Comércios populares têm parcelas menores e maiores prazos de pagamento

Especialista prevê que tendência é que esse método de receber seja cada vez mais recorrente, inclusive em shoppings

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Comércios voltados para a população de renda mais baixa apresentam formas de pagamento mais facilitadas: parcelas com valores menores, prazos mais longos e maior tempo para a entrada. E a tendência é que esse estilo de venda torne-se cada vez mais comum e passe dos comércios de rua à grande parte das lojas de shoppings.

A previsão é de José Roberto Resende, da Shopping Brasil – empresa especializada em varejo. Conforme estudo, algumas redes com unidades em shoppings já oferecem serviços com esse perfil. “Esse tipo de venda busca o salário que o consumidor vai ganhar daqui a três meses. Se um estabelecimento não fizer isso, outros farão”, analisou.

Porém, não há como precisar quais as diferenças de preços das parcelas. “Esse segmento é muito variado e muda de loja para loja”, explicou.

Preços x lucro

De acordo com o levantamento do especialista, chegou-se a esse fórmula de prazos alongados o fato de que, com preços muito baixos, há menos chance de lucro. Ao mesmo passo, valores nas alturas afastam o consumidor de baixa renda. A solução, então, é a opção pelo pagamento a prazo, com parcelas que caibam no orçamento dos compradores.

“Hoje se pode comprar um eletroeletrônico em 36 vezes de R$ 9,90. A situação da economia há cinco anos não permitia essa prática. Agora, com a economia estável, juro e dólar em queda, fica mais fácil dar essa possibilidade”, explicou Resende.

E, conforme o representante da Shopping Brasil, a compra a prazo é a única forma da classe mais baixa da população fazer aquisições. “Sem crédito, eles não compram. E isso vale para tudo: roupas, eletroeletrônicos, calçados”, adicionou.

Juros

Conforme última divulgação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a concessão de crédito ao consumidor possui um juro médio de 7,36% – alíquota que deve cair para 7,32% mensais caso seja repassado o último corte da Selic, de meio ponto percentual, em sua totalidade. A taxa básica de juro da economia está em 12% ao ano.

Analisando apenas o comércio, o juro atual é de 6,02% ao mês, passando para 5,98%, na mesma situação. “O consumidor de baixa renda, alvo dessas modalidades de pagamento, não gosta de pedir empréstimo em bancos ou financeiras. A negociação é feita diretamente com a loja”, explicou o especialista.

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