Cripto da família Trump perde paridade com o dólar após suposto “ataque coordenado”

USD1, stablecoin com cerca de US$ 5 bilhões em valor de mercado, perdeu temporariamente a indexação com o dólar

Paulo Barros

Donald Trump Jr. e Eric Trump observam antes de tocarem o sino de abertura para celebrar o fechamento da oferta de US$ 1,5 bilhão da ALT5 e a adoção de sua Estratégia de Títulos do Tesouro $WLFI, no Nasdaq Market, em Nova York, EUA, em 13 de agosto de 2025. REUTERS/Eduardo Munoz/Foto de arquivo
Donald Trump Jr. e Eric Trump observam antes de tocarem o sino de abertura para celebrar o fechamento da oferta de US$ 1,5 bilhão da ALT5 e a adoção de sua Estratégia de Títulos do Tesouro $WLFI, no Nasdaq Market, em Nova York, EUA, em 13 de agosto de 2025. REUTERS/Eduardo Munoz/Foto de arquivo

Publicidade

A stablecoin USD1, moeda digital atrelada ao dólar e ligada à World Liberty Financial, sofreu uma breve queda abaixo do valor de US$ 1 nesta segunda-feira (23) e recuperou a paridade após o incidente. A equipe por trás do token afirmou que o episódio foi resultado de um “ataque coordenado” contra o protocolo.

Stablecoins de dólar devem acompanhar o preço da moeda americana. A USD1 chegou a ser negociada a US$ 0,994, cerca de 0,6% abaixo do valor esperado, antes de retornar próximo da paridade de US$ 1.

Em mensagens publicadas nas redes sociais, os desenvolvedores afirmaram que contas de cofundadores foram comprometidas, influenciadores foram pagos para espalhar medo, incerteza e dúvida no mercado e grandes posições vendidas foram abertas contra o token WLFI (outro ativo ligado ao projeto) para gerar pânico e lucrar com a queda de preço.

Viva do lucro de grandes empresas

A equipe creditou o mecanismo de resgate da stablecoin, que permite aos detentores trocar diretamente suas moedas por dólares, por ajudar a manter a confiança e limitar a intensidade da desvalorização.

A USD1 é emitida em parceria com o custodiante cripto BitGo e ainda está muito atrás de concorrentes como USDT e USDC, mas já figura entre as maiores stablecoins lastreadas em dólar, com capitalização de mercado em torno de US$ 5 bilhões.

Tesouro dos EUA mira stablecoins

O secretário do Tesouro dos EUA já falou no passado acreditar no potencial das stablecoins como meio de aumentar a demanda por títulos americanos, ajudando a aliviar a curva de juros. Segundo um estudo do banco Standard Chartered, a estimativa é que emissores de stablecoins comprem até US$ 1 trilhão de T-Bills até 2028, caso a expansão desse mercado continue.

Continua depois da publicidade

A World Liberty, vale lembrar, é a mesma empresa que a realeza de Abu Dhabi investiu secretamente antes mesmo da posse de Trump, segundo reportagem do Wall Street Journal.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)