Crise atinge escolas de intercâmbio, que diminuem valores a estudantes

Escolas mudam os valores para a moeda local, em vez de cobrar em dólar norte-americano; além disso, reforçam promoções

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SÃO PAULO – Crise, dólar alto, falta de crédito e insegurança. Diante de tudo isso, diversos estudantes se desanimaram para fazer a tão sonhada viagem de intercâmbio. E o comportamento não é típico do brasileiro. Por isso, as escolas de intercâmbio já se adiantaram e estão oferecendo alternativas para deixar os pacotes mais vantajosos para o bolso do estudante.

De acordo com a gerente de Intercâmbio da CI (Central de Intercâmbio), Luiza Vianna, as escolas sabem que o real foi afetado pela crise a partir de setembro e, prevendo uma desaceleração na demanda, já se anteciparam fazendo promoções.

“A gente já procurou se antecipar, quando o dólar teve uma oscilação muito forte, para ter promoção especial, porque o mercado brasileiro tem um peso grande lá fora, é um dos países que mais levam intercambistas para o exterior”, explicou a gerente.

A gerente de Comunicação da STB (Student Travel Bureau) concordou: “Na verdade, a gente sabe que as escolas ocasionalmente colocam promoções. Várias escolas já colocaram os valores de 2009, e as promoções estão sendo mais freqüentes”, afirmou.

Mudança para moeda local

Além de oferecer preços diferenciados, as escolas ainda ajudam trocando a moeda dos pacotes. “Quem tinha condição mudou para moeda local”, disse Luiza. “As não localizadas nos Estados Unidos não colocaram tabela em dólar norte-americano”, completou Cláudia.

De acordo com a gerente da STB, isso acontece, em boa parte, por causa da crise financeira internacional. “Mas temos que levar em conta que, se houver desaceleração do ritmo de procura por intercâmbio, vai ser por estudantes dos países Europeu e dos Estados Unidos”, explicou Cláudia.

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Então, as escolas se voltam para os países emergentes, denominados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). “As escolas sabem que as pessoas desses países vão procurar por uma questão de necessidade, de investimento. Mais do que nunca, agora o intercâmbio é necessário”, completou a gerente de Comunicação.

Reajustes anuais

Em relação aos reajustes realizados normalmente pelas escolas, com a finalidade de corrigir monetariamente os valores, Luiza, da CI, afirmou que devem continuar em torno de 5%, se as escolas realmente praticarem. Grande parte não deve mexer na tabela.

De acordo com o diretor da BEX Intercâmbio, Flávio Crusoé, as escolas estão fazendo reajustes iguais aos dos anos anteriores. “Em dezembro, já estão saindo algumas tabelas de preços e algumas não tiveram alterações. Outras tiveram, não necessariamente em função da crise, mas porque tem reajuste todo o ano”.

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Em relação ao ano de 2009, fica a incerteza sobre quais serão as práticas das escolas: “o que a gente não sabe é se os alunos contarão com descontos. Se as empresas tirarem as promoções e voltarem ao preço normal, podem ganhar mais em cada matrícula, mas diminui o número de matrículas”, explicou Crusoé.