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Conselho da Usiminas aprova renegociação com credores brasileiros; confira mais 10 notícias

Confira o que é destaque no noticiário corporativo nesta sexta-feira (9)

Por  Lara Rizério

SÃO PAULO – A sexta-feira é movimentada no mercado, com destaque para a expectativa de novas emissões de títulos de empresas após a Minerva, enquanto a dona da Ambev fez nova aquisição. Confira mais destaques desta sexta-feira (9): 

Usiminas
O Conselho de Administração da Usiminas (USIM5) aprovou as cláusulas definitivas de renegociação das dívidas da companhia com bancos brasileiros como Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e BNDES. O Conselho ainda aprovou rider da renegociação com japoneses. Desta forma, a diretoria executiva da empresa firmará os instrumentos definitivos da renegociação de dívida com os credores, a serem celebrados até a próxima segunda-feira. 

“Os instrumentos definitivos não alterarão as condições negociais que já haviam sido informadas no fato relevante datado de 15 de junho, quais sejam: (i) prazo total de 10 (dez) anos para pagamento; e (ii) período de carência de 3 (três) anos para o início do pagamento do principal, as quais também serão aplicáveis às dívidas perante os bancos japoneses”, afirma. 

Minerva
A Minerva (BEEF3) confirmou na última quinta a emissão de títulos representativos de dívida devidas em 2026 pela sua subsidiária Minerva Luxembourg. O valor total da emissão ficou em US$ 1 bilhão no mercado internacional. 

Em comunicado, a Minerva explicou que os juros remuneratórios das notas serão pagos semestralmente, sob a taxa de 6,50% ao ano. Além disso, a empresa disse que a emissora pretende utilizar os recursos líquidos decorrentes da oferta das Novas Notas para pagar a oferta de recompra de todas e quaisquer 7.75% Notes remanescentes, de emissão e devidas em 2023. 

Conforme destaca o Valor, com a operação da Minerva, sobe para US$ 15,5 bilhões o total captado por empresas no exterior, além dos US$ 3 bilhões levantados pelo Tesouro Nacional – o volume, de US$ 18,5 bilhões, já supera em mais de 140% o registrado no ano passado (US$ 7,6 bilhões). Segundo estimativas de bancos que atuam na estruturação das ofertas, as captações externas podem fechar o ano em US$ 25 bilhões. 

De acordo com o jornal, ainda no setor de alimentos, a BRF (BRFS3) deve ser a próxima da fila. Já a companhia de logística JSL (JSLG3) iniciou ontem uma rodada de encontro com investidores, a fim de sondar o apetite para fazer sua estreia no mercado internacional de bônus, disse uma fonte a par do assunto ao Valor. 

Ambev
A controladora da Ambev (ABEV3), AB Inbev, anunciou a compra da centenária cervejaria belga Bosteels, fabricante das cervejas artesanais Tripel Karmeliet, Kwak e Deus. “Por respeito à tradição das marcas, a fabricação seguirá na cidade de Buggenhout, na Bélgica, onde elas sempre foram produzidas”, disse a AB Inbev em comunicado. O valor não foi divulgado, mas a estimativa é de que a AB Inbev tenha desembolsado 200 milhões de euros na compra. 

Petrobras
A Petrobras (PETR3;PETR4) confirmou na quinta-feira o acerto da venda de sua subsidiária de gasodutos Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para um consórcio liderado pelo fundo canadense Brookfield. Pelo acordo, que ainda terá de ser aprovado pelo conselho de administração, a estatal seguirá como cliente da empresa, mas perdeu a exclusividade no uso da malha de gasodutos e vai precisar competir em condições de mercado para usar a infraestrutura de escoamento de gás, de acordo com fontes próximas à negociação.

O valor do acordo não foi anunciado, mas é estimado em mais de US$ 5 bilhões. Pelo acerto, o atual contrato da Petrobras para uso da malha de dutos passará por “modernização” para permitir a entrada de outros clientes no serviço de transporte de gás. Também o contrato da NTS com a Transpetro, responsável pela manutenção da malha de dutos, será revisto. Outro ponto ainda em análise pelas empresas é a estrutura acionária da nova empresa. A Petrobras estima concluir as revisões em 90 dias após a aprovação no conselho, que se reúne no dia 28. O prazo considera também a validação da venda pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O prazo pesou para o fechamento da negociação, para garantir a meta de US$ 15,1 bilhões neste ano. A petroleira já negociou cerca de US$ 4,6 bilhões com a venda de participações na Gaspetro, responsável pela gestão das distribuidoras regionais de gás; ativos na Argentina e no Chile; além de campos de petróleo como a área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos.

“Uma hora tem de se chegar a um acordo, a essência da transação está acordada, os contratos estão ‘minutados’. Mas haverá revisão de contratos na vírgula”, informou uma fonte próxima à negociação ao Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado. O modelo do contrato será “maleável” para absorver futuras revisões regulatórias, como a operação com diferentes entradas e saídas no fluxo de gás – tema em discussão pelo Ministério de Minas e Energia.

Ainda no radar da companhia, a estatal obteve aval do Cade para vender a fatia no BM-S-8 para a Statoil. Por fim, o Conselho de Administração da BR Distribuidora ratificou Ivan de Sá Pereira na presidência. 

Kroton e Estácio
A companhia de ensino superior Kroton (KROT3) identificou sobreposição de suas operações de ensino a distância com as da Estácio (ESTC3) em 80 municípios, de acordo com documento enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) tornado público na quinta-feira, 8. A companhia cita ao todo 792 cursos nesses 80 municípios em que as operações de Kroton e Estácio juntas acumulam uma participação de mais de 20% do mercado.

Em diversos cursos desses municípios a fatia de Kroton e Estácio juntas supera 90% do mercado. A companhia alega nos documentos enviados ao Cade, porém, que, mesmo com fatias elevadas, não seria possível exercer poder de mercado porque há presença de concorrentes e porque a legislação veda aumentos arbitrários de mensalidades.

Boa parte dos municípios com cursos em que Kroton e Estácio possuem alta concentração de mercado está no Estado do Rio de Janeiro, sede da Estácio. As empresas reportam, por exemplo, deterem mais de 90% do mercado em diversos cursos em regiões como Cabo Frio, Duque de Caxias, Macaé, Nova Friburgo, Petrópolis e a própria capital fluminense. Nestes municípios do Rio de Janeiro, a Kroton disputava anteriormente o mercado sobretudo com a Universidade Estácio de Sá, uma das instituições do grupo Estácio. Por conta da sobreposição no ensino a distância, as empresas deverão ter de vender ativos para conseguir aprovação do negócio no Cade. A venda do EAD da Estácio de Sá e da UniSeb é esperada, conforme relatou o empresário e acionista da Estácio Chaim Zaher ao Broadcast.

Essa solução esbarra, porém, em dificuldades regulatórias. Na Estácio, o ensino a distância e o ensino presencial estão dentro de uma mesma instituição, o que obrigaria a empresa a ser dividida em duas. A legislação educacional brasileira impede a venda de cursos ou programas isoladamente. As empresas alegam na documentação ao Cade ainda que “o mercado de oferta de cursos de ensino superior a distância apresenta diversos elementos a revelar uma intensa rivalidade entre os diferentes grupos.” Para as companhias, a rivalidade tende a se intensificar com o crescimento do mercado e os recentes credenciamentos de polos de ensino a distância pelo Ministério da Educação.

Oi
Destaque para as polêmicas sobre o plano de recuperação da Oi (OIBR4). Segundo o Valor, ainda que conseguisse se desfazer de seus ativos a preços de mercado, a Oi precisaria de mais R$ 16 bilhões para honrar as dívidas com credores (que totalizam R$ 65,4 bilhões). Laudo da Ernst & Young (EY) incluído no processo de recuperação judicial da Oi estima o valor dos ativos da operadora (fixos e intangíveis) em R$ 49,4 bilhões, para a data de 30 de junho. O montante é mais de 16 vezes superior ao valor da empresa em bolsa calculado no fim da sessão de ontem da BM&FBovespa: R$ 2,97 bilhões, segundo o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.  

Vale destacar ainda que o comitê diretivo do grupo de ‘bondholders” da Oi, composto por cerca de 70 instituições que detêm mais de 40% do valor de títulos de dívida externa da companhia, informou ontem que está discutindo com outros credores relevantes a formulação de um novo plano para a tele. Ele deve se basear em significativa desalavancagem por meio de conversão da dívida em capital e potencial novo financiamento assegurado por seus atuais credores. 

Cemig 
A Cemig (CMIG4recebeu uma notificação da intenção do exercício de opção de venda por parte do BTG Pactual para vender as 153.634.195 ações preferenciais que possui da companhia, que representam sua participação acionária na Parati. A Cemig tem até o dia 30 de novembro para efetuar a aquisição das ações ou indicar um terceiro para que a faça.

Aliansce
A Aliansce (ALSC3) comunicou que seus acionistas Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) e Renato Rique exercerão o direito de preferência para acompanhar o aumento de capital da companhia, investindo respectivamente R$ 174,1 milhões e R$ 66,2 milhões. Já a gestora de private equity americana Jaguar Growth Partners fechou acordo para investir até R$ 250 milhões na operação. Com isso, a nova sócia poderá indicar um membro para compor o conselho de administração da companhia. A Aliansce aprovou em 29 de agosto um aumento de capital entre R$ 300 milhões e R$ 600 milhões. 

BRF
A BRF (BRFS3) acertou acordo com FFM e investimento de US$ 16 milhões na FFP. A controlada BRF Foods GmbH celebrou acordo com FFM Berhad prevendo cooperação na FFM Further Processing FFP, além de investimento pela BRF Foods GmbH na FFP de aproximadamente US$ 16 milhões, segundo comunicado.

Após a conclusão da transação,a BRF Foods GmbH deterá 70% das ações da FFP e a FFM Berhad deterá os 30% remanescentes. A FFP é processadora de alimentos com sede na Malásia: “a transação está em linha com a estratégia da BRF em expandir sua presença no sudeste asiático e seu contínuo comprometimento com os mercados muçulmanos”.

 Saraiva
Conforme informa o jornal Valor, a Saraiva (SLED4) também é alvo de queixa de outro investidor na CVM em paralelo à disputa com a gestora GWI. Segundo o jornal, Vicente Conte Neto, sócio da H11 Capital e terceiro maior acionista depois da família e da gestora coreana, reivindica na autarquia o pagamento de dividendos referentes a 2015. Seu objetivo ainda é influenciar os controladores em assuntos como profissionalização da gestão e migração para o Novo Mercado, nível máximo de governança corporativa entre as companhias listadas na bolsa. 

 Educacionais
Por fim, uma notícia do Valor que pode afetar o setor de educação. O Ministério da Educação (MEC) ainda não abriu o processo para renovação de contratos do seu programa de financiamento estudantil, o Fies, neste segundo semestre. Normalmente, as renovações dos créditos acontecem em julho e agosto mas, desta vez, podem atrasar para outubro, segundo fontes do setor ouvidas pelo jornal. 

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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