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SÃO PAULO – “Mais um trimestre de números operacionais sólidos”. A frase abre o relatório do Barclays divulgado nesta sexta-feira (23) sobre os resultados apresentados pelas construtoras brasileiras referentes ao segundo trimestre deste ano, já revelando o otimismo dos analistas quanto ao setor.
Segundo Guilherme Vilazante, analista que assina o relatório, todas as companhias do universo de cobertura do Barclays, com exceção de uma, trouxeram volumes de vendas recordes entre abril e junho deste ano.
Historicamente, no entanto, Vilazante nota que os números apresentados no primeiro trimestre de 2010 foram talvez mais sólidos uma vez que este costuma ser um período bastante fraco no mercado de imóveis. Já os números do segundo quarto do ano, apesar de também positivos, se mostraram mais em linha com sua média histórica.
Ainda assim, o otimismo dá o tom predominante das considerações de Vilazante sobre as prévias de balanços apresentadas pelas construtoras brasileiras por ora, “reforçando nossa visão de que a demanda no mercado segue bastante forte”.
Pontos de destaque
Vilazante elege alguns pontos de destaque entre os resultados apresentados pelo setor. Quanto à Cyrela (CYRE3), o analista ameniza os temores do mercado quanto ao fraco volume de lançamentos da companhia no primeiro semestre do ano (24% de seu guidance), uma vez que o número mostra-se em linha com a média dos últimos cinco anos, de 26%. “Ademais, a decepção é ofuscada pela forte performance de vendas, que na primeira metade de 2010 já corresponde a 40% de seu guidance para o ano”, diz.
Já no que concerne à MRV (MRVE3), a visão do Barclays é mais cautelosa. Vilazante destaca que a companhia conseguiu melhorar sua performance em vendas após alguns trimestres de fraco desempenho, somando R$ 981 milhões entre abril e junho desse ano. “A melhora é positiva, mas é importante ressaltar que, para o segmento de baixa renda, o segundo trimestre geralmente é o mais forte do ano, dado a realização do Feirão da Caixa”, afirma o analista.
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Por sua vez, a Rossi Residencial (RSID3) recebe grandes elogios por parte do Barclays. “A companhia atingiu no segundo trimestre desse ano o maior montante em volume de vendas da sua história, somando R$ 710 milhões, postando o quinto trimestre consecutivo de alta nas vendas e reduzindo o ceticismo do mercado quanto à sua capacidade de entregas, que até bem recentemente, vinha pesando bastante sobre a performance de suas ações”, ressalta Vilazante.
Top picks
Por mais que os resultados destas três companhias tenham sido positivos, a preferência do Barclays no setor imobiliário brasileiro recai sobre outras duas empresas: Gafisa (GFSA3) e PDG Realty (PDGR3), cujos papéis foram eleitos pelo banco como seus “top picks” no segmento.
Segundo Vilazante, as ações ordinárias da Gafisa seguem negociadas a patamares muito abaixo de suas concorrentes, especialmente devido aos temores do mercado quanto à sua capacidade de melhorar suas margens operacionais. “Todavia, acreditamos que a fraca performance dos papéis deve-se a fatores temporários, que devem se tornar menos relevantes nos próximos trimestres”.
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Outro papel que estaria subprecificado e que, portanto, apresenta alto potencial de valorização é o da PDG Realty. “As ações estão muito descontadas a despeito do perfil consolidador da empresa”, afirma Vilazante, que completa: “a aquisição da Agre ainda não está totalmente incorporada”.