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SÃO PAULO – Apesar da forte alta registrada pela bolsa brasileira em janeiro deste ano, a equipe de analistas do HSBC identifica fatores que justificam uma visão cautelosa para a renda variável doméstica nos próximos meses, levando a instituição a manter uma exposição defensiva neste mercado.
Em seu boletim mensal referente a fevereiro, o banco enfatiza as dificuldades dos setores financeiros e os ajustes necessários nos padrões de poupança dos consumidores em geral. Além disso, destaca que as expectativas de lucro podem sofrer queda diante do complicado cenário econômico.
A instituição também continua não recomendando fundos cambiais. Apesar de ver possibilidade de valorização do dólar frente ao real em função da deterioração dos termos de troca e da maior dificuldade de acesso ao capital externo, os analistas afirmam que a volatilidade e a incerteza sobre os fluxos de curto prazo indicam maior cautela.
No mesmo sentido, a recomendação de exposição a fundos de renda fixa do HSBC também continua zerada. Embora acredite na continuação do movimento de queda de juros, o banco entende que tal fato já foi antecipado pelo mercado. Para os investidores com recursos já aplicados nesses fundos, porém, a instituição não recomenda a migração para os fundos DI em virtude da perda do benefício fiscal.
Sugestões para cada perfil
Feitas as considerações, o banco afirma que, em momentos de incerteza na economia, muitos investidores buscam opções mais conservadoras de investimento. Desta forma, a equipe do HSBC sugere diferentes estratégias de alocações de recursos, de acordo com o perfil de cada investidor.
Além das posições zeradas já discutidas, a instituição ainda aconselha alocações nulas em fundos de títulos indexados ao IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado). Para os menos propensos ao risco, os analistas apontam os fundos DI como uma “ótima opção”, pois combinam rentabilidade, liquidez e conservadorismo. Confira as sugestões na tabela:
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| Sugestões do HSBC de alocação em fundos de investimento de acordo com o perfil do investidor | ||||||
| Perfil do Investidor | Ações | Multim. | Renda Fixa | DI | Cambial | IGP-M |
| Conservador | 2% | 20% | 0% | 78% | 0% | 0% |
| Moderado | 5% | 55% | 0% | 40% | 0% | 0% |
| Agressivo | 10% | 80% | 0% | 10% | 0% | 0% |
Projeções ruins para o decorrer de 2009
Para o decorrer de 2009, tudo indica que a postura cautelosa do HSBC deve ser mantida, principalmente em função da contínua deterioração das perspectivas para a economia global. Diante da acentuada crise de crédito e de confiança, o banco prevê uma contração do PIB (Produto Interno Bruto) de EUA, Europa e Japão, sendo que a recuperação esperada para 2010 deverá ser bastante gradual.
No caso dos emergentes, a instituição ressalta que foram os países do bloco que trouxeram as maiores surpresas negativas no período recente, inclusive com quedas de dois dígitos nas exportações e na produção industrial nos últimos meses de 2008. Assim, ainda que a previsão para o ano continue sendo de expansão para a região como um todo, o banco afirma que a taxa de crescimento deverá ser bem inferior às observadas nos últimos anos.
Para o Brasil, especificamente, o HSBC destaca os dados preliminares que indicam uma expressiva contração da economia desde outubro do ano passado, com recuo de 2% no PIB do quarto trimestre. Segundo os analistas, esse movimento é a consequência da perspectiva de uma demanda final (consumo, investimentos e exportações) mais fraca nesse ano, dada a recessão global, o menor dinamismo do mercado de crédito doméstico e a previsão de desaceleração do mercado de trabalho.
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Diante disso, o banco revisou sua projeção para o crescimento do PIB doméstico de 2,0% para 1,3% em 2009. Além disso, prevê que o ciclo de afrouxamento monetário continue até que a Selic atinja 10,5% ao ano no final deste semestre, patamar que deverá ser mantido até o final do ano.