Construtoras tombam em julho e viram oportunidade na B3: quais ações mais atrativas?

Correção traz oportunidades principalmente para empresas voltadas ao Minha Casa Minha Vida

Lara Rizério

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Fachada do Residencial Pixinguinha. Divulgação
Fachada do Residencial Pixinguinha. Divulgação

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As ações de construtoras figuram entre os destaques negativos da Bolsa brasileira nas últimas semanas e se destacam entre as maiores quedas do mês, pressionadas por preocupações com o crédito imobiliário, desaceleração nas vendas e receios sobre o crescimento do setor. No acumulado de julho até o dia 30, Direcional (DIRR3) caía 17% e figurava como a maior baixa do Ibovespa no mês, enquanto Cury (CURY3) tinha perdas de 12,62%, terceira maior baixa do índice no período.

Para analistas, porém, a recente correção abriu espaço para oportunidades, especialmente entre as empresas voltadas ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em um momento em que a inflação dá sinais de alívio e reforça as apostas de queda da Selic.

Conforme destaca o Itaú BBA, as ações das construtoras de baixa renda caíram cerca de 15% desde a divulgação das prévias operacionais do segundo trimestre, refletindo dúvidas dos investidores sobre a sustentabilidade do ritmo de vendas e os impactos de eventuais restrições de crédito.

Apesar disso, o banco manteve sua visão positiva para o segmento, destacando que os papéis negociam a múltiplos considerados atrativos. Entre os destaques estão Tenda (TEND3), negociada a 5,5 vezes o lucro estimado para 2026, Cury (CURY3), a 7 vezes, e Direcional (DIRR3), a 6 vezes.

O Bradesco BBI também apontou que a queda das ações do setor parece ter sido excessiva, sobretudo entre as construtoras de baixa renda. Segundo o banco, os papéis do segmento passaram a negociar cerca de 40% abaixo das máximas recentes e próximos das mínimas de 52 semanas, apesar de os fundamentos continuarem relativamente saudáveis.

Para os analistas, a frustração dos investidores com as vendas do segundo trimestre não justifica o tamanho da correção observada na Bolsa. A casa destaca que o aumento dos preços médios dos imóveis vendidos deve compensar parte da desaceleração de volumes observada nas prévias operacionais, enquanto fatores como ruídos eleitorais e incertezas geopolíticas acabaram ampliando a pressão sobre as ações.

Como resultado, as empresas de baixa renda passaram a negociar, em média, a apenas quatro vezes o lucro projetado, um dos menores patamares dos últimos 12 meses. A principal preferência é Cury (CURY3), seguida por Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3).

O BBA também viu sua avaliação ganhar força após uma reunião com executivos da Caixa Econômica Federal, principal financiadora do mercado habitacional brasileiro. Segundo o banco, a Caixa reiterou sua intenção de ampliar a carteira de crédito imobiliário em 2026, com foco especialmente no Minha Casa Minha Vida. A instituição projeta conceder R$ 260 bilhões em financiamentos habitacionais neste ano, acima dos R$ 246 bilhões registrados em 2025.

Além disso, a Caixa sinalizou que não pretende restringir a oferta de crédito ao segmento popular e afirmou que a inadimplência permanece sob controle, apesar das preocupações recentes do mercado. O diretor de Habitação da instituição também defendeu possíveis melhorias no MCMV, incluindo discussões sobre redução dos juros das faixas 3 e 4 do programa para ampliar a acessibilidade dos compradores.

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Do lado macroeconômico, o cenário também começou a jogar a favor das incorporadoras. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, desacelerou para 0,06% em julho, abaixo das expectativas do mercado e no menor nível para o mês em três anos. O resultado reforçou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de afrouxamento monetário nos próximos meses.

Em relatório recente, o Safra argumenta que a desaceleração da inflação tende a beneficiar especialmente as construtoras, tanto por reduzir a pressão sobre custos de construção quanto por aumentar as chances de queda dos juros. O banco avalia que o movimento melhora a acessibilidade ao crédito imobiliário e favorece a demanda por imóveis, sobretudo no segmento de baixa renda.

Apesar das preocupações trazidas pelas prévias operacionais do segundo trimestre, o Safra considera que os fundamentos do setor permanecem sólidos. Entre as preferidas da casa estão Direcional (DIRR3), apontada como a principal escolha do setor, Cury (CURY3) e Tenda (TEND3), companhias com forte exposição ao Minha Casa Minha Vida. O banco destaca que o programa continua oferecendo elevada acessibilidade para os compradores e menor sensibilidade às taxas de juros quando comparado aos segmentos de média e alta renda.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.