Compras: preço sai do foco do consumidor e dá lugar à praticidade

Dessa forma, pessoas passam a comprar mais em lojas perto de casa, deixando supermercados de lado

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – A estabilidade da economia e as modificações ocorridas no estilo de vida dos brasileiros nas últimas décadas transformaram o consumidor de hoje em alguém que procura, acima até mesmo do preço, praticidade quando vai às compras. A afirmação é do superintendente da Associação ECR Brasil, Claudio Czapski.

“O consumidor não está disposto a pegar o carro, enfrentar o trânsito de uma marginal apenas para ir a um hipermercado comprar algumas coisas”, explicou. “Antes, na época de superinflação, era necessário ir ao supermercado fazer toda a compra do mês, porque o dinheiro perdia o valor muito rápido. Agora não é mais assim”, adicionou.

Desempenho

Exatamente por conta dessa situação econômica mais confortável, brasileiros não precisam mais se preocupar tanto com o preço. “Atualmente não se fazem mais aquelas listas enormes com os produtos do mês, a qual as pessoas consultavam diversos supermercados para poderem comprar”, explicou.

Diante desse novo modo de encarar as finanças, levantamento da Nielsen mostrou que lojas com até quatro caixas, as chamadas lojas “da vizinhança“, registraram, no ano passado, um aumento de 3,9% no faturamento em relação a 2005.

De acordo com o 36º Relatório Anual da Revista Supermercado Moderno, as lojas independentes e redes com até cinco filiais registraram faturamento 10,54% maior em 2006, em termos nominais. Por outro lado, dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam para uma queda de 1,65% nas vendas, no mesmo período.

Variações muito grandes

Apesar de não pesquisar mensalmente as condições de ofertas e valores, o consumidor tem sensibilidade quanto a variações muito grandes na conta que paga. “Claro que não pode haver uma diferença gritante. Se a loja for muito cara, as compras serão feitas somente em casos de emergência”, disse.

Czapski afirma que tanto a mulher quanto o homem trabalham hoje em dia, e os casais costumam optar por comprar comidas prontas ou semi-prontas, como forma de facilitar os serviços domésticos. “Se um frango, por exemplo, é um pouco mais caro mas já vem limpo, temperado, as pessoas não se importarão em pagar R$ 2, R$ 3 a mais pelo tempo que vão economizar”, finalizou.

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