Previsões de grandes bancos

Credit vê dólar até R$ 4,35, mas aponta um fator que pode reverter cenário; JP aposta em recuperação do real

Mensagens ainda pouco claras sobre como se dará a atuação do BC e agitação política na América Latina são monitoradas de perto por grandes bancos

RSÃO PAULO – Em meio aos sinais mistos do Banco Central com o dólar atingindo a cada dia novos recordes de alta e avaliando que o real ainda enfrenta vulnerabilidade, os estrategistas globais de câmbio do Credit Suisse mudaram a projeção para o dólar de um intervalo de R$ 4,10 a R$ 4,25 para um intervalo de R$ 4,18 até R$ 4,35. Assim, avaliam, o real pode enfraquecer ainda mais.

“As principais razões para isso são de que a mensagem do governo em relação ao câmbio ainda não está clara e o mercado tem chegado a conclusões precipitadas”, avalia a equipe de estrategistas do banco.

Após afirmar na semana passada que só haveria intervenção no mercado de câmbio caso a alta do dólar impactasse a inflação, o BC interviu na última terça depois da fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, de que a divisa americana em alta não preocupa.

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A fala do ministro levou os players do mercado a verem mais espaço para reforçar as compras. Isso fez o dólar disparar e, com isso, o Banco Central agiu duas vezes na véspera com leilão de dólares à vista, prosseguindo a atuação na sessão seguinte.

Conforme apontam os estrategistas, contudo, o BC fez as intervenções e não forneceu detalhes sobre a quantidade de dólares vendidos, contribuindo para uma maior confusão no mercado.

Para eles, essa atuação veio no sentido de manter os picos do dólar sob controle. Porém, a mensagem ainda não está clara sobre se as intervenções acontecerão em qualquer circunstância.

Além disso, contribuindo para o cenário mais vulnerável do real, a perspectiva para carry trade (operação para ganhar com o diferencial de juros dos países desenvolvidos e emergentes) e para a política monetária continuam pouco favoráveis para a moeda.

Sobre este último ponto, as expectativas mudaram para uma inflação mais alta por conta do impacto do câmbio e da alta dos preços dos alimentos. Contudo, estas revisões ainda são vistas como pequenas para alterar a visão de política monetária do BC, que deve prosseguir com o corte de juros.

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Assim, o real, apesar dos argumentos possíveis de que estaria extremamente barato e negociado nas mínimas históricas, é visto como vulnerável pelo banco: “os elementos cruciais normalmente presentes em moedas desvalorizadas, como superávit em conta corrente, mercado imobiliário alavancado e desemprego baixo, não estão sendo vistos no Brasil”. O real, além disso, provavelmente continuará sendo usado como hedge para posições compradas em outros ativos no mercado local.

Ao mesmo tempo, os investidores estão se posicionando menos em América Latina devido ao mix de taxas de juros mais baixas, crescimento fraco e piora do clima político, com os distúrbios observados no Chile, Colômbia, Equador e Argentina também representando um teste importante para o Brasil.

Por outro lado, apontam, um ponto poderia ser visto como positivo para o real: se o PIB do terceiro trimestre, a ser divulgado no próximo dia 3 de dezembro, surpreender bastante para cima, fazendo os estrategistas reconsiderarem a sua posição da moeda como ferramento de hedge.

JPMorgan vê recuperação

Por outro lado, o JPMorgan reiterou sua recomendação overweight (exposição acima da média) para o real, apontando que a moeda está barata e citando que as amplas reservas do Banco Central podem ser utilizadas para defender a moeda se preciso.

“Acreditamos que ainda vale a pena manter posições longas no real, enquanto aguardamos uma sinalização (ou ações) do Banco Central sobre as intervenções, principalmente devido à sua forte potência de fogo, em um contexto no qual as posições vendidas no BRL estão perto dos níveis recordes ”, escreveram os estrategistas do banco.

Eles ainda apontaram que o real pode se recuperar se a pressão sobre as moedas de mercados emergentes diminuir, assim como com a desaceleração da demanda das companhias brasileiras pela divida americana.

Porém, reforçam: a médio prazo, as perspectivas para o real se deterioram, enquanto a dinâmica da balança de pagamentos parece mais preocupante, já que o fracasso do leilão de petróleo da cessão onerosa implica em menos investimentos estrangeiros diretos no país e em um déficit em conta corrente mais amplo. Além disso, o ruído político segue alto, principalmente com a agitação social na América Latina.

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