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SÃO PAULO – A alta de 1,82% do Ibovespa nesta sexta-feira (11) contribuiu para que o índice não acumulasse mais uma semana no negativo. Ainda assim, o avanço semanal foi modesto, de 0,75%, resultado do bom humor disseminado pelo anúncio de que Hosni Mubarak finalmente cedeu às pressões e deixou a presidência do Egito após 30 anos no poder.
O comando foi entregue às Forças Armadas, que já repetiram por diversas vezes que irão respeitar os desejos da população. O Egito foi palco de manifestações que tomaram o país nas últimas três semanas, com os populares reivindicando por democracia e qualidade de vida. Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets, o nível de aversão ao risco dos investidores na próxima semana tende a ser menor por conta da solução.
Embora a transição política seja um processo demorado, a saída de Mubarak deve tranquilizar manifestantes e diminuir o risco de eventos violentos, por exemplo, além de tornar o fechamento do canal de Suez, importante entreposto comercial, muito pouco provável. “Com essa preocupação descartada, os mercados voltam a olhar os fundamentos”, acredita o estrategista.
Semana pode ser de alta
Para Hamilton Moreira Alves, estrategista do BB Investimentos, de fato a queda do presidente do Egito deve promover um arrefecimento da instabilidade que tomou os investimentos direcionados aos mercados emergentes nas últimas semanas. No entanto, Alves não deixa de lembrar que ainda permanece a possibilidade de revoltas semelhantes acontecerem em países árabes, após a vitória obtida por civis na Tunísia e no Egito.
Ainda assim, para o estrategista do BB Investimentos, a semana tende a ser positiva para o Ibovespa, justamente porque as quedas foram muito intensas até agora. Mesmo com a alta da semana, o índice acumula desvalorização de 5,12% no ano.
Os mercados norte-americanos estão operando próximos das máximas, mas ainda assim Alves não acredita em realização para essa semana, e o movimento positivo por lá pode indicar um respiro para os investimentos por aqui também. A agenda também pode servir de mola propulsora caso dados como a produção industrial e os pedidos de auxílio-desemprego, esperados para quarta (16) e quinta (17), respectivamente, mostrem mais força do que o esperado.
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Mas fatores de risco persistem
Apesar do tom otimista, toda cautela é pouca com relação ao desempenho da indústria norte-americana. Segundo Alves, o mês de janeiro costuma ser fraco para o setor, mais ainda pelo inverno rigoroso que assola o hemisfério norte. Outro dado importante na agenda está situado na madrugada de terça-feira, com os preços ao produtor e ao consumidor na China. Para o estrategista do BB, não é um número que deverá mexer com o mercado, a não ser que venha muito discrepante, já que o governo chinês anunciou nesta semana um aumento da taxa básica de juros em 25 pontos-base.
Para Rostagno, no entanto, este pode ser um fator de risco para o mercado na próxima semana. O estrategista da CM Capital Markets mostra bem menos confiança com o prognóstico para o mercado. Embora não aposte em realizações expressivas, diz que é cedo para afirmar que o momento de queda terminou.
A inflação é uma preocupação visível na China e o mercado pode mostrar sensibilidade aos números, antecipando outras medidas restritivas de crescimento. Além disso, com o Egito fora do centro do radar, a Europa e seus problemas fiscais podem voltar a incomodar. Para a semana, o mercado aguarda o PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro, importante para observar o ritmo de crescimento do continente em meio à necessidade de apertos fiscais.
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Orçamento: crível ou não?
A agenda doméstica é outro ponto de divisão entre os estrategistas. O corte de R$ 50 bilhões no Orçamento anunciado na quarta-feira (9) não diminui o ceticismo do mercado, diz Rostagno, para quem será necessário ainda observar o detalhamento de como esses gastos serão contidos, qual será a “qualidade” deles.
A discussão sobre o salário mínimo também tende a ser um fator de instabilidade. Guido Mantega, ministro da Fazenda, já avisou que não há discussão em relação aos R$ 545 apresentados pelo governo, mas a proposta terá que ser votada no Congresso, e a própria bancada governista já falou em reajustes maiores. Como um mínimo de R$ 560 dificultaria ainda mais a execução dos cortes de gastos, o mercado não receberia bem uma alteração no valor.
Por outro lado, se estes dois dados agradarem – a qualidade dos cortes e o mínimo de R$ 545 – o mercado pode responder bem na próxima semana, acredita Rostagno. Mas tudo depende de um “se”, lembra. Já Alves alega que existe a percepção de que o governo vai se esmerar para ganhar credibilidade e que existem boas oportunidades na bolsa atualmente, com preços em patamares atrativos.