Com referências abundantes, perspectiva é de volatilidade para Ibovespa

Analistas evitam fazer apostas, mas indicam semana instável, ainda dominada por eventos nos países árabes e alta do petróleo

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SÃO PAULO – O rali das bolsas norte-americanas foi interrompido neste semana por manifestações violentas na Líbia e o renovado temor de disparada do petróleo. O Ibovespa acompanhou os mercados internacionais e, embora tenha se descolado em alguns pregões, acumulou nos últimos cinco dias desvalorização de 1,71%, mas ainda próximo dos 67 mil pontos. 

A aversão ao risco prevaleceu em grande parte não só por causa da interrupção de parte da produção na Líbia e suspensão das operações de algumas petrolíferas no país, como Eni e Repsol, mas também porque há o temor de contágio para outras nações da região, especialmente grandes produtores como Iêmen e Árabia Saudita. 

A situação fez com que os Estados Unidos optassem, nesta sexta-feira (25), por aumentarem a pressão diplomática sobre o governo de Muammar Gaddafi, suspendendo relações e preparando a imposição de sanções unilaterais ao país. As medidas visam punir a violência com que o líder enfrentou as manifestações na Líbia. Os relatos, no entanto, indicam que militares infiltraram-se entre protestantes e abriram fogo, matando no mínimo cinco pessoas nesta sexta-feira (25). 

Volatilidade e olho no curto prazo
Para Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW, sem soluções à vista para desfecho dos conflitos, o impacto para as bolsas globais dependerá, majoritariamente, dos eventos na região, e dos desdobramentos no dia a dia. Se o aumento dos preços de petróleo provar-se duradouro, avalia Galdi, há uma mudança no cenário econômico, com aumento da inflação também para os países desenvolvidos, que seriam obrigados a elevar juros antes do previsto, minando assim uma já incipiente recuperação. 

Apesar dessa possibilidade, Clodoir Vieira, economista da Souza Barros, acredita que o cenário catastrófico anunciado por alguns analistas estrangeiros, que estimaram a possibilidade do petróleo alcançar os US$ 220 por barril, é exagerado. Para Vieira, isso é especulação, especialmente porque já foram dados sinais de que há capacidade produtiva ociosa que poderia suprir um eventual choque. 

Ainda assim, Galdi e Vieira concordam que a semana deverá ser bastante volátil, e não acreditam em possibilidade de recuperação do Ibovespa. O economista da Souza Barros, por exemplo, acredita que a melhor estratégia é realizar pequenos lucros, pois posições mais duradouras, neste momento, são condizentes apenas com quem tem perfil de longo prazo, visando um horizonte de ao menos um ano e meio. 

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Cortes e Copom
E, como se não bastasse essa perspectiva, a agenda ainda é bastante carregada. Por aqui, na segunda-feira devem ser anunciados os detalhes do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011 programados pelo governo, e Clodoir Vieira considera a divulgação importante pois poderá ser possível avaliar melhor não só a viabilidade da contenção de despesas, mas também setores afetados pela restrição fiscal. 

Além disso, o Copom irá se reunir entre a terça e a quarta-feira (2) para decidir sobre o aumento da taxa básica de juros, um assunto que tem sensibilizado o mercado neste início de 2011. O economista da Souza Barros tem opinião que está em linha com o consenso, apostando em uma elevação de 50 pontos-base, que já estaria precificada, portanto. 

Pedro Galdi, da SLW, no entanto, não descarta um aumento maior, de 75 pontos-base, conforme passou a ser ventilado pelo mercado nesta última semana. A consultoria LCA, por exemplo, fez a mesma leitura, avaliando que “crescem as apostas para uma alta de 75 pontos-base no próximo Copom”.

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Nos EUA, emprego novamento em foco
Para além da agenda interna, os indicadores econômicos norte-americanos também são relevantes. O mais importante deles é aguardado para sexta-feira (4): o Relatório do Emprego referente a fevereiro. De acordo com o consenso do Briefing.com, a expectativa é de adição de 180 mil novas vagas à economia no mês, com leve alta de 0,01 ponto na taxa de desemprego, para 9,1%. 

No entanto, no último mês, a criação de postos decepcionou, e a abertura de apenas 36 mil empregos em janeiro foi atribuída ao inverno. Para Pedro Galdi, da SLW, a mesma lógica poderá ser utilizada para explicar os números deste mês, caso decepcionem. De qualquer forma, avalia, o mercado já aguarda de forma menos ansiosa essa divulgação, pois o próprio Federal Reserve já afirmou anteriormente que o crescimento sustentável do mercado de trabalho levará ainda algum tempo. 

O Livro Bege do Fed, na quarta-feira, pode esclarecer de forma mais profunda a leitura que a autoridade monetária faz do desenvolvimento da economia. Galdi sugere ainda atenção à produção industrial de China, Europa e Estados Unidos, que serão conhecidos ao longo da semana e são importantes para aferir o passo da recuperação da economia global. 

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Resposta à Petrobras
Por último, voltando ao Brasil, a temporada de balanços continua, com destaque para as imobiliárias, como Gafisa (GFSA3) e Even (EVEN3), na segunda-feira, e companhias de energia elétrica, tais como Copel (CPLE6), CPFL (CPFE3) e Cemig (CMIG4). Vale lembrar ainda que o mercado deverá reagir ao balanço da Petrobras (PETR3, PETR4), divulgado nesta sexta. A empresa declarou que os resultados para o quarto trimestre e o ano de 2010 foram recordes, com lucro de R$ 35 bilhões no acumulado do ano passado.