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A visão original do cofundador do Ethereum (ETH), Vitalik Buterin, sempre incluiu uma transição da cadeia de prova de trabalho (proof-of-work, PoW), antigo sistema de mineração para processamento de transações do projeto, para a prova de participação (proof-of-stake, ou PoS), um método novo e ecológico que não depende de poder computacional.
Buterin ajudou a estabelecer a Ethereum Foundation (EF), uma organização sem fins lucrativos suíça dedicada ao desenvolvimento do ecossistema Ethereum, mas nem ele nem a fundação foram os únicos responsáveis por arquitetar a grande mudança da rede da criptomoeda, episódio considerado um dos mais importantes da histórica do universo cripto.
Em vez disso, dezenas de desenvolvedores individuais, pesquisadores, equipes de clientes (softwares usados por computadores que operam a rede) e voluntários gastaram milhares de horas ao longo dos anos, trabalhando nos detalhes técnicos de como a mudança poderia ser realizada.
Aqui neste texto estão oito dentre centenas de desenvolvedores que trabalharam incansavelmente para projetar, construir e testar a maior atualização do Ethereum de todos os tempos: a “Merge” (Fusão, na tradução para o português).
Tim Beiko
Beiko é o líder de suporte de protocolo na EF desde janeiro de 2021. Ele é frequentemente visto liderando as reuniões com os principais engenheiros da rede Ethereum, que acontecem a cada 15 dias.
O que ele fez: Beiko ficou encarregado de coordenar as equipes de clientes, voluntários e aqueles que trabalham com a EF. Normalmente, Beiko é visto liderando as discussões.
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Próximos passos: Beiko disse que ainda há muita coisa a se fazer no Ethereum. Isso inclui, falou, melhorar a escalabilidade do projeto e permitir que os stakers – pessoas que bloqueiam o ETH para ajudar a processar transações – retirem sua participação junto com quaisquer recompensas geradas. Além disso, Beiko está animado para abordar a harmonização dos processos de governança da camada de execução (a rede PoW usada até então) e a camada de consenso (a nova rede PoS), embora isso não seja tão “sexy”.
Beiko disse que vê a fusão como uma oportunidade de reunir a comunidade Ethereum e trazer pessoas de fora. Agora que o consumo de energia no sistema será reduzido em 99,9%, de acordo com estimativas da EF, a fusão pode genuinamente integrar “pessoas interessadas em Ethereum que eram céticas quanto aos impactos ambientais.” No geral, ter essas pessoas mais receptivas ao Ethereum é “superpositivo”, falou Beiko.
Justin Drake
Drake é pesquisador da EF desde dezembro de 2017. Na organização, ele pesquisa e trabalha com sharding, uma técnica de dimensionamento que divide grandes quantidades de dados de uma blockchain em pedaços menores e mais gerenciáveis.
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Drake disse ao CoinDesk que a comunidade em torno do Ethereum antes da fusão tornou o protocolo ainda mais valioso no espaço de ativos digitais. “Eu treinei para esperar que [a fusão] acontecesse no futuro, mas agora está realmente acontecendo no presente”, disse.
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O que ele fez: Drake fez grandes contribuições de pesquisa para a arquitetura da “Beacon Chain” – a rede de prova de participação do Ethereum. O design da cadeia passou por várias iterações diferentes ao longo do envolvimento de Drake. Cada uma, disse Drake, foi “10 vezes melhor” que a anterior.
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Próximos passos: Drake acredita que a próxima grande coisa para o Ethereum será o “proto-danksharding”. Em resumo, essa proposta de dimensionamento permitirá que mais dados sejam processados de uma só vez e, espera-se, aliviando os picos nos preços do gás (taxa do Ethereum), um problema comum para a rede.
Drake também acredita que após a fusão, o Ether se tornará um ativo financeiro de alta qualidade, e chegou a chamá-lo de “dinheiro para a internet”.
Ben Edgington
Edgington é o principal gerente de produto da Teku, um cliente Ethereum construído pela ConsenSys, uma empresa de pesquisa e desenvolvimento.
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Sua jornada para o mercado cripto foi muito diferente de seus colegas. Ele trabalhou em universidade e com ciência climática, e mais tarde ingressou em um conglomerado japonês onde lidou com supercomputadores. Com o tempo, o papel de Edgington mudou para gerenciamento de projetos, até que um dia ele mergulhou em blockchain e ficou viciado no Ethereum.
O que ele fez: Edgington formou a equipe de produtos da Teku. Lá, ele trabalhou em estreita colaboração com a equipe da Besu, que é o nome do cliente de execução do Ethereum. Como Teku e Besu estão sob a mesma organização, a ConsenSys, a coordenação do trabalho conjunto que levou à fusão foi um pouco mais fácil, disse ele.
Próximos passos: Edgington está particularmente orgulhoso do trabalho que fez para mudar o Ethereum para um modelo de prova de participação com suas implicações para segurança de rede e responsabilidade ambiental. Ele acredita que a sustentabilidade do PoS atrairá mais usuários para o projeto, trazendo pessoas céticas em usar blockchain por causa de seus impactos ambientais e, assim, permitindo que novas oportunidades e casos de uso cresçam no Ethereum.
“Eu tive um papel a desempenhar na remoção de uma mega tonelada de carbono da atmosfera toda semana”, disse.
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Parithosh Jayanthi
Jayanthi é engenheiro de desenvolvimento na Ethereum Foundation desde dezembro de 2020. Ele disse ao CoinDesk que ingressou na organização quando estava navegando pelo Twitter uma noite e notou que Justin Drake havia anunciado uma nova equipe na EF que trabalharia na camada de consenso.
O que ele fez: Muitos disseram que Jayanthi foi pioneiro no teste da Beacon Chain. “Comecei a aprender como fazer isso [executando testnets] com as testnets ‘Altair’ (nome de uma atualização) e a mesma ferramenta foi reutilizada para as redes de teste da Merge.”
Durante todo o tempo que antecedeu a fusão, as principais responsabilidades de Jayanthi giravam em torno de shadow forks (bifurcações paralelas), pois ele ajudava a coordenar esses testes cruciais e depurar quaisquer problemas que surgissem.
“Estou ansioso pela próxima fase da evolução do Ethereum”, falou.
Próximos passos: Após a fusão, Jayanthi espera por “umas férias longas e agradáveis, seguidas de perto pela Devcon”, a conferência anual de desenvolvedores do Ethereum. No entanto, Jayanthi disse ao CoinDesk que as próximas atualizações do projeto já estão a caminho, então podemos esperar que a EF avance a todo vapor com o próximo estágio. Jayanthi está particularmente focado no upgrade Shanghai (nome de outra atualização da rede), que tratará das retiradas de ETH da Beacon Chain.
Raúl Jordan
Jordan é um dos líderes da Prysm, o cliente de software mais popular do Ethereum, desde janeiro de 2018. Ele se juntou à equipe da Prysm quando a EF estava oferecendo subsídios para trabalhar nos problemas de escalabilidade da blockchain.
O que ele fez: Por meio de divulgação nas mídias sociais, Jordan conseguiu montar uma equipe de desenvolvedores que ficou conhecida como Prysmatic Labs. Juntos, eles estão trabalhando no Ethereum PoS e no sharding.
Jordan disse que sentiu o tremendo peso da Merge em seus ombros, já que o Prysm é o software de nó mais popular que alimenta a cadeia Ethereum. “Se algo der errado em nosso software, isso pode ter sérias repercussões na rede como um todo.”
Próximos passos: Como muitos outros, Jordan está ansioso pelo crescimento dos sistemas de camada 2 que estão sendo construídos no ecossistema Ethereum.“Acreditamos que o Ethereum dominará o mundo de blockchain, e ver tudo se materializar é algo que eu realmente quero testemunhar,” falou.
Alex Stokes
Stokes é pesquisador da EF desde junho de 2018. Ele trabalhou pela primeira vez em contribuições de código aberto quando ingressou na EF, mas sua função atual é examinar, testar, implementar e analisar preocupações para futuras melhorias de protocolo.
O que ele fez: Stokes ajudou nos primeiros projetos de sharding durante essa fase de desenvolvimento do Ethereum. Ele também liderou discussões sobre o potencial de falha do MEV-boost (um software associado à cadeia PoS) e ajudou a analisar possíveis soluções.
Próximos passos: Após a fusão, Stokes disse ao CoinDesk que trabalhará na implementação da Proposta de Melhoria do Ethereum (EIP) de número 4895. Essa atualização sugerida para o protocolo permitirá que os usuários retirem o ETH atualmente “trancado” na Beacon Chain. Ela será incluída em na atualização Shangai.
Além disso, Stokes disse ao CoinDesk que ele está bastante interessado em explorar opções seguras para implementar a “separação do proponente-construtor (PBS)”, uma estrutura de design que permite que os validadores obtenham mais recompensas dentro do protocolo.
Marius Van Der Wijden
Van Der Wijden é desenvolvedor de software na EF desde abril de 2020. Sua jornada no mercado de ativos digitais começou com a criação de um software de mineração de criptomoedas. Enquanto estava na universidade, ele percebeu que o Etherminer, o software de mineração de Ethereum de código aberto, estava um pouco desatualizado, então ele o atualizou e fez algumas alterações. A partir daí, Van Der Wijden rapidamente se tornou parte da equipe de código aberto do Etherminer.
Van Der Wijden foi posteriormente abordado pela EF e pela equipe do Geth (outro cliente do Ethereum) para trabalhar com eles. Ele aceitou o cargo e contribuiu em meio período enquanto terminava seu curso.
O que ele fez: Antes da fusão, Van Der Wijden escreveu guias para os clientes do Consensus Layer para que eles pudessem usar seu software com o Geth.
Van Der Wijden também trabalhou em estreita colaboração com Parithosh Jayanthi, Mario Vega e Marek Moraczynski em shadow forks para o Merge, a fim de garantir que todos os clientes implementassem as especificações corretamente. Ele também criou ferramentas que foram usadas para criar blocos defeituosos que identificariam problemas em alguns clientes.
Próximos passos: “Muitas coisas legais” vem por aí, disse Van Der Wijden. Ele está mais animado com o upgrade “Verkle tree” (outra atualização do Ethereum), que dimensionará a rede adicionando grandes quantidades de dados.
Sadija Zouarhi
Sadija ingressou na ConsenSys como engenheira de pesquisa em 2017 e depois se tornou líder de produto da Besu, um cliente de execução da Ethereum, até junho de 2022. Quando ela se juntou à ConsenSys, ela achava que o Bitcoin (BTC) era o melhor caso de uso possível para a tecnologia blockchain, mas ficou intrigada com o que poderia ser feito com o Ethereum.
“Considerando que a rede da Ethereum está atualmente carregando a maior parte da indústria e economia Web 3.0, essa evolução do protocolo pode parecer assustadora. Por outro lado, a fusão também está cheia de oportunidades”, falou.
O que ela fez: Sadija trouxe sua experiência em engenharia de blockchain para a área de gerenciamento de produtos. Suas principais prioridades incluíam trabalhar com desenvolvedores e definir quais eram as prioridades para a equipe do cliente Besu.
Próximos passos: Um grande desafio que Sadija espera enfrentar é a diversidade de clientes. Se a maior parte da cadeia estiver contando com um único software cliente, ela estará em risco caso um algum dees tenha um problema. Atualmente, o cliente de camada de execução mais popular é o Geth com 78,4%. Portanto, Sadija espera que o Besu tenha um bom desempenho não apenas com o Teku, o cliente de consenso da ConsenSys, mas também com outros.
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