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SÃO PAULO – Para o relator das Nações Unidas sobre o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, a crise dos alimentos é um problema político e não será resolvida com recuo de preços ou aumento de produção, e sim, com a elevação da renda da população mais carente.
“Os preços dos alimentos já estão caindo e a crise continua em nós (…) Se dobrarmos o número de supermercados em Nova York, aqueles que hoje passam fome, caso não tenham seus rendimentos aumentados, ainda continuarão famintos. Ou seja, seu poder de compra continuará baixo”, avaliou.
Durante pronunciamento, na última segunda-feira (27), Schutter afirmou que os governos não estão dando atenção suficiente às camadas mais pobres da população e destacou que é preciso investir na agricultura, especialmente nos pequenos produtores, trabalhadores rurais sem terra, pastores, entre outros, que, segundo ele, concentram metade dos famintos do mundo.
“Devemos evitar a todo custo que, sob o pretexto de produzir mais alimentos, aumentemos a marginalização desta população e a divisão do sistema de agricultura, em benefício apenas poucos”, salientou.
FAO
Proteger os mais pobres também é o argumento do diretor adjunto da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), Alexandre Mueller. Segundo ele, o impacto das mudanças climáticas e do uso da bioenergia nos preços dos alimentos aponta para a necessidade urgente do desenvolvimento de políticas, especialmente nos países com menos recursos.
“O aquecimento global é uma realidade e as estratégias de adaptação passam por uma questão urgente, especialmente nos países mais pobres e mais vulneráveis. É necessário desenvolver com urgência estratégias de adaptação nos países com menos recursos, onde vivem a maioria dos 920 milhões de famintos do mundo, revendo o uso do solo, dos programas de segurança alimentar e das políticas de pesca e florestais para proteger os pobres dos efeitos das mudanças climáticas.”