Análise

Compra do Supermercado Now aumenta escala da B2W, mas não eleva recomendações para as ações

Aquição traz vantagens da varejista contra as concorrentes no ramo de alimentos, mas enfrentará desafios de expansão

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SÃO PAULO – A B2W (BTOW3) anunciou na noite de segunda-feira (13) a aquisição da plataforma de e-commerce de alimentos Supermercado Now. A novidade agradou aos analistas, que elogiaram a estratégia de expansão da companhia, apesar de apontarem alguns desafios.

Por outro lado, o mercado, que começou reagindo muito bem, levando as ações a subirem até 3,66%, acabou virando de lado, com os papéis fechando com perdas de 1,19%.

O Supermercado Now foi criado em 2016 e funciona como um marketplace online focado no segmento alimentar. Atualmente, são cerca de 30 redes de supermercado com mais de 200 mil usuários ativos, que recebem o pedido em até duas horas ou em um horário agendado.

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A base de clientes tem um perfil de alta recorrência, com 2,3 pedidos por mês/cada, e um ticket médio de cerca de R$ 250 por cesta. Este é um modelo de negócio que já tem maior força no exterior, como nos Estados Unidos, com a empresa Instacart.

Segundo a XP Investimentos, esta aquisição está em linha com as metas divulgadas pela B2W em sua reunião com analistas no ano passado de aumentar o sortimento de 20 milhões de itens para 100 milhões e de dobrar o volume de vendas totais na plataforma até 2022.

Os analistas apontam que o Supermercado Now aumenta de maneira relevante a presença e a escala da B2W na categoria de alimentos, uma das mais complexas de serem operadas no canal online (menos de 1% das vendas da categoria são feitas via e-commerce contra 7% para o setor de varejo como um todo).

“A B2W já vinha operando no segmento por meio de parcerias com algumas redes regionais, como a Zona Sul no Rio de Janeiro. Além disso, criam-se oportunidades relevantes de cross-sell, em função do perfil de alta recorrência da categoria”, avalia a equipe de análise.

Já o Bradesco BBI aponta que a B2W terá uma grande vantagem sobre concorrentes como Magazine Luiza (MGLU3) e Mercado Livre, já que seus usuários poderão criar cestas de vários itens que serão atendidos em uma única entrega.

“Essa é uma realidade para os usuários do Rappi e James, mas acreditamos que ainda é um desafio para Magalu e Mercado Livre. Além disso, o Supermercado Now oferece uma ampla gama de produtos frescos, enquanto a maior parte da variedade oferecida pelas outras duas empresas é focada em produtos secos e domésticos”, explicam os analistas.

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Por outro lado, eles apontam que o grande desafio da varejista será escalar a operação adicionando novos supermercado parceiros e expandir a operação para além da atual área de cobertura da Grande São Paulo.

Neste sentido, os analistas lembram que é improvável que a B2W inclua as maiores redes de supermercados, como Pão de Açúcar (PCAR4), Carrefour Brasil (CRFB3) e Grupo Big (antigo Walmart Brasil), na plataforma, já que cada um deles já tem sua própria solução. De qualquer forma, o Bradesco acredita que a companhia irá assumir a liderança (estrategicamente) nesta categoria por enquanto.

Apesar da visão positiva da aquisição, tanto XP quando Bradesco mantiveram suas recomendações neutras para os papéis BTOW3, com preços-alvo de R$ 57,00 e R$ 47,00, respectivamente, o que representa um potencial de queda de 18% e 32% para os papéis.

A recomendação segue o que a maior parte do mercado também avalia. Segundo dados da Bloomberg, das 17 recomendações compiladas, 13 são neutras, três de compra e apenas uma de venda, com um preço-alvo médio de R$ 54,28.

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