maior patamar desde janeiro deste ano com a eleição de Jaime Cohen Szulc como presidente da companhia, no lugar de Francisco Gavilán Martin, que renunciou o cargo.