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Como trader Léo Santana saiu das dívidas e virou referência em Tape Reading

Especialista em Tape Reading explica como transformou leitura de fluxo, preço e contexto macro em metodologia operacional

Bruno Nadai

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O mercado financeiro costuma atrair pessoas em busca de independência financeira, mas poucas conseguem transformar essa busca em uma trajetória profissional consolidada.

Em meio a um ambiente marcado por excesso de informação, indicadores e promessas de ganhos rápidos, alguns traders acabam encontrando valor justamente na simplificação da leitura de mercado.

Léo Santana foi o convidado do episódio 34 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast.

No programa, ele detalhou sua trajetória no mercado financeiro, explicou como migrou da análise técnica tradicional para o Tape Reading e defendeu que o fluxo representa o “código fonte” do mercado.

Das dívidas ao trade

A entrada no mercado financeiro não aconteceu por influência familiar nem por vocação precoce.

Na época, Léo Santana trabalhava na região do Brás, em São Paulo, e convivia com uma realidade financeira complicada.

Apesar de ter renda, acumulava dívidas, utilizava cheque especial e enfrentava dificuldades para organizar a própria vida financeira.

Nesse cenário, o primeiro contato com o mercado veio por meio da busca por educação financeira e investimentos conservadores.

O trader afirma que o processo começou longe do day trade.

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A intenção inicial era construir patrimônio de forma gradual, utilizando produtos de renda fixa e criando uma reserva de emergência.

“Eu queria apenas um CDB, um LCA, um LCI, uma renda fixa”, conta.

Entretanto, conforme aprofundava os estudos de maneira autodidata, passou a encontrar conteúdos relacionados ao mercado intradiário.

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“E nessa que eu fui pesquisando, foi caindo nessa palavrinha day trade”, explica.

Ao descobrir o day trade, a curiosidade rapidamente se transformou em interesse profissional. Ainda assim, ele relembra que inicialmente resistiu à ideia.

O objetivo não era viver de operações de curto prazo, mas entender melhor o funcionamento do mercado.

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Contudo, após realizar operações em ambiente simulado e enxergar potencial financeiro naquela dinâmica, decidiu mergulhar nos estudos em tempo integral.

“Eu demiti o meu patrão. Para quê? Para estudar full time. Então eu passei ali estudando, tentando entender um pouco mais desse mundo, desse mercado financeiro”, relembra.

A mudança de carreira também esteve ligada à insatisfação profissional.

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Dessa forma, o day trade passou a representar não apenas uma oportunidade financeira, mas também uma possibilidade concreta de mudança de vida.

“Eu cansei daquele serviço sujo, pesado, exaustivo e que não remunerava bem. Eu não tinha nenhuma perspectiva de crescimento”, afirma.

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O “código fonte”

Os primeiros passos operacionais aconteceram por meio da análise técnica tradicional.

Como grande parte dos iniciantes, Santana começou utilizando indicadores, cruzamentos de médias e setups visuais.

Contudo, apesar de executar operações, sentia dificuldade em compreender o motivo real por trás dos movimentos do mercado.

Para ele, faltava entender o que efetivamente fazia o preço subir ou cair.

Nesse processo, o Tape Reading surgiu quase por acaso.

Ao assistir transmissões ao vivo pela internet, o trader teve contato pela primeira vez com telas carregadas de números, lotes e fluxo de ordens. Inicialmente, a reação foi negativa.

Segundo ele, aquilo parecia distante da lógica tradicional baseada em candles e indicadores gráficos.

“A primeira vez que eu vi Tape Reading falei: ‘Cara, esse maluco que está transmitindo é meio doido’”, recorda.

Entretanto, a percepção mudou quando passou a enxergar o fluxo como a origem do movimento dos preços.

A partir dali, começou a interpretar o mercado através da dinâmica entre compradores e vendedores.

Para ele, o candle representa apenas a consequência visual daquilo que já aconteceu no fluxo. “O Tape Reading para a gente é o código fonte do mercado”, enfatiza.

Uma das analogias mais utilizadas por Santana para explicar o Tape Reading envolve programação.

Segundo ele, o gráfico seria apenas a interface visual do mercado, enquanto o fluxo funcionaria como o código-fonte por trás da movimentação.

Dessa maneira, o trader acredita que consegue antecipar regiões de suporte e resistência antes mesmo da confirmação gráfica tradicional.

“O código fonte vem primeiro e depois vem o que aparece lá na tela que vocês estão vendo”, compara.

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Simples que funciona

Com o passar do tempo, Santana afirma que abandonou a tentativa de sofisticar excessivamente o operacional.

Após testar diferentes metodologias, concluiu que sua consistência aparecia justamente nos modelos mais simples, principalmente aqueles baseados em suporte, resistência e confirmação através do fluxo.

“Eu sou aquela pessoa que tentou de tudo. Tentei várias vezes para ver o que não dava certo. Eu fui tentando e eu voltei para o simples que funciona”, reconhece.

A principal vantagem, segundo ele, está na possibilidade de observar quando compradores ou vendedores falham em determinadas regiões de preço.

Assim, em vez de operar apenas porque o mercado chegou a um suporte ou resistência, o trader espera o fluxo confirmar a entrada.

“O meu operacional é muito simples Ele é baseado simplesmente em suporte, resistência”, afirma.

Outra característica importante da metodologia envolve a chamada “memória de preço”.

O trader conta que se forçou a memorizar regiões importantes do mercado, especialmente no dólar futuro, ativo em que concentra grande parte das operações.

Dessa forma, consegue identificar rapidamente pontos relevantes sem depender exclusivamente de marcações gráficas.

“Eu me forcei a ter essa memória de preço. A minha memória é horrível, mas eu me forcei a ter essa memória boa, porque é aqui que está o meu dinheiro, é aqui que está o meu sustento”, explica.

Além da leitura operacional, Santana também reforça a importância da preparação antes da abertura do mercado.

Por isso, acompanha notícias, calendário econômico, política monetária e indicadores macroeconômicos diariamente.

Para ele, operar sem entender o contexto econômico seria equivalente a sair de casa sem saber como está o clima do lado de fora.

“Meu dia começa muito antes do mercado abrir”, conclui.

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