Saneamento

Copasa (CSMG3) vê preços de insumos como PVC e tubos dispararem; ações fecham em queda forte após balanço

Gastos com materiais de tratamento também tiveram choque de oferta na cadeia de produtos químicos, resultando na elevação dos preços

Por  Augusto Diniz -

O diretor financeiro e de relações com investidores da Copasa (CSMG3), Carlos Augusto Botrel Berto, disse nesta terça-feira que a companhia observou um incremento superior a 100% no preço de insumo essenciais, mostrando como a inflação vem atingindo os negócios.

“O segmento de PVC e derivados teve elevado aumento durante a pandemia. O tubo de esgoto, por exemplo, apresentou aumento de 125% em relação a contratações anteriores”, disse o executivo durante teleconferência de resultado para comentar o balanço do primeiro trimestre da Copasa, quando teve queda de 23% do lucro.

“Os gastos com materiais de tratamento tiveram choque de oferta na cadeia de produtos químicos, resultando na elevação dos preços. O exemplo do incremento acima de 100% foi do cálcio e outros químicos”, comentou ele sobre insumos utilizados no tratamento de água.

Nesta terça-feira, após a divulgação do balanço, as ações da companhia registraram queda, que foi de 5,49%, cotadas a R$ 12,40, enquanto o Ibovespa teve perdas de 0,10%.

Como consequência do processo inflacionário, Berto destacou que houve uma pressão sobre as margens no período.

A margem Ebitda no primeiro trimestre do ano foi de 33,8%. No mesmo período de 2021, a margem Ebitda foi de 39,5%. A queda, na comparação, foi de 5,7 p.p.

Copasa vê alta de custos com energia

Em energia elétrica, a empresa apontou um aumento no primeiro trimestre de 20,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A elevação ocorreu, principalmente, pelo incremento nos gastos com bandeiras tarifárias.

Em material de tratamento, o crescimento foi de 32,6%, comparando com o 1T21. A Copasa relatou que o incremento se deu em função do aumento nos preços dos produtos, associada ao maior consumo dos principais produtos químicos utilizados no tratamento da água.

O combustível e lubrificantes a elevação foi de 48%, comparando-se o 1T22 com o 1T21. A empresa apontou pressão inflacionária e as chuvas no início do ano como principais fatores dos elevados custos no período.

Análise do balanço

Em análise dos resultados da Copasa (CSMG3), a XP ressaltou que a empresa registrou resultados mais fracos no 1T22 devido a volumes mais baixos e opex mais alto. O time de research da XP diz que os resultados da Copasa vieram abaixo das estimativas.

“Volumes menores, combinados com maiores preços de energia devido às bandeiras tarifárias implementadas durante o trimestre e aumento nos custos com combustíveis foram os principais responsáveis pela piora nos resultados”, destacaram os analistas.

Dessa forma, a corretora continua vendo uma relação risco-retorno pouco atrativa para a Copasa e mantém recomendação de venda com preço-alvo de R$ 15.

Desempenho fraco em volumes e tarifas

Para o Credit Suisse, a Copasa apresentou resultados ligeiramente melhores que as projeções do banco, principalmente devido a linhas de custo acima do previsto, que compensaram parcialmente os volumes abaixo do esperado e o impacto negativo da revisão tarifária.

Ainda assim, os resultados relatados foram mais fracos em uma base anual. Os resultados reportados também foram borrados por efeitos não recorrentes (reversão de provisões de processos judiciais e isenção de cobrança para clientes afetados por fortes chuvas).

Credit Suisse mantém avaliação outperform para Copasa e preço-alvo de R$ 16,60.

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