ICST

Construção: pessimismo e atividade em queda em 2015

Mesmo com a pequena melhora em junho, confiança indica severa retração da atividade da construção no primeiro semestre do ano

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Colunista convidada, Ana Maria Castelo, Coordenadora do projeto de construção da FGV/Ibre

Em junho, o índice de confiança da construção (ICST) registrou pequena melhora, com alta de 0,1% na comparação com maio. O resultado foi puxado pelo indicador de expectativas (IE), que se elevou3% em relação ao mês anterior. Nos últimos três meses, nota-se certa instabilidade do indicador de expectativas, tornando difícil apontar uma tendência da percepção dos empresários no que diz respeito à demanda prevista e tendência dos negócios nos próximos seis meses.

Por outro lado, o indicador de situação atual (ISA) não deixa dúvidas que as empresas continuam registrando queda em suas atividades. Na comparação com maio, o ISA apresentou redução de 4,2%.

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Com esses resultados, o ICST mostrou queda de 21% entre o primeiro semestre de 2015 e o último do ano passado. Nessa comparação, o ISA caiu 28% e o IE, 15%.

Entre os segmentos, a melhora na confiança na comparação com maio pode ser percebida tanto na infraestrutura quanto em edificações. Nos dois segmentos, o ISA e o IE registraram taxas positivas nessa comparação. Ainda assim, os respectivos ICSTs estão mais de 20% abaixo do patamar de dezembro.

Enfim, a sondagem mostra que, de forma generalizada, as empresas da construção encerramo semestre ainda muito pessimistas e com declínio expressivo da atividade. Chama atenção que o indicador de emprego previsto está, em junho, 29% menor que o observado em junho 2014. Dessa forma, a busca por mão de obra qualificada, que já foi a principal limitação apontada pelas empresas para melhoraria dos negócios, em junho teve apenas 16% de assinalações, enquanto demanda insuficiente obteve 51%.

Nesse cenário, a pergunta principal é se o setor já chegou ao seu ponto mínimo, ou ainda, ao fundo do poço. A deterioração severa do ISA e sua persistência indica que a atividade ainda deve continuar recuando nos próximos meses. O que significa que o emprego deve manter a tendência de queda observada desde o final do ano passado. Vale lembrar que o resultado do Caged de maio mostrou que o saldo de demissões nos últimos 12 meses no setor ficou atrás apenas da indústria de transformação. Olhando um pouco mais a frente, a oscilação do IE mostra que a incerteza prevalece mesmo com a recente divulgação da segunda fase Programa de Investimento em Logística.