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O Morgan Stanley avalia que os empréstimos consignados no setor privado vêm sendo apresentados como o próximo grande motor de crescimento do crédito no Brasil, mas sua análise bottom-up, construída a partir de dados micro e fundamentos específicos do mercado, aponta para um mercado endereçável significativamente menor do que o estimado por parte do mercado.
Com base em dados proprietários, o banco estima um TAM (mercado endereçável total) de cerca de R$ 100 bilhões, muito abaixo das projeções de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões, limitadas por fatores estruturais como curta permanência no emprego, menor penetração e prazos mais curtos dos empréstimos.

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Segundo o relatório, o tempo médio de emprego no setor privado, em torno de 18 meses, restringe tanto o público elegível quanto a duração efetiva dos contratos, reduzindo o tamanho real do mercado. O modelo considera uma base atendível de 25 milhões de trabalhadores formais, taxa de penetração de 20% e prazo médio de dois a três anos, premissas mais conservadoras do que as adotadas por parte do mercado.
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Para chegar a essas estimativas, o banco utilizou dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e do SIAPE (Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos do governo federal). Para o Morgan Stanley, o crescimento acelerado inicial reflete, em parte, a atuação agressiva de alguns credores, inclusive fintechs menos experientes, sem plena avaliação dos riscos. Com o amadurecimento do mercado, parte dessas operações pode desaparecer.
O modelo projeta que o mercado de consignado privado alcance cerca de R$ 100 bilhões em saldo em estado estacionário, sustentado por três premissas centrais. A primeira é uma base atendível de aproximadamente 25 milhões de trabalhadores formais, bem abaixo dos mais de 40 milhões frequentemente citados, considerando apenas empregados com mais de seis meses de vínculo e empresas com mais de 20 funcionários. A segunda é uma taxa de penetração de 20%, inferior aos 30% a 40% observados no consignado do setor público, refletindo garantias de crédito mais fracas e menor acessibilidade. A terceira é um prazo médio dos empréstimos de dois a três anos, menor do que o assumido por muitos agentes, justamente por causa da alta rotatividade no emprego privado.
Para o Morgan Stanley, o crescimento inicial acelerado se deve, em parte, à atuação agressiva de alguns credores, inclusive fintechs menores com pouca experiência em crédito, sem plena avaliação dos riscos. Com o tempo, parte dos empréstimos originados neste início pode desaparecer, à medida que o mercado amadurece.
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Embora reconheça que haverá divergências em relação às premissas adotadas, o banco defende que elas estão alinhadas às características estruturais do mercado de trabalho brasileiro. O principal ponto de discordância deve ser o prazo médio dos empréstimos, variável crítica para o tamanho do mercado. Na visão do Morgan Stanley, a ideia de que a portabilidade do desconto em folha reduz a relevância do tempo de emprego subestima riscos como períodos de desemprego, migração para empregos informais, mudanças para empresas que não operam corretamente o sistema e fricções operacionais, fatores que tendem a elevar inadimplência e provisões.
Em termos de implicações para o mercado e para as ações, o banco destaca que o consignado é o maior segmento do crédito ao consumidor no Brasil, tornando a correta estimativa do mercado fundamental, especialmente para bancos de grande porte e fintechs especializadas.
Ainda assim, o Morgan Stanley afirma que essa visão mais cautelosa não implica revisões de lucro nem mudanças nas recomendações de ações, mas serve de alerta para expectativas excessivamente otimistas sobre o potencial do consignado privado.