Crise: visão sobre proposta conjunta do Fed e do Tesouro dos EUA é controversa

Além da idéia de nova instituição para absorver os títulos "podres", outras medidas provocam reações distintas entre analistas

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SÃO PAULO – Tendo atingido seu ápice nos últimos pregões, a crise financeira norte-americana trouxe uma nova e positiva percepção do mercado com relação à postura adotada pelo Federal Reserve e pelo Tesouro dos EUA frente à magnitude dos problemas entre as instituições do país.

Depois de um início de semana preocupante, em resposta aos anúncios de concordata, prejuízos e aquisições feitas a toque de urgência, a reação dos investidores às medidas de liquidez anunciadas pelas autoridades não poderia ser mais favorável. Basta olhar o desempenho dos mercados nesta sexta-feira (19).

E dentre as diversas iniciativas que pautaram o noticiário dos últimos dias, uma em especial chamou a atenção dos especialistas: a proposta de criação de uma instituição, com recursos públicos, que absorva os títulos “podres” detidos pelos bancos em Wall Street.

Considerada uma solução mais ampla para a crise de crédito, a idéia do secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, juntamente com o presidente do Fed, Ben Bernanke, no entanto, não teve o mesmo apelo entre os analistas, que demonstraram visões distintas sobre os impactos do anúncio.

Críticas

Do lado pessimista, a Merrill Lynch – uma das instituições que mais tem criticado o Banco Central dos EUA – não se restringiu somente à possibilidade da chegada do novo órgão, mas avaliou as medidas do governo para combater a crise, de um modo geral, como “assombrosa”.

Embora ressalte a boa intenção das autoridades, a equipe do banco afirma que tanto o Fed quanto o Tesouro menosprezaram por muito tempo a gravidade dos problemas do subprime, de modo que a maioria das decisões tomadas por eles ao longo da crise não foram adequadas.

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“A maior agressividade observada nas últimas medidas comprova que o governo vinha agindo de forma inadequada, além de subestimar a magnitude da crise”, criticou a instituição.

Elogios

Por outro lado, o Santander demonstrou otimismo com a proposta das autoridades, principalmente em relação ao montante – especula-se que possa chegar até US$ 1 trilhão – que poderá ser utilizado pela nova instituição.

Somando as operações já efetuadas pelo Fed, entre elas as do Bear Stearns, Fannie Mae, Freddie Mac e AIG, os analistas consideram a quantia “mais do que suficiente para eliminar a crise sistêmica, muito embora não elimine os riscos de solvências particulares, de instituições financeiras específicas”.

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O banco ainda cita que a solução não garante o final da crise, mas pode marcar a reversão de tendência de aumento do pânico nos mercados. No entanto, o Santander faz um viés negativo para o importante ônus que sobrará para o contribuinte norte-americano.

De volta ao mercado

Considerando o elevado grau de aversão ao risco dos investidores nas últimas sessões, o UBS, por sua vez, acredita que o leque de medidas anunciadas e propostas pelas autoridades deve reduzir os temores nos mercados nos próximos pregões.

Desta forma, o banco recomenda que o investidor diminua a exposição aos Treasuries e a realoque no mercado de ações, que a despeito das incertezas, deve render bons frutos no curto prazo, avalia.