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As construtoras listadas na Bolsa passam por um bom momento desde o ano passado. A reestruturação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) fez com que as companhias experimentassem ampliação nas vendas e preços mais elevados.
De acordo com analistas, o crescimento de receita, margem e lucro visto em 2023 deve se manter em 2024 e 2025. A bonança vinda do programa marca principalmente nomes como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3) e Plano&Plano (PLPL3).
Os balanços das construtoras devem seguir no campo positivo ao longo de 2024 e 2025, como resultado do reconhecimento contábil das vendas já feitas com preços maiores. Isso acontece porque as empresas de construção apuram a receita das vendas de modo proporcional ao andamento das obras.
Assim, as vendas feitas ao longo do ano passado só vão compor os balanços das construtoras ao longo deste ano e do próximo, quando os imóveis vendidos na planta estiverem prontos.
Qual é a melhor ação de construtoras?
Dentro deste contexto, qual seria a melhor ação de construção da Bolsa?
Mesmo com o setor potencialmente mais aquecido, considerando o avanço do MCMV e a queda de juros, a resposta é: depende.
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Inúmeros fatores impactam na análise da melhor opção dentre as companhias do setor, como portfólio, números gerais, fundamentos da tese, entre outros.
De acordo com o Goldman Sachs, um dos indicadores mais indicados para análise de papéis do setor é o retorno sobre patrimônio líquido (ROE). Considerando o dado, a equipe de research do banco destaca a Cyrela (CYRE3) e Direcional como preferidas, enquanto a EzTec (EZTC3) e a MRV ficariam com ROE em um único dígito baixo.

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Em relação aos preços das companhias, de acordo com levantamento realizado pela Elos Ayta, algumas apresentam preços mais atrativos ou menos.
Considerando o preço sobre lucro (P/L), a MRV é uma das construtoras mais baratas dos setor, com -16,75 na relação entre os dados.
A companhia apresenta, no entanto, alto índice na relação entre Enterprise Value / lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês), em 37,36.
Já ao analisar o preço da ação sobre o valor patrimonial (que, caso seja menor que 1, pode indicar que o papel negocia por menos que seus ativos), a MRV apresenta 0,59 vezes. No Ibovespa, a companhia não é a única que parece estar negociando baixo por essa métrica.
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Para a Cyrela, a relação entre o P/VPA também fica menos que 1, com 0,91. É o mesmo caso da EzTec, que apresenta 0,61 vezes no cálculo entre o preço das ações sobre seu valor patrimonial. A companhia é uma das mais caras construtoras, no entanto, com 11,35x a relação entre o preço sobre o lucro.
Fora do Ibov
Para além do Ibovespa, a companhia mais barata do setor é a Tenda (TEND3), com -27,39x na métrica de P/L. No mesmo quesito, a Cury se apresenta como a mais cara do setor, com 10,28 vezes.
Na análise de P/VPA, muitas se destacam positivamente, como a Moura Dubeaux (MDNE3), com 0,70x, a Mitre Realty (MTRE3) com 0,43x e a JHSF (JHSF3), com 0,55x.
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Já a Gafisa (GFSA3), mesmo negociando a -2,22x o preço sobre o lucro, pode ser considerada uma das mais caras do setor pela métrica EV/EBITDA. A construtora apresenta 58,77 vezes a relação entre os dados.
Confira os principais múltiplos das construtoras
| Empresa | Ticker | P/VPA | P/L | EV/Ebitda |
| Cury S/A | CURY3 | 5,42 | 10,28 | 7,72 |
| Planoeplano | PLPL3 | 3,04 | 7,02 | 5,79 |
| Direcional | DIRR3 | 2,07 | 9,93 | 8,46 |
| Tenda | TEND3 | 1,69 | -27,39 | 9,99 |
| Lavvi | LAVV3 | 1,29 | 6,19 | 6,76 |
| Cyrela Realt | CYRE3 | 0,91 | 6,94 | 7,61 |
| Moura Dubeux | MDNE3 | 0,7 | 5,75 | 5,61 |
| Even | EVEN3 | 0,68 | 6,07 | 9,42 |
| Trisul | TRIS3 | 0,62 | 6,79 | 8,46 |
| Eztec | EZTC3 | 0,61 | 11,35 | 13,89 |
| MRV | MRVE3 | 0,59 | -16,37 | 37,36 |
| JHSF Part | JHSF3 | 0,55 | 5,51 | 5,7 |
| Mitre Realty | MTRE3 | 0,43 | 5,8 | 8,89 |
| Gafisa | GFSA3 | 0,19 | -2,22 | 58,77 |
Entenda os principais indicadores fundamentalistas
Índice de preço sobre lucro (P/L)
É um índice usado para avaliar se o preço das ações de uma empresa está caro ou barato. O preço analisado é sempre o valor por ação que está divulgado na bolsa em um certo momento. Já o lucro é o ganho líquido por cada uma das ações neste mesmo período.
Um P/L alto pode indicar que a ação está cara em relação ao seu lucro, enquanto um P/L baixo pode indicar que está barata. No entanto, é importante comparar o P/L com o de outras empresas do mesmo setor e considerar o crescimento esperado dos lucros.
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Enterprise Value (EV/Ebitda)
O Enterprise Value é a soma do valor de mercado das ações de uma companhia com a dívida líquida dessa empresa. O valor é obtido ao multiplicar o número de ações emitidas pelo preço da ação em determinado momento.
EM síntese, o EV/Ebitda ajusta o valor de mercado da empresa pelo seu endividamento e caixa, oferecendo uma visão mais completa. Um EV/Ebitda baixo pode indicar que a empresa está subvalorizada.
P/VPA
O P/VPA corresponde ao preço de uma ação dividido pelo valor patrimonial correspondente a ela, sendo esse o indicador que diz o quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo patrimônio líquido da empresa.
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Assim, quando o P/VPA for inferior a 1, isso significa que a empresa está avaliada abaixo do seu valor patrimonial, sendo considerada barata, enquanto acima de 1 é o contrário. Já se estiver próximo de 1 deduz-se que está com preço preço justo em relação aos seus ativos.
(Com Estadão Conteúdo)


